Edição

Sinopse:

Este ensaio apresenta um percurso realizado entre 2016 e 2017 junto a ativistas, cultivadores e usuários de cannabis na Argentina. Nesse período, a demanda pela regulamentação do acesso à cannabis para uso terapêutico ganhou visibilidade e o assunto foi objeto de discussões nos âmbitos legislativos municipais, estaduais e nacionais. Isso foi possibilitado graças à cooperação empreendidas pelas associações de ativistas canábicos e antiproibicionistas, que configuraram redes e circularam entre escritórios e locais de diferentes cidades. Nesses trânsitos, promoveram audiências, jornadas e seminários que reuniam seus próprios conhecimentos – produzidos enquanto cultivadores, especialistas, usuários e familiares de usuários – com aqueles que, mais recentemente, alguns cientistas e profissionais da saúde começavam a desenvolver. Desse modo, no início de 2017, o Congresso Nacional aprovou a lei 27.350, que regulamenta a investigação médica e científica para determinar o potencial terapêutico da planta.

Como uma maneira de acompanhar esses acontecimentos, resolvemos mostrar as experiências dos ativistas que, a partir da cidade de Córdoba, abriram espaços de debate e impulsionaram ações que ecoaram em outros pontos do país. Dentre esses ativistas, centramo-nos em Brenda Chignoli e o Movimiento Nacional por la Normalización del Cannabis Manuel Belgrano – associação que ela criou em 2012 e coordenou até o seu falecimento em maio de 2019. Também consideramos o trabalho de outros grupos surgidos nessa cidade: a Asociación Edith Moreno Cogollos Córdoba, a primeira organização cannábica da Argentina, e a Comunidad Cordobesa de Intercambio de Genéticas.

O conjunto de imagens apresentado aqui conta histórias diversas e convergentes que tiveram como centro a planta de cannabis e como contexto uma causa política focalizada no direito à saúde e ao próprio corpo. Isso se percebe na história de Brenda, que começou sua militância na luta pelos direitos das pessoas vivendo com HIV-Aids no início do século XXI e depois se centrou no uso terapêutico da cannabis. Esse caminho nos levou a aprofundar a trajetória de um dos seus companheiros de luta apelidado “Manso”, que cultivava a planta em uma localidade da serra cordobesa e a utilizava para diminuir os efeitos da terapia antirretroviral.

De maneira geral, a etnografia traça o cultivo da vida dos ativistas através do cultivo de plantas, modos de falar, técnicas de assessoramento, formas de gerir, organizar(se) e comunicar conhecimentos empíricos sobre a cannabis e os seus cuidados. Como parte desses saberes, destacam-se os vinculados à realização de mobilizações na rua – como a Marcha Mundial da Maconha, um evento internacional que se celebra desde 1999 durante o mês de maio – e de reuniões para planejar e coordenar ações futuras. A descrição também considerou os processos de plantio e colheita e a produção de extratos que serviam para elaborar derivados e tratar distintas patologias. Um ponto fundamental na circulação desses objetos em Córdoba foi o momento em que a Justiça Federal devolveu os óleos de cannabis que haviam sido apreendidos pela polícia, após a irrupção do cultivo coletivo desenvolvido por Brenda e seu companheiro Sergio. Para esse momento, o Movimiento Nacional Manuel Belgrano tinha estendido o seu alcance no Norte do país. Ali, adicionou às suas fileiras as mães de usuários terapêuticos que demandavam não somente o acesso gratuito aos extratos de cannabis, mas também a possibilidade de cultivar as plantas de maneira individual e coletiva nos seus respectivos estados.

