SÁ, Alcindo José de. FARIAS Paulo Sérgio Cunha (Org.). Ética, Identidade e Território. CCS gráfica e Editora. Recife-PE. 2012.

Bruna Maria da Silva Rapozo, Bruna Maria da silva Rapozo

Resumo


O livro Ética, Identidade e Território, organizado por Alcino José de Sá e Paulo Sérgio Cunha Farias, esta dividido em dez textos que discutem a Geografia Contemporânea, o Território e seus valores éticos identitário em tempos de modernidade, onde a globalização quanto processo tecnológico diminuiu as barreiras, mas também homogeneíza os território e produz exclusões sociopolítica, culturais e territoriais. Nesta perspectiva Sá e Farias dialogam com outros autores das ciências humanas sobre assuntos referentes às identidades e éticas territoriais.

O primeiro artigo, Ética, Identidade e Território: reflexão numa perspectiva geográfica Alcino José de Sá faz uma reflexão acerca da sociedade moderna e seus valores, símbolos e signos embasado na noção de Estados/Nações que deixa as margens às singularidades do localismo. Para o autor a identidade não esta desassociada dos aspectos éticos morais, mas com o diferencial que no período moderno esses aspectos são ditados por leis normativas do Estado, onde esse sistema relacional de poder é regulado por normas e formas territoriais jurídico-políticas racionais. Nessa perspectiva o Estado Nação é um exemplo onde a ética e moral são poutadas de forma mais flexíveis devido os recortes territoriais feitos pelo Estado e mercado.

O Segundo artigo, Os territórios da ´´civilidade `` e da violência em Pernambuco - BR: O caso dos estados de exceção e de morte em espaços da cidade de Recife, Sá trabalha a questão do medo, morte e violência nos territórios interurbanos da Região Metropolitana do Recife. Para o autor a morfologia do medo, morte e violência é caracterizada pelo individualismo e auto-segregação do intraurbano expressos nos aparatos tecnológicos, condomínios fechados e seguranças privadas para afastar qualquer pessoa indesejada, sendo os pobres nesse contexto considerados bandidos em potenciais.

Ainda de acordo com o autor os números da violência e medo em Pernambuco entre 1996 a 2009 são alarmantes o que leva a população de classes sociais variadas considerarem os espaços geográficos com índices de violência crescentes como ´´terra de ninguém`` o que tem sido bem aproveitado por todos os veículos de comunicação, aliais, um grande meio comercial bem explorado através da cultura do espetáculo que se firma e se afirma por intermédio do ´´hiper-realismo`` das tragédias``(SÁ, 2012, p.81), essa indução ao medo da violência e morte torna as residências ´´ verdadeiras prisões fora dos presídios``, como bem coloca Sá impunidade e flexibilidade das leis tornou o problema da violência no Recife e no Brasil multifacetado; traduz uma mistura espacial de casa grande/senzala, condomínio fechado/favela, pontos e redes seletivas para encontros de velhas e novas tribos fragmentadas. 

No artigo intitulado a Caatinga enquanto espaço identitário: Geografia e patrimoniazação da natureza no Brasil, Caio Augusto de Amorim Marciel aborda a revalorização do bioma Caatinga como Património Natural e Cultural da Humanidade. Nesta perspectiva a Caatinga torna-se dotada de signos, símbolos e valores socioeconômico e culturais onde os elementos naturais tornam-se símbolos da identidade local e regional diferentemente de outrora quando era vista de forma negativa. O autor ressalta que ´´ a Caatinga tornada patrimônio natural e cultural de toda a humanidade ilustra o quanto a política e a identidade nacional são elementos-chaves para se compreender o conflito internacional entre valores universalistas e comunitários que marcam nosso tempo [...] (2012, p. 102).

Em Cartografando as cidades enrugadas e desestigmatizando os corpos estranhos, Keila Queiroz e Silva faz uma analise dos territórios delinquentes e rugosos de bairros populares das cidades de João Pessoa e Campina Grande no estado da Paraíba, buscando assim dar visibilidades as identidades das avós cuidados que tem a aposentadoria como única fonte de renda da família marginalizadas e visibilizadas pela classe media local.

Em sua reflexão a autora destaca a sua experiência pessoa de filha de classe medeia, e seu contato com as comunidades outrora vistas como territórios da violência, sujeira, feiura, pobreza e vagabundagem, além de seus impactos simbólicos, relacionados às questões da higiene, da estética ambiental e feminina, das relações familiares, inter- geracionais e de gênero.  Em sua trajetória cartográfica pelos bairros e cidades enrugadas constata que ´´os corpos pobres são desmascarares da maquiagem urbanística produzida pela razão instrumental burguesa e produzida pelos discursos midiáticos (p. 157).

