TEMATIZANDO O RACISMO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA: PROBLEMATIZANDO O FUTEBOL

Bruno Henrique Góes Oliveira, José Leonardo Ramos da Silva, Pedro André da Silva Lins, Isabella Talita Gonçalves de Lima

Resumo


Mesmo existindo discussões e lutas contra racismo, esse fenômeno ainda é presente em nossa sociedade. Assim, podemos observar fatores políticos, históricos e sociais que estão diretamente relacionados ao desenvolvimento da cultura negra. Segundo Gomes (2010) esses fatores são importantes para construção da identidade negra, mostrando também que esses aspectos se dão por meio do contexto individual e social. Na esfera educacional, a lei promulgada em 2003, de número 10.639 que tem por finalidade a inclusão da história e da cultura afro-brasileira e africana nos currículos do ensino fundamental e médio, sendo, uma grande medida da ação política do movimento negro, e a Educação Física na escola deve cumprir o objetivo de tematizar o esporte numa perspectiva crítica para os cidadãos, e o Futebol se enquadra dentro do pilar esportivo conforme afirma o Coletivo de Autores (2012). Além disso, Racismo está presente na sociedade e no Futebol e a Educação Física deve confrontar esse elemento para uma formação crítica-social dos brasileiros, perspectivando uma Educação Antirracista.  Nessas perspectivas Concepção os autores Santos, Capraro e Lise (2010) trazem uma vertente dialogada pelo autor Gilberto Freyre que sustentava um pensamento utópico, onde a democracia racial era evidente no brasil pelo simples motivo de sermos um país diversificado. Entretanto, a disseminação desse pensamento utópico faz com que acreditemos que o Brasil não apresenta conflitos étnicos-raciais na sociedade, quando na verdade vestígios do racismo ainda estão enraizados na mesma. Desta forma, mesmo após inúmeras lutas podemos observar o racismo em diversos âmbitos, um deles é o Futebol. Onde já foram registrados vários casos de discriminação para com os jogadores negros. Em um estudo Cornelsen (2013), pode ser visto o quão forte foi sofrimento do goleiro Barbosa após a copa do mundo no Brasil de 1950 e perdurando por toda a sua vida, devido a esse estigma. Podemos citar também em 2005, na Copa Toyota Libertadores da América outro caso de preconceito racial foi relatado pelo jogador pernambucano Edinaldo Batista Libânio, mais conhecido como Grafite, onde a grande problemática são os brasileiros que não acreditam ser racistas, porém o racismo em nosso país e estrutural. Outros acontecimentos como os dos atletas Samuel Eto'o e Balotelli, que atuam em grandes times Europeus e foram agredidos verbalmente por torcidas adversárias, não foram problematizados da forma correta pelos meios midiáticos. Casos mais recentes de racismo foram observados no ano de 2014, que vale ressaltar, foi o ano em que transcorreu a Copa do Mundo de Futebol no Brasil. Tendo dois brasileiros como protagonistas o goleiro Mário Lúcio Duarte Costa, também conhecido como “Aranha”, foi chamado de macaco por torcedores do Grêmio futebol Clube, e foi dado como justificativa das ofensas pela torcida do grêmio que o termo “macaco”, é derivado da “macacada”, historicamente autorizado pelo Internacional Futebol Clube, time rival do Grêmio em Porto Alegre/RS, onde se problematizou a legitimidade do que foi dito pela torcida. No mesmo ano o jogador Paulo César Tinga ou somente Tinga, que atuava no Cruzeiro sofreu insultos raciais proferidos por torcedores do time peruano Asociación Civil Real Atlético Garcilaso, que deixou exposto a possibilidade de organizações internacionais de futebol como a FIFA e a CONMEBOL, possuam atitudes racistas quando colocam penas insignificantes para os times que cometem esse crime contra os atletas negros, deixando de lado a luta contra a desigualdade, não só racial, mas também a luta contra o preconceito em geral. Com isso entendemos que a Educação Física é um elemento para se trabalhar essa discussão, pois o Futebol está elencado ao currículo deste componente curricular como um dos conteúdos a serem abordados no eixo esporte. O futebol, assim, tem importância social elevada dentro do coletivo brasileiro. Não só isso como também a ideia de que devemos evidenciar essas temáticas, pois as mesmas estão presentes na realidade dos estudantes. Sendo assim, deve-se reafirmar a importância de tratar as relações étnico-raciais nas aulas de Educação Física, pois a área também é responsável pela edificação de uma educação antirracista. Sabendo disso, o objetivo desta pesquisa é fazer uma revisão literária de artigos que abordam o Racismo no Futebol, buscando relacionar essas temáticas, bem como expor formas de debater sobre o tema nas aulas de Educação Física Escolar. Tendo em vista a quantidade de condutas racistas já registrado dentro dessa modalidade, como também a maior proximidade que os alunos apresentam para com o esporte. Assim, facilitando a introdução a discussão

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Referências


COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino da Educação Física. São Paulo: 2 ed.Cortez, 2012.

CORNELSEN, Elcio Loureiro. A memória do trauma de 1950 no testemunho do goleiro Barbosa. Esporte e Sociedade, v. 8, n. 21, p. 1 - 12, 2013.

GOMES, Nilma Lino. Diversidade étnico-racial, inclusão e equidade na educação brasileira: desafios, políticas e práticas. Revista Brasileira de Política e Administração da Educação-Periódico científico editado pela ANPAE, v. 27, n. 1, p. 109 - 121, 2010.

SANTOS, Nathasa; CAPRARO, André Mendes; LISE, Riqueldi Straub. Racismo e a derrota que não foi esquecida: uma análise dos discursos de mário filho na obra “o negro no 176 futebol brasileiro” e da imprensa escrita acerca da final da copa do mundo de 1950. Movimento, Porto Alegre, v. 16, n. 4, p. 191- 208, dez. 2010.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)