Estudo da paisagem literária da Juiz de Fora (MG) do início do século XX: a Idade do Serrote, de Murilo Mendes
DOI:
https://doi.org/10.51359/2238-6211.2021.248520Palavras-chave:
paisagem literária, A Idade do Serrote, Juiz de Fora (MG)Resumo
O artigo analisa os principais elementos formadores da paisagem literária de Juiz Fora, respaldando-se na obra memorialística A Idade do Serrote, de Murilo Mendes (1968). A partir da leitura sistemática da obra, foram selecionadas as passagens que remetem aos lugares e paisagens recorrentes, a saber: Rio Paraibuna, Avenida Barão do Rio Branco e Rua Halfeld. Ao final, percebe-se como o poeta mescla diversos tempo-espaços do imaginário ocidental na mineiridade juiz-forana: a avenida traz o aprendizado dialógico peripatético greco-antigo, já as ruas convidam a uma flânerie e ao footing da modernidade europeia, enquanto o rio transborda uma sexualidade escravocrata e colonial brasileira.
Referências
AB’SÁBER, A. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Pau-lo: Ateliê Editorial, 2003, p. 9-26.
ANTUNES, A. M.; FIORESE, F. A idade do serrote, de Murilo Mendes: a escrita da memória como rizoma textual. Revista Eletrônica Principia, 15, pp.93-98. 2011.
BACHELARD, G. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fonte, 1988 [1957].
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Ed. WMF Martins Fontes, 2011 [1979].
BAKHTIN, M. Questões de literatura e estética: a teoria do romance. São Paulo: Hucitec, 2014.
BERQUE, A. Paisagem-Marca, Paisagem-Matriz: elementos da problemática para uma geo-grafia cultural. In: CORRÊA, R. L.; ROSENDAHL, Z. (orgs.). Paisagem, Tempo e Cultura. Rio de Janeiro: EDUERJ, 1998.
BESSE, J-M. O gosto do mundo: exercícios de paisagem. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2014.
BESSE, J.-M. Entre a geografia e a ética: a paisagem e a questão do bem-estar. Trad. Eliane Kuvasney e Mônica Balestrin Nunes. GEOUSP – Espaço e Tempo. São Paulo, v.18 n.2 p.241-252, 2014.
CALLAI, H. C. Estudar o lugar para compreender o mundo. In: CASTROGIOVANNI, A. C. (Org.). Ensino de Geografia. Práticas e Textualizações no Cotidiano. Porto Alegre: Editora Mediação, 2000. p. 83- 131.
CARDOSO, M. R. Prefácio. In: MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Record, 2003.
CHEVALIER, J.; GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos: (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). Coordenação de Carlos Sussekind. Tradução de Ve-ra da Costa e Silva, et al. - 32ª. ed. - Rio de Janeiro: José Olímpio, 2019.
COLLOT, M. Rumo a uma geografia literária. Tradução de Ida Alves. Gragoatá Niterói, n. 33, p. 17-31, 2. sem. 2012.
COLLOT, M.., A. I., de M., M.J. and da SILVA, M.L.B., Poética e filosofia da paisagem. 2014
COSGROVE, D. A geografia está em toda parte: cultura e simbolismo nas paisagens huma-nas. In: ROSENDAHL, Z.; CORRÊA, R. L. (Org.). Paisagem, tempo e cultura. Rio de Ja-neiro: EDUERJ, 1998. p. 92-122.
DAMATTA, R. A casa e a rua. Rio de janeiro: Rocco. 1997.
DA SILVEIRA, L. R.; BATISTA, M. A Idade do Serrote, de Murilo Mendes, uma narrativa autobiográfica. Verbo de Minas, 15(26), pp.58-73.2014.
ECO, U. Seis passeios pelos bosques da ficção. Companhia das Letras, 1994.
FRÉMONT, A.; GONÇALVES, A.; MENDES, A. G. A região, espaço vivido. 1980.
GONÇALVES, E. S. Nuances e Dimensões da Paisagem na Produção do Conhecimento Ge-ográfico. In: XVI Encuentro de Geógrafos de América Latina, 2017, La Paz. XVI Encuen-tro de Geógrafos de América Latina. La Paz: Instituto de Investigaciones Geográficas - iigeo, 2017. v. 1.
