EDUCAÇÃO EM COMUNIDADE DE TERREIRO: A EXPERIÊNCIA AFROCÊNTRICA DO MEMORIAL XAMBÁ

Emerson Raimundo do Nascimento, Maria da Conceição dos Reis, Delma Josefa da Silva

Resumo


Introdução: O trabalho que se apresenta é parte da pesquisa de mestrado que tem por objetivo geral analisar a contribuição do Museu Afro de Pernambuco da Nação Xambá, enquanto guardião de afro-saberes educacionais para a construção de uma equidade social em Olinda. A tradição Xambá, juntamente com outras religiões de ascendência africana, expressa a complexidade e a diversidade que foi a diáspora atlântica no Brasil. A pesquisa toma por referencial teórico as afrocentricidades apoiando-se em Oliveira (2003), Luz (2000), Nascimento (2009), Guerra (2013), Alves (2007) e Costa (2009) esta última produzida sobre a trajetória histórica da Nação Xambá. Trabalhar a história de uma Nação de origem afro tendo por objeto a memória, implica numa compreensão do tempo sagrado para essas comunidades. O tempo sagrado para as comunidades de terreiros não é cumulativo, é cíclico. A cada ritual a cada festa pública, se constrói um novo mundo, onde se dará o processo circular de nascer, crescer, desenvolver-se, frutificar, envelhecer, deteriorar-se, morrer e nascer para um novo ciclo sem fim e, portanto, eterno. Nas palavras de Oliveira (2003, p. 15): “O tempo dos ancestrais é o tempo passado e o tempo do agora.” Este é, portanto, um dos elementos estruturantes das sociedades africanas junto com a força vital, a palavra, a ancestralidade e as religiões, dentre outros; e o marco legal instituído em 2003 reconhecendo o legado histórico de africanos e afro-brasileiros, com a alteração da Lei 9394/96 instituindo a Lei 10.639/03 que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana no currículo escolar. É princípio da Educação Nacional, “pluralismo de ideias de concepções pedagógicas.” Nas Diretrizes Curriculares para Implementação da Educação das Relações Étnico-Raciais está instituído o princípio de ações educativas de combate ao racismo e a discriminações, dentre outras orientações este princípio orienta para o “papel dos anciões e dos griots como guardiões da memória histórica e a história da ancestralidade e da religiosidade africanas.” (BRASIL, 2004, pág. 21-22.). Esse referencial legal no campo educacional embasa a proposição da nossa pesquisa.

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Referências


BRASIL, Ministério da Educação. Resolução Nº 1.Câmara da Educação Básica-CNE. Lei 10.639/03. Brasília, 2004.

COSTA, Valéria Gomes. É do Dendê: história e memórias urbanas da Nação Xambá no Recife. 1950-1992. Ed. Annablume. São Paulo, 2009.

FAZENDA, IVANI. (org.) Metodologia da Pesquisa Educacional. Ed. Cortez. São Paulo. 2010.

GUERRA, Lúcia Helena Barbosa. Xangô Rezando baixo, Xambá Tocando Alto: a reprodução da tradição religiosa através da música. Ed. UFPE. Recife. 2013.

LUZ, Marco Aurélio. Agadá: dinâmica da civilização africano brasileiro. Ed.UFBA. Salvador. 2000.

OLIVEIRA, Eduardo Davi. Cosmovisão Africana no Brasil: elementos para uma filosofia afrodescendente. Ed. Ibeca. Fortaleza, 2003.

NASCIMENTO, Elisa Larkin (org.). Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. Selo Negro. São Paulo, 2009.

SOUZA, Edílson Ferandes de (org.). História e Memória da Educação em Pernambuco. Ed. Universitária da UFPE. Recife. 2009.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)