Os ativismos canábicos e antiproibicionistas convergiram – não sem tensões – na luta pela cannabis medicinal. A trama de vínculos tecida por Brenda na sua mobilização apaixonada e incessante nos revela o acúmulo de desafios, esperanças e emoções envolvidos no movimento pela reforma das políticas de drogas na Argentina.

sinopsis:

Este ensayo muestra un recorrido realizado entre 2016 y 2017 en compañía de activistas, cultivadores y usuarios de cannabis en Argentina. Durante ese periodo, la demanda por la regulación del acceso al cannabis para uso terapéutico adquirió visibilidad y el tema fue objeto de discusiones en ámbitos legislativos a nivel municipal, provincial y nacional. Ello fue posible gracias a actividades cooperativas emprendidas por agrupaciones de activistas cannábicos y antiprohibicionistas, quienes constituyeron redes y circularon entre oficinas y recintos de distintas ciudades. En esos tránsitos promovieron audiencias, jornadas y seminarios que aunaban sus propios conocimientos -producidos en tanto cultivadores, especialistas, usuarios y familiares de usuarios-, con aquellos que, de manera más reciente, empezaban a desarrollar algunos científicos y profesionales de la salud. Así, a comienzos de 2017 el Congreso de la Nación sancionó la ley 27.350 que regula la investigación médica y científica para determinar las potencialidades terapéuticas de la planta.

Como forma de acompañar esos acontecimientos, decidimos mostrar las experiencias de activistas que, desde la ciudad de Córdoba, abrieron espacios de debate e impulsaron acciones que reverberaron en otros puntos del país. Entre esos activistas nos centramos en Brenda Chignoli y el Movimiento Nacional por la Normalización del Cannabis Manuel Belgrano -agrupación que ella creó en 2012 y coordinó hasta su fallecimiento en mayo de 2019. También consideramos las labores de otras agrupaciones surgidas en dicha ciudad: la Asociación Edith Moreno Cogollos Córdoba, primera organización cannábica de Argentina, y la Comunidad Cordobesa de Intercambio de Genéticas.

El conjunto de imágenes presentado aquí yuxtapone historias diversas y convergentes que tuvieron como centro a la planta de cannabis y como contexto una causa política construida en torno al derecho a la salud y al propio cuerpo. Esto se percibe en la historia de Brenda, quien comenzó su militancia por los derechos de las personas viviendo con VIH-sida a comienzos del siglo XXI y luego se enfocó en el uso terapéutico del cannabis. Ese camino nos llevó a profundizar en la trayectoria de uno de sus compañeros de lucha apodado “Manso”, que cultivaba en una localidad de las sierras cordobesas y empleaba la planta para paliar los efectos de la terapia antirretroviral.

Más ampliamente, la etnografía traza el cultivo de la vida de activistas a través del cultivo de plantas, modos de hablar, técnicas de asesoramiento, formas de gestionar, organizar(se) y comunicar conocimientos empíricos sobre cannabis y sus cuidados. Como parte de esos saberes se destacan los referidos a la realización de manifestaciones callejeras tales como la Marcha Mundial de la Marihuana -evento internacional que desde 1999 tiene lugar durante el mes de mayo-, y de reuniones para planificar y coordinar acciones futuras. También se consideraron procesos de siembra y cosecha de plantas, la producción de extractos con los que se elaboraban derivados para tratar distintas patologías y la devolución de estos por parte de la Justicia Federal luego de la irrupción policial en un cultivo colectivo desarrollado por Brenda y su compañero Sergio. Para ese entonces, el Movimiento Nacional Manuel Belgrano había extendido sus alcances al norte del país y había sumado en sus filas a madres de usuarios terapéuticos que demandaban no solo el acceso gratuito a los extractos, sino también la posibilidad de cultivar cannabis de manera individual y colectiva en sus respectivas provincias.

Los activismos cannábicos y antiprohibicionistas convergieron -no sin tensiones- en la lucha por el cannabis medicinal. La trama de vínculos tejida por Brenda en su movilización apasionada e incesante nos revela el cúmulo de desafíos, esperanzas y emociones implicados en el movimiento por la reforma de políticas de drogas en Argentina.

Palabras-chave:

cannabis medicinal, activismo, antiprohibicionismo

Ficha técnica:

Autora: María Cecilia Díaz

Fotografías: Ignacio Conese

dirección: María Cecilia Díaz, Ignacio Conese

Câmera: Olympus OM-1 (analógica, 35mm)

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