Garotas adolescentes em situação de rua: rede socioafetiva e resiliência

Elizabeth Cordeiro Fernandes (Betinha), Gilliatt Hanois Falbo-Neto, Maria Gorete Lucena de Vasconcelos, Maria de Fátima de Souza Santos

Resumo


Objetivo: conhecer a rede socioafetiva de garotas adolescentes em situação de rua e sua influência na resiliência. Método: trata-se de um estudo quantitativo, descritivo, exploratório, observacional, transversal com 25 garotas adolescentes entre os 10 aos-17 anos acolhidas em um abrigo municipal. Coletaram-se dados com o Mapa dos Cinco Campos, conforme a perspectiva da Bioecologia do Desenvolvimento Humano. Utilizou-se a estatística descritiva e inferencial com 95% de confiança. Resultados: encontraram-se média de idade de 14 anos e tempo médio nas ruas de dois anos; destacaram-se os campos Abrigos, Família e Rua. Obtiveram-se mais relacionamentos satisfatórios em Abrigos, ressaltando-se os educadores no apoio à ressocialização. Mostrou-se a Rua impulsora de solidariedade para a sobrevivência, mas espaço de violência interpessoal e de delitos. Percebeu-se lacuna na atuação da Escola. Conclusão: concluiu-se que a rede socioafetiva mostrou-se disfuncional, limitando o potencial de resiliência das adolescentes. Descritores: Adolescente; Ecologia Humana; Jovens em Situação de Rua; Rede Social; Resiliência Psicológica; Violência.

Abstract

Objective: to know the social-affective network of street girls and their influence on resilience. Method: this is a quantitative, descriptive, exploratory, observational, cross-sectional study of 25 adolescent girls aged 10-17 in a municipal shelter. Data were collected with the Map of the Five Fields, according to the perspective of Human Development Bio-ecology. Descriptive and inferential statistics with 95% confidence were used. Results: the average age was 14 years and the average time on the streets was two years; stood out the fields Shelters, Family and Street. More satisfactory relationships were obtained in Shelters, emphasizing educators in supporting resocialization. The street was shown to be a driving force for solidarity for survival, but a space for interpersonal violence and crime. There was a gap in the performance of the school. Conclusion: it was concluded that the socio-affective network was dysfunctional, limiting the resilience potential of adolescent. Descriptors: Adolescent; Homeless Youth; Human Ecology; Psychological Resilience; Social Networking; Violence.

Resumen

Objetivo: conocer la red socioafectiva de las niñas de la calle y su influencia en la resiliencia. Método: este es un estudio cuantitativo, descriptivo, exploratorio, observacional, transversal de 25 adolescentes de 10-17 años en un albergue municipal. Los datos fueron recolectados con el Mapa de los Cinco Campos, de acuerdo con la perspectiva de la Bioecología del Desarrollo Humano. Se utilizaron estadísticas descriptivas e inferenciales con un 95% de confianza. Resultados: la edad promedio fue de 14 años y el tiempo promedio en la calle fue de dos años; se destacaron los campos Refugios, Familia y Calle. Se obtuvieron relaciones más satisfactorias en los Refugios, enfatizando a los educadores en el apoyo a la resocialización. Se demostró que la calle era una fuerza impulsora de la solidaridad para la supervivencia, pero un espacio para la violencia y el crimen interpersonales. Hubo una brecha en el desempeño de la Escuela. Conclusión: se concluyó que la red socioafectiva era disfuncional, limitando el potencial de resiliencia de las adolescentes. Descriptores: Adolescente; Ecología Humana; Jóvenes sin Hogar; Red Social; Resiliencia Psicológica, Violencia. 


Palavras-chave


Adolescente; Ecologia Humana; Jovens em Situação de Rua; Rede Social; Resiliência Psicológica; Violência.

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DOI: https://doi.org/10.5205/1981-8963.2019.242969



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