SOBRE A DIDÁTICA EM DISPUTA: PERSPECTIVAS E DESAFIOS ATUAIS NO CAMPO DA EDUCAÇÃO

Robson Guedes da Silva

Resumo


A didática como um campo de conhecimento da educação, além de possuir relações interativas com outros campos de saber como a sociologia, a filosofia, a antropologia, etc.  Não se fixa a uma concepção unitária que a capture e a estabeleça como isso ou aquilo, mostrando-se desde seu surgimento e consolidação como um campo teórico que empreende problematizações sobre o fazer pedagógico, sempre aberto a variadas significações, através de permanentes articulações teórico-práticas sobre o pensar a pedagogia. É lançando um olhar sobre a história da didática e as tendências pedagógicas que a vão compor, que poderemos evidencia-la como um campo de disputas políticas onde grupos vão advogar hegemonia visando consolidar um projeto específico de educação no país. Neste sentido, Candau (2012) nos aponta que, desde dos anos de 1960 a didática buscou estabelecer críticas a uma tendência pedagógica tradicional, denotando como era necessário ao analisar a prática pedagógica, compreender a multidimensionalidade do processo ensino-aprendizagem, ou seja, pensar a didática a partir das suas dimensões técnicas, humanas e políticas. Outras tendências pedagógicas se constituíram de aspectos liberais e tecnicistas, concebendo a sala de aula como espaço que deve sempre fomentar conteúdos e resultados, não se preocupando com os desafios do cotidiano escolar e as práticas pedagógicas que se efetivam nele. No lócus dessas disputas, diversas tendências de cunho progressistas se consolidaram, Libâneo (1994) nos aponta como exemplos, a pedagogia libertadora, a pedagogia libertária e a pedagógica socio-crítica dos conteúdos, que buscaram pensar a prática didática por um viés democrático, percebendo que no ambiente escolar é na relação professor-aluno que os saberes se articulam e que nenhuma prática pedagógica é neutra ideologicamente, pelo contrário, tais tendências conceberam a educação como uma prática comprometida com o social. Na atualidade, o Brasil desde 2015 vivencia ferrenhas disputas político-ideológicas, grupos de extrema-direita após intensa polarização nacional, conseguiram assumir o governo federal, empreendendo desde o período eleitoral ferrenha perseguição à saberes da educação comprometidos com o viés democrático, acusando os professores de doutrinação ideológica, bem como, advogando uma fictícia neutralidade pedagógica que, na verdade assume um caráter conservador e neoliberal. É partindo desses pressupostos que este trabalho busca através de uma reflexão bibliográfica com autores do campo da didática, pensar os desafios que emergem no campo da educação nos dias atuais, compreendendo a reflexão teórica como importante ferramenta de articulação político-pedagógica, possibilitando novas narrativas sobre o campo da educação.  

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Referências


CANDAU, V. M. (org.). A didática em questão. 36. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

VEIGA, I. P. A Didática: o ensino e suas relações. 12. ed. Campinas, SP: Papirus. 2007.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2007.

SILVA, R. Quando as anormais vão para a escola: identidades precárias, subjetivação e exclusão escolar. Revista Aspas, v. 8, n. 1, p. 200-209, 6 ago. 2018.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)