DESEJO, FANTASIA E SUBJETIVIDADE DOCENTE: APROXIMAÇÕES COM O CURRÍCULO

Priscylla Karollyne omes Dias, Gustavo Gilson Sousa de Oliveira

Resumo


Introdução: As subjetividades contribuem para a abertura de sentidos sobre currículo, escola e profissão docente, elegendo outras maneiras de pensar, fazer e disputar a educação escolar e o lugar da escola e do/a professor/a na sociedade contemporânea. O currículo não somente diz o que ensinar e a quem ensinar, mas também elege experiências enquanto legítimas em detrimento de outras possíveis quanto a constituição de realidades escolares permeadas por diferentes culturas e identidades. É neste sentido que o currículo é uma prática discursiva e cultural (LOPES e MACEDO, 2011). Entre (des)encontros, (des)acordos, consensos e disputas, cada professor/a apresenta vontades, expectativas e desejos que movimentam a teoria-prática em sala de aula e na escola, articulando decisões que permeiam a subjetividade docente através do currículo. Nesse sentido, o principal objetivo desta pesquisa é investigar a relação da subjetividade docente com as fantasias e os desejos de currículo da/na escola pública estatal. Como objetivos específicos, estão: descrever quais são os desejos de professoras/es dos anos iniciais do Ensino Fundamental em Pernambuco sobre currículo; observar como as fantasias de profissão professor/a emergem e são deslocadas pelos desejos; sistematizar uma compreensão de subjetividade docente em relação ao lugar da profissão na contemporaneidade; elencar possibilidades e desafios para inserir o tema da subjetividade docente na disputa política sobre/com a escola e a educação escolar. Se, conforme argumentam Oliveira et al (2013), as lógicas fantasmáticas rodeiam o sujeito na busca de atuais/novos pontos de identificação de modo a produzir novas identidades (lógicas políticas) e/ou fortalecer os discursos vigentes no social (lógicas sociais), os desejos dos sujeitos, enquanto sentido de falta nas relações sociais, podem assumir outras formas de compreender a emergência das condições que sustentam e deslocam o currículo e a subjetividade docente na organização e no funcionamento da escola. Os desejos de professoras e de professores que estão no cotidiano da escola, e atuando constantemente a partir de significantes como “bons resultados”, “qualidade da educação” e “base nacional comum”, permitem considerar as implicações das subjetividades na produção de sentidos sobre currículo e docência.

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Referências


GLYNOS, J. The grip of ideology: a Lacanian approach to the theory of ideology. Journal of Political Ideologies, v. 6, n. 2, 2001, p.191-214. Disponível em: Acesso em 20 abr 2018. LACLAU, E.; MOUFFE, C. Hegemonia e estratégia socialista: por uma política democrática e radical. - Tradução: Joanildo A. Burity, Josias de Paula Jr. e Aécio Amaral. São Paulo: Editora Intermeios; Brasília: CNPQ, 2015. - (Coleção Contrassensos). LOPES, A. C.; MACEDO, E. Teorias de Currículo. São Paulo: Editora Cortez, 2011. OLIVEIRA, G. G.; OLIVEIRA, A. L.; MESQUITA, R. G. de. A teoria do discurso de Laclau e Mouffe e a Pesquisa em Educação. Revista Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 38, n. 4, out-dez.-2013, p.1327-1349. Disponível em: Acesso em 12 dez 2017.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)