KAHN, M. Freud básico: pensamentos psicanalíticos para o século XXI. Rio de Janeiro: BestBolso, 2015.
LEITE, A. F. O Lugar: Duas Acepções Geográficas. Anuário do Instituto de Geociências –UFRJ, 21, p. 9-20,1998.
LIMA, Solange Terezinha de. Geografia e Literatura: alguns pontos sobre a percepção da paisagem. Geosul, Florianópolis, v.15, n. 30, p. 7-33, jul/dez. 2000.
MARANDOLA JR, E.; GRATÃO, L. H. B. Geografia e Literatura: ensaios sobre geografi-cidade, poética e imaginação. Eduel. 2019
MARANDOLA JR, E. Geograficidade e espacialidade na literatura. Geografia, 34(3), pp.487-508.2009.
MELO. V. M. Paisagem e simbolismo. In Paisagem, imaginário e espaço. Organizadores, Zeny Eosendahl, Roberto Lobato Corrêa. Rio de Janeiro: Ed. UERJ, 2001.
MENDES, M. A idade do serrote. Editora Companhia das Letras, 2018.
MOREIRA, R. Da Região à Rede e ao Lugar (A nova realidade e o novo olhar sobre o mun-do). Revista Ciência Geográfica, AGB-Bauru/São Paulo, v. III, n.6, p. 01-11, 1997.
PIATTI, B.; BÄR, H. R..; REUSCHEL, A.-K.; HURNI, L.; CARTWRIGHT, W. Mapping literature: towards a geography of fiction. In:
CARTWRIGHT, W.; GARTNER, G.; LEHN, A., orgs. Cartography and art. Berlin: Spring-er, 2009, p.177-192
OLIVEIRA, G. R. de. Memória e Identidade em a Idade do Serrote, de Murilo Mendes. Dissertação de Mestrado. Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. 2006.
PUNTEL, G. A. A paisagem no Ensino da Geografia. Ágora (UNISC. Online), v. 13, p. 283-298, 2007.
RELPH, E. C. As bases fenomenológicas da Geografia. Geografia, 4(7), pp.1-25, 1979.
ROCHA, J. C. Diálogo entre as categorias da Geografia: espaço-território-paisagem. Cami-nhos de Geografia, v. 9, n. 27 set/2008 p. 128 – 142.
SACRAMENTO, O. A. do. A memória solidária: uma leitura da A idade do serrote de Murilo Mendes. Em Tese, Belo Horizonte, v. 4, p. 85-92, dez. 1999. Disponível em: Acesso em: 14 fev. 2011.
SANSOLO, D. G. Significados da paisagem como categoria de análise geográfica. Nite-rói: ANPEGE, s.n.t. 2007.
SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Edusp. 2002 p. 384
SANTOS, M. Metamorfoses do Espaço Habitado: Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Geografia. 6. ed. 2. Reimp. São Paulo: - Editora da Universidade de São Paulo, 2014 [1988].
SOUZA, M. L. de. Os conceitos fundamentais da pesquisa sócio-espacial. 2013.
TEIXEIRA, E. R. O poeta Murilo Mendes na revelação autobiográfica de a idade do ser-rote (Dissertação de Mestrado). 2005.
TUAN, Y-Fu. Espaço e lugar. São Paulo. Difel, 1983.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2021 Guilherme Augusto Pereira Malta, Humberto Fois-Braga

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantêm os direitos autorais e concedem à REVISTA DE GEOGRAFIA da Universidade Federal de Pernambuco o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. CC BY -
. Esta licença permite que os reutilizadores distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do material em qualquer meio ou formato, desde que a atribuição seja dada ao criador. A licença permite o uso comercial.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.
d) Os conteúdos da REVISTA DE GEOGRAFIA estão licenciados com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. CC BY -
. Esta licença permite que os reutilizadores distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do material em qualquer meio ou formato, desde que a atribuição seja dada ao criador. A licença permite o uso comercial.
No caso de material com direitos autorais a ser reproduzido no manuscrito, a atribuição integral deve ser informada no texto; um documento comprobatório de autorização deve ser enviado para a Comissão Editorial como documento suplementar. É da responsabilidade dos autores, não da REVISTA DE GEOGRAFIA ou dos editores ou revisores, informar, no artigo, a autoria de textos, dados, figuras, imagens e/ou mapas publicados anteriormente em outro lugar.