Saúde como contradição: concentração de serviços e desigualdade territorial na pandemia de Covid-19 na região de Santa Inês, Maranhão
DOI:
https://doi.org/10.51359/2238-6211.2026.268529Palabras clave:
serviços de saúde, economia política do território, COVID-19, Região Geográfica Imediata de Santa InêsResumen
Este estudo analisa a espacialização desigual dos serviços de saúde na Região Geográfica Imediata de Santa Inês, à luz da economia política do território. O recorte temporal contempla um ano de pandemia, a partir do primeiro caso registrado no Maranhão em 20 de março de 2020. A pesquisa baseia-se em dados secundários provenientes, sobretudo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, do Ministério da Saúde (DataSUS) e da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão. Apresenta dados socioeconômicos, para compreender a conjuntura regional nesse campo, e dados de saúde em contraste com o cenário estadual, a fim de identificar densidades e rarefações desses recursos. Posteriormente, realiza uma análise qualitativa fundamentada nos conceitos discutidos ao longo do trabalho. Os resultados evidenciam a concentração de equipamentos e serviços médico-hospitalares em centros urbanos de maior densidade técnica – como Santa Inês, em relação à região, e São Luís, em relação ao estado –, enquanto as áreas rarefeitas permanecem marcadas pela carência estrutural e pela dependência funcional. Essa seletividade territorial condiciona fluxos intermunicipais para atendimento em saúde, contribuindo para a sobrecarga do sistema e a ampliação do risco de contágio. A lógica de organização territorial da saúde, orientada por critérios econômicos, aprofunda a contradição entre a saúde como direito universal e sua apropriação como mercadoria, intensificando as desigualdades socioespaciais. Conclui-se que a pandemia não foi a causa da funcionalidade desigual do território maranhense, mas sim um fator que a revelou e intensificou, evidenciando a urgência de políticas públicas capazes de promover justiça territorial na saúde.
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