EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E INCLUSÃO: UMA ANÁLISE DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO COTIDIANO DE UMA ESCOLA MUNICIPAL DO RECIFE

Edilma Pereira dos Santos, Patrícia Fátima Costa, Fernanda da Costa G. Carvalho

Resumo


O objetivo da nossa pesquisa de Trabalho de Conclusão de Curso, ainda em andamento, é investigar se as práticas pedagógicas vivenciadas pelos professores da Educação de Jovens, Adultos e Idosos em sala de Inclusão, influenciam a formação dos educandos. A pesquisa foi idealizada a partir de experiências presenciadas nas disciplinas de práticas pedagógicas realizadas ao decorrer do curso de Licenciatura em Pedagogia. À medida que as PPP(s) eram realizadas constatavamos que a modalidade da EJA, vinha passando por transformações acerca do público alvo no qual a mesma atendia no início dos anos 90. O fato é que foi evidenciado um aumento no quantitativo de alunos com necessidades especiais nas salas de aula da EJAI. Esta constatação resultou em algumas inquietações a propósito da trajetória escolar desses alunos. Sabendo que a EJAI, já tem o desafio de atender à um público oriundo de contextos pobres, violentos, estressantes, assombrados pela disputa e pela sobrevivência no mercado de trabalho. Muitas vezes, a clientela da EJAI experimenta, ao longo da vida, as privações relacionadas ao direito de educação pública de qualidade. Várias pesquisas indicam que a escola pública tem falhado em sua tarefa básica de alfabetizar e educar as camadas populares e ao que tudo indica, continua a falhar com seus alunos com necessidades especiais. Segundo Bourdieu (1966) “a escola é dotada de uma função tradicional de transmitir cultura em geral de geração a geração” (p.197). Contudo, desempenham uma função social mais profunda e obscura. O autor ainda destaca que as escolas: “contribuem para a reprodução da estrutura de classes sociais, reforçando a divisão cultural e de status quo entre as classes” (p.197). A Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) é ofertada pela Secretaria de Educação, à jovens a partir dos 15 anos. São Candidatos as turmas dessa modalidade de ensino aqueles que, por algum motivo, não conseguiram terminar seus estudos no período regular. Contudo observamos que os desafios são cada vez maiores, principalmente, quando se refere à inclusão social e o desenvolvimento intelectual desse público alvo. Para isso a Lei de Diretrizes Bases da Educação, Lei nº 9394 de 1996 estabelece garantias de continuidade e acesso aos estudos desses jovens. Isso lhes garante possibilidade de inclusão uma vez que os mesmos lidam, no seu dia a dia, com vários desafios, principalmente, no quesito de exclusão social por não terem concluído seus estudos em tempo hábil, tornam-se jovens, adultos e idosos desempregados. Nossas principais referências são: Guelbert, (2002) e Skliar (1997). Tais autores possibilitaram um aperfeiçoamento nas ações hoje vivenciadas no cotidiano de trabalho da EJAI. Destacamos que a pesquisa está em andamento. Todavia, optamos pela pesquisa qualitativa, uma vez que ela poderá nos possibilitar uma compreensão ainda maior a respeito das principais dificuldades dos alunos da EJAI, com necessidades especiais, ao retornarem à escola. O nosso objetivo é investigar se as práticas pedagógicas por eles vivenciadas, em sala de aula e no espaço escolar, impactuam na formação dos mesmos. Para tanto realizaremos uma coleta de dados com duração de seis (6) meses que será dividida em quatro momentos: primeiramente sistematizaremos a produção acadêmica mais recente acerca do nosso objeto de estudo. Em um segundo momento realizaremos uma análise das Políticas, Planos e Projetos de Formação de Professores desencadeados desde 2013 até 2016 pela Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, GRE - PE, junto aos professores da EJAI – na região Metropolitana do Recife. Verificaremos, ainda, na escola, junto aos professores, os planos de aula, projetos pedagógicos, programas, currículo, diretrizes, índices de evasão, reprovação e transferências dos alunos matriculados na EJAI entre 2018 e 2019. Pretendemos identificar a finalidade destes documentos e ainda, se tais investidas, estão articuladas com a prática de sala de aula na EJAI. Por fim, tem-se como objetivo observar, até que ponto, as metodologias inovadoras, dialógicas, democráticas, contribuem com a formação desses discentes com necessidades especiais matriculados nas salas da EJAI. Gostaríamos de destacar que a educação inclusiva é uma conquista da sociedade e da escola, no entanto, ela poderá ser fortalecida a partir de práticas pedagógicas de qualidade e democráticas.


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Referências


GUELBERT, Mirian Célia Castellain. Inclusão: uma realidade em discussão. 2ª Edição Rev. Curitiba: Ibpex, 2002.

SKLIAR, Carlos. Org. Educação & Exclusão: Abordagem sócio-antropológicas em Educação Especial. Porto Alegre – Mediação, 1997

BOURDIEU,Pierre,e Jean-Claude Passeron. La reproduction. Paris: Editions de Minuit,1971.

BRASIL Lei n. 9394, de 24/12 /1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei de Diretrizes e Bases da Educaçãso Nacional.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)