ESPAÇOS IMAGINÁRIOS E EDUCAÇÃO:A HETEROTOPIA NA BIBLIOTECA ESCOLAR

Wanderson Cruz dos Santos, Janayna Silva Cavalcante de Lima

Resumo


Introdução: Foucault (2013) define heterotopia através da junção do radical Hetero “outro” com topia “lugar”, um lugar outro, ou seja, lugares utópicos em momentos ucrônicos, absolutamente diferentes e que se opõem aos espaços dados e presenciam a falha do dispositivo disciplinar. Veiga-Neto (2007) diz que as heterotopias aparecem como que deslocadas e desencaixadas em relação aos demais lugares que habitamos (p.257). Elas têm formas variadas, opondo-se a todos os outros lugares. As bibliotecas, segundo Foucault (2013, p. 25) são heterotopias de tempo, com a ideia de tudo acumular e, em certo sentido, parar o tempo, reunindo todos eles em um só espaço. Leitura, experiência e heterotopia se relacionam intrinsecamente, pois, conforme Larrosa (2011) tomamos a palavra experiência como aquilo que tem lugar nosujeito,numa abertura à transformação. Assim, Larrosa concorda com Foucault, pois o lugar da experiência heterotópica é o sujeito aberto à sua própria transformação. Os estudos curriculares se desdobram em vários campos temáticos, já o espaço, nessa perspectiva, segue sendo uma categoria pouco explorada a partir da noção de heterotopia. O interesse pelo tema começou com escolha da primeira disciplina eletiva de Educação literária, depois com experiência do PIBIC com o tema Diferença cultural na novela gráfica análise do acervo do PNBE PIBIC/UFPE/CNPq/2015/2016, e ganhou força na minha atual experiência como mediador de Português pelo Programa Novo Mais Educação-MEC na biblioteca da ETI Josefa Batista da Silva, em Jaboatão dos Guararapes. Nesse contexto, levantamos a seguinte questão: como o conceito de heterotopia nos permite ler a biblioteca escolar de a partir da noção de experiência proposta por Larrosa?Ao longo das práticas como professor mediador de leitura, percebi que no ato da leitura escolarizada, as regras disciplinares produzem vertigens nos sujeitos. Assim, o objetivo central foi perceber os movimentos de ruptura da disciplina na biblioteca. Partimos de nossa própria experiência para produzir uma narrativa sobre heterotopia no cotidiano escolar. Observamos que o corpo que emerge dessas práticas sistemáticas é em si mesmo uma experiência heterotópica, dada nos deslocamentos de um jogo de subjetivação e dessubjetivação, tendo como principal objeto de estudo esses contraespaços que emergiram dos corpos indisciplinados.

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Referências


CARVALHO, Alexandre Filordi de. Foucault e as infâncias incendiárias: Experiências de outras verdades e de outras heterotopias. Childhood e Philosophy. Rio de Janeiro, v.12, n.23, jan.-abr. 2016, p. 65-86

LARROSA, Jorge. Experiência e alteridade em educação. Revista Reflexão e Ação. Santa Cruz dos Sul, v.19, n2, jul/dez. 2011.

FOUCAULT, Michel. O corpo utópico, as heterotopias. São Paulo: n-1 Edições, 2013.

VEIGA-NETO, Alfredo. As duas faces da moeda: heterotopias e emplazamientos curriculares. Educação em Revista. Belo Horizonte, v.45, jun.2007, p.249-264.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)