ESTUDO MORFODINÂMICO EM ÁREA DO SEMI-ÁRIDO DO NORDESTE BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO GEOMORFOLÓGICO EM MICRO ESCALA

Talitha Lucena de Vasconcelos Vasconcelos, Sara Fernandes de Souza, Cristiana Coutinho Duarte, Paulo Fernando Meliani, Maria do Socorrro Bezerra de Araújo, Antonio Carlos de Barros Corrêa

Resumo


O semi-árido do Nordeste do Brasil é uma área peculiar onde as altas temperaturas, os solos rasos, a vegetação hiperxerófila e a chuva mal distribuída são características marcantes. Os estudos geomorfológicos em micro-escala procuram analisar estas e outras características a partir do caráter sistêmico o que leva a um estudo de detalhe onde os processos atuantes se sobressaem no contexto. Tal estudo procurou avaliar uma área selecionada do semi-árido do Nordeste do Brasil a partir desta perspectiva e, elaborar um mapa geomorfológico de detalhe e um mapa de risco da seção onde estão sintetizados os processos superficiais predominantes na área de estudo. O recorte escolhido tem uma área de 1 hectare e está situado no município de Tacaratu-PE. Esta área foi subdividida em 100 células de 100m² com o auxílio de GPS 3D, trena e clinômetro digital, sendo os dados plotados em papel milimetrado para posterior confecção do mapa geomorfológico de detalhe. A análise do grau de estabilidade processual foi realizada em cada célula e observou quatro parâmetros estruturadores da paisagem. Para casa parâmetro analisado determinou-se macroscopicamente seu grau de equilíbrio morfodinâmico, mediante a utilização de uma escala numérica variando 0 (estabilidade máxima) a 3 (máxima instabilidade). Depois de pontuadas as células, os dados foram inseridos em planilha do Excel e posteriormente importados para o software SUFER 8 para a confecção de um mapa de isovalores. O hectare estudado se encontra em uma baixa encosta de uma colina de natureza cristalina. De acordo com o mapa de detalhe dois tipos de unidades distintas foram encontradas na área de acordo com as características geomorfológicas. Em uma unidade há a exposição da alteração do embasamento cristalino, a alterita granítica e, em outra ocorre um recobrimento coluvionar associado à erosão laminar que expõe a alteração do granito. A erosão linear e laminar ocorre nesta encosta ocasionando o aparecimento de sulcos, ravinas e voçorocas. O mapa de risco síntese demonstrou que a parte central e sul da área apresentam grau 3 na escala de equilíbrio morfodinâmico, indicando que este setor está mais sujeito à ação dos processos superficiais intensificados. O estudo em micro escala foi eficiente no que se refere ao detalhamento dos processos ocorrentes na área estudada. Os mapas elaborados representaram nitidamente os tipos e graus de impacto dos processos vigentes sobre a parcela. Estudos mais aprofundados das áreas circunvizinhas poderão dar subsídios aos planos de recuperação de partes degradadas, como também favorecer o seu uso sustentável.

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