Edição

Sinopse:

Em outubro de 2019, rumo a um conjunto de atividades de pesquisa que incluía uma etnografia do Museu Penitenciário de Ushuaia fui visitar o Museu Argentino António Ballve, em Buenos Aires. Com destino ao Museu Penitenciário portenho chamaram atenção as plantas dos muros e as grades antes de chegar à numeração correta. Em seguida, vi a placa da Fundação Mercedes Sosa, que também queria conhecer, mas não sabia que estava no mesmo bairro.

Entrei e perguntei sobre o Museu. Estava fechado há quatro anos. Ao caminhar, aos poucos, visualizei rodo, balde, extintor e saco de lixo na conformação da paisagem que dividia os dois espaços duma mesma construção arquitetônica. Mesmo trancado ao público e após tentativa frustrada de uma conversa com dois funcionários, foi por detrás dos ferros horizontais – que davam imageticamente memória à instituição prisional e ao fechamento do museu desativado – e dos tecidos lindos com fotos de Mercedes que pude ver um pouco do Museo António Ballve.

Este ensaio pretende, deste modo, articular a vizinhança entre as duas instituições a partir de fragmentos da desativação do museu penitenciário e frestas deste como aparato estatal argentino através de artefatos que demonstram a presença humana pela rotina de funcionários ali. Inseridos num campo de cultura, os museus penitenciários são instituições-chave para refletirmos formas de processamento social frente às instituições penitenciárias e memória carcerária (AMARAL, 2016).

Ademais parte do indagar sobre o fechamento deste museu, articulado a outros espaços museológicos argentinos interrompidos, além de se dar imageticamente a partir de suas frestas, compõe um diálogo de tais temáticas com o campo de relação entre memória e turismo quando ambas perspectivadas como relações sociais e daquela como fator e efeito também deste. A fim de falar sobre turismo e cidades, James Hillman (1993) nos alerta sobre o pescoço duro como metáfora do turismo de olhar para cima e como a relação ao nível do olhar é uma parte fundamental da alma das cidades. As frestas entre os dois espaços separados por grades contemplam um “discurso tateante, as suas pausas, as suas franjas” (BRUCK, 2012, p. 197) de uma aproximação entre estes temas na composição de lugares de memória, enraizada “no concreto, no espaço, no gesto, na imagem, no objeto” (NORA, 2012, p. 9).

Sinopsis:

En octubre de 2019, hacia un conjunto de actividades de investigación que incluían una etnografía del Museo Penitenciario de Ushuaia, fui a visitar el Museo Argentino António Ballve, en Buenos Aires. Con el destino del Museo Penitenciario de Buenos Aires, los plantas de las murallas y las rejas llamaron la atención antes de llegar a la correcta numeración. Entonces vi el letrero de la Fundación Mercedes Sosa, que también quería saber, pero no sabía que estaba en el mismo barrio.

Entré y pregunté por el Museo. Había estado cerrado durante cuatro años. Mientras caminaba, visualicé gradualmente una escobilla de goma, un balde, un extintor y una bolsa de basura en la forma del paisaje que dividía los dos espacios de una misma construcción arquitectónica. A pesar de que estaba cerrado al público y luego de un intento fallido de conversación con dos funcionarios, estaba detrás de los hierros horizontales, cuyas imágenes le dieron memoria a la institución carcelaria y al clausura del museo cerrado - y las hermosas telas con fotos de Mercedes que pude ver una parte del Museo António Ballve.

Este ensayo pretende, de esta manera, articular la vecindad entre las dos instituciones a partir de fragmentos de la desactivación del museo penitenciario y grietas del mismo como aparato estatal argentino a través de artefactos que demuestran la presencia humana por la rutina de los empleados allí. Inseridos en un campo de la cultura, los museos penitenciarios son instituciones clave para reflejar formas de procesamiento social frente a las instituciones penitenciarias y la memoria carcelaria (AMARAL, 2016).

Además, parte de indagar sobre el cierre de este museo, ligado a otros espacios museísticos argentinos interrumpidos, además de tener lugar el imaginario de sus grietas, compone un diálogo de tales temas con el campo de la relación entre memoria y turismo cuando ambos son vistos como relaciones sociales. y eso como factor y efecto también de esto. Para hablar de turismo y ciudades, James Hillman (1993) nos advierte sobre la rigidez de cuello como metáfora del turismo para mirar hacia arriba y cómo la relación a nivel de la mirada es parte fundamental del alma de las ciudades. Las grietas entre los dos espacios separados por rejas contemplan un “discurso a tientas, sus pausas, sus márgenes” (BRUCK, 2012, p. 197) de una aproximación entre estos temas en la composición de los lugares de la memoria, enraizados “en lo concreto, en el espacio, en el gesto, en la imagen, en el objeto ”(NORA, 2012, p. 9).

Referências Bibliográficas:

AMARAL, Claudio do Prado. 2016. Prisões desativadas, museos e memória carcerária. Revista Brasileira de Estudos Políticos, no. 113: 289-334. https://doi.org/10.9732/P.0034-7191.2016V113P289.

BOSI, Ecléa. O tempo vivo da memória: ensaios de psicologia social. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.

BRUCK, M. S. Profa. Eclea Bosi - Memória: enraizar-se é um direito fundamental do ser humano. Dispositiva, Belo Horizonte, v. 1, n. 2, p. 196 - 199, nov. 2012. ISSN 2237-9967. Disponível em: . Acesso em: 24. set. 2020.

HILLMAN, James. Cidade e alma. Coordenação e Tradução Gustavo Barcellos e Lúcia Rosenberg. São Paulo: Studio Nobel, 1993.

NEGRETTI, Natalia. Entre mar, montanha e íris do mundo todo: uma aproximação do museu penitenciário de Ushuaia. Gesto, Imagem e Som. São Paulo, v. 5, n.1, Ago, 2020. DOI dx.doi.org/10.11606/issn.2525- 3123.gis.2020.165724.

NORA, Pierre; AUN KHOURY, Tradução: Yara. ENTRE MEMÓRIA E HISTÓRIA: A PROBLEMÁTICA DOS LUGARES. Projeto História: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, [S.l.], v. 10, out. 2012. ISSN 2176-2767. Disponível em: . Acesso em: 15 fev. 2020.

Palavras-chave:

Prisões; Memória; Museologia; Turismo; Cultura.

Palabras clave:

instituciones penitenciarias; Memoria; Museología; Turismo; Cultura.

Ficha técnica:

Autora: Natalia Negretti.

Direção, pesquisa e edição: Natalia Negretti.

Ficha técnica:

Autora: Natalia Negretti.

dirección, investigación y edición: Natalia Negretti.

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