Em Território do prazer: propaganda, moda e sensibilidade no Recife (PE) dos anos 20 (século XX), Iranilson Buriti faz uma reflexão teórico- metodológica da história cultural e da moda e sua relação com as identidades territorialidade no Recife do séc. XX. Nesse contexto histórico cultural a o consumo de mercadorias importadas estava impregnado de fetiches, valores, status e identidade, nesse senário as melindrosas e almofadinhas tornam-se as novas referencias indenitárias das ruas dos Recife.

Para Buriti as ruas têm documentalidade e memoria em suas placas, praças, e lojas, sendo estes espaços patrimônios históricos culturais de transmissão de saberes e de construção de identidade local, regional e nacional. Ele considera as ruas territórios dos prazeres proibidos, das dores, dos lazeres permitidos, das dores, dos gritos e do silêncio das madrugadas mortas, gélidas, monótonas ou talvez calientes (p. 164). Buriti ainda ressalta o papel da mídia revistas e jornais que promovia e ditava os padrões estéticos, éticos e políticos, juntamente com o capitalismo que se aproveitando da mística do progresso cria novos padrões de beleza, cheiros, roupas e status, sendo estes um ´´estilo de vida``.

Em uma reflexão antropológica Elizabeth Christina de Andrade Lima em seu texto Pedra D`Água: um território quilombola? Negociando identidades, tenta compreender uma comunidade negra de Pedra D`Água - Ingá-PB, onde os habitantes têm uma grande resistência em se auto- afirmarem como remanescentes de quilombo com descendência de escravos fugidos. Segundo a autora não há uma construção da identidade pautada em lutas comuns, a identidade do grupo é construída conforme relatos orais a partir de um pertencimento étnico, com laços de parente em comum e pela ocupação do território por eles habitados.

 No ensaio o uso das identidades ecológicas e territoriais como diferenciação marginal das confecções produzidas com algodão colorido na Paraíba, Paulo Sérgio Cunha Farias faz uma analise das identidades ecológicas e territoriais do estado da Paraíba onde as especificidades locais estão sendo apropriadas pela indústria da moda e vestuário dando assim homogeneidade as roupas que são fabricadas com a fibra do algodão colorido. As roupas fabricadas com o algodão colorido são inseridas no mercado interno e externo que incorpora elementos simbólicos e singulares da cultura local. O autor destaca que a indústria da moda tem buscado o exótico e simbólicos culturais de uma região, assim como os recursos que são transformados em mercadorias pelo capitalismo para assim atrair os agentes econômicos para uma região os em mercadorias transformação do simbológico e identitário regional e natural em mercadorias exóticas apropriadas pelo capitalismo para a atração dos agentes econômicos e maximização dos lucros.

Gleydson Pinheiro Abano, em seu artigo Território da globalização da agricultura no RN, analisa a territorialidade da agricultura globalizada de algumas multinacionalidades localizadas nos municípios de Ipanguaçu e Baraúna no Rio Grande do Norte, municípios estes que sofreram e sofrem grandes impactos fundiários causados pela expansão e apropriação da agricultura global. O autor destaca que a globalização da agricultura e expansão do território transformou os locais, mudou a posse de terras e alterou o mercado e as relações de trabalho.  

Rosalvo Nobre Carneiro e José Erimar dos Santos no ensaio, Ética e identidade territorial na Feira da Pedra de São Bento- PB trabalham a relação existente entre ética, identidade e território e o sentimento de pertencimentos dos indivíduos e grupos que frequentam e trabalham na feira da Pedra de são Bento-PB. Segundo os autores o território da feira surge a partir da identidade e princípios éticos morais construídos entre os sujeitos feirantes e fregueses que constitui a feira como um território socioeconômico, politico e cultural.

Fernando de Lourdes Almeida Leal em seu texto Escola do campo no campo: espaço de construção de identidades ressalta que a existência de escola no espaço rural é uma condição para construção da identidade dos moradores do campo. Para o autor a escola na zona rural é um elo forte de ligação entre as propostas pedagógicas e o modo de vida camponês.

 

Ao longo do Livro, Ética, Identidade e Território, os autores refletiram de forma multidisciplinar as questões referentes ao território e suas singularidades, éticas, indenitárias, assim como buscaram identificar e analisar as diferenciações e valoração territorial através das especificidades seja ela local regional, nacional e ou global. 


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