Ora viva, ora viva

As rodas de São Gonçalo de Amarante na comunidade Lagoa de Fora, São Raimundo Nonato, Piauí

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/2526-3781.2025.264501

Palavras-chave:

comunidade Lagoa de Fora, manifestação cultural, rodas de São Gonçalo de Amarante, dança

Resumo

A comunidade Lagoa de Fora, localiza-se no município de São Raimundo Nonato, estado do Piauí, uma das áreas que abriga o Parque Nacional Serra da Capivara, povoado rico em diversidade (Paes, 2022; Ribeiro, 2023, Leal, et al, 2023; Linke et al, 2024), possuí entre outros elementos, a religiosidade, presente há muito tempo nesse território (Negreiros, 2014). As rodas de São Gonçalo de Amarante, é uma manifestação cultural, simbólica e religiosa, que em sua essência carrega tradições, não somente no povoado, mas em certos contextos brasileiros. Na comunidade, essa prática há muito tempo se consolidou, entretanto com o passar dos anos, perdeu-se espaço no bojo desse território. Dessa forma, com intuito de promover tal manifestação, convidamos os moradores locais, para no dia 19 de fevereiro de 2023, ser executada, a I Feira de Cultura de Lagoa de Fora, dessa forma, entre muitas atividades e ações realizadas nesse dia, contamos com a promoção das Rodas de São Gonçalo de Amarante, onde os moradores da comunidade participaram desse momento, seja contribuindo com os passos, seja na cantoria dos hinos ao santo das promessas, bem como no tocante dos instrumentos musicais. Nessa medida, esse ensaio em tela é fruto e produto dessa ação realizada em Lagoa de Fora. As rodas de São Gonçalo são conduzidas em detrimento as promessas feitas por devotos a essa entidade religiosa, os promesseiros, em busca de uma graça a ser alcançada, esboçam nas rodas o desejo e a concretização de sua súplica. Horas a fio, as rodas se consolidam em uma manifestação encarregada de simbolismos e crenças, os guias e contra guias, pessoas encarregadas pela condução das rodas, conduzem não somente passos, mas a fé. As cantadeiras, mulheres que de geração em geração, louvam pelos cânticos, os hinos ao São Gonçalo, entre “Ora, viva, ora viva”, se concretizam a adoração ao santo católico, tido por muitos devotos como um santo exigente. A performance se realiza no “salão”, entre cruzamentos de arcos, chapéus, e reverencias, onde dar as costas ao Amarante - rodeados de velas e flores - não é uma prática comum, e constitui com símbolo de desrespeito se praticado. Os arcos de cipó, enfeitados, cruzam e entrecruzam seres, fazem das jornadas, como são denominados os passos, momento de troca e atenção entre os dançadores. As rodas, são movidas pela fé, exalam emoção, engajamento e participação ativa. Os músicos, com os instrumentos, como zabumba, triângulos e sanfonas, harmonizam e sintonizam com as cantadeiras, na intenção de louvar e pagar com dignidade as promessas feitas pelo devoto ao santo de amarante. As rodas, são executadas, por exemplo, nas casas dos promesseiros, esses, de costumes, servem aos dançadores, comidas e bebidas, após esse momento, gesto tal, refere-se a gratidão pela promessa paga, e a satisfação pelo dever cumprido ao santo.

Biografia do Autor

Vanessa Linke , Universidade Federal do Vale do São Francisco

Doutora em Arqueologia e docente no colegiado de Arqueologia e Preservação Patrimonial (CARQUEOL) na Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf e no Programa de Pós-Graduação em Arqueologia (PPARQUE-UNIVASF).

Henrique Alcantara e Silva, Universidade Federal de Minas Gerais

Mestre em Antropologia com área de concentração em Arqueologia pelo Programa de Pós- Graduação em Antropologia (PPGAN) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Waldimir Maia Leite Neto , Universidade Federal do Vale do São Francisco

Docente no colegiado de Arqueologia e Preservação Patrimonial (Carqueol) na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

Nailton Negreiros Ribeiro, Universidade Federal do Vale do São Francisco

mestrando em Arqueologia – Programa de Pós-Graduação em Arqueologia (PPARQUE) - Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

Samara Sandra de Negreiros Paes, Universidade Federal do Vale do São Francisco

Arqueóloga e Preservadora Patrimonial - Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

Edna Paula de Negreiros Paes, Universidade Federal do Vale do São Francisco

Graduanda em Arqueologia e Preservação Patrimonial - Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

Tamires Alves de Negreiros, Pesquisadora comunitária

Pesquisadora comunitária

Referências

LINKE, Vanessa; MIRANDA, Alencar; LEITE NETO, Waldmir Maia; ALCANTARA, Henrique; RIBEIRO, Nailton; PAES, Samara; DE NEGREIROS, Tamires; DE NEGREIROS, Edna. Tecituras Colaborativas sobre seres, coisas e paisagem: uma abordagem da arqueologia do presente no povoado Lagoa de Fora . Relatório de Pesquisa (Arquivado no IPHAN). 2024

LEAL, Natacha Simei; NEGREIROS, Luiz Alex Guerra; MIRANDA, Raíssa Barberino; CAFÉ. Fernanda. Criação, água e Parentesco. Trajetórias e genealogias da família Negreiros no Povoado de Lagoa de Fora, São Raimundo Nonato- PI. Cadernos de Campo (São Paulo, online) Vol 32 n.2. USP. 2023: 1-16.

NEGREIROS, Luis Alex Guerra. 2014. O catolicismo popular na comunidade de Lagoa de Fora, Zona Rural de São Raimundo Nonato-PI (1968-2014). Monografia, História, UESPI, São Raimundo Nonato.

PAES, Samara de Negreiros. “Essa água não via pesinho”: Estruturas Materiais e Narrativas sobre coleta de água em Lagoa de Fora, São Raimundo Nonato, Piauí. Trabalho de conclusão do Curso de Arqueologia e Preservação Patrimonial da Univasf. 2022.

RIBEIRO, Nailton Negreiros. As primeiras ocupações da Família Negreiros em Lagoa de Fora, Piauí: Mapeamento, Materialidades e Narrativas. Trabalho de conclusão do Curso de Arqueologia e Preservação Patrimonial da Univasf. 2023.

Publicado

2026-02-27

Edição

Seção

Ensaios Fotográfico