Tempo e Instituições, Lógicas Não-Ocidentais em Alguns Maracatus-Nação: da África ao Brasil, a homogeneização das diversidades

Autori

  • Ivaldo Marciano de França Lima UFPE

Abstract

O presente trabalho mostra a existência de conflitos entre diferentes visões de mundo, oriundas também de tradições diversas (ocidental, africana, ameríndia) que convivem em uma mesma sociedade. Permeada por valores e idéias ocidentais, mas também possuidora de práticas e costumes que sofreram influências da cultura africana ressignificada no Brasil, as comunidades de afro-descendentes no Recife possuem lógicas diversas das dominantes na cidade. Em alguns terreiros de Xangô e seus assemelhados, a idéia de tempo não segue a lógica ocidental que atribui um valor pecuniário ao mesmo, e quebra-se a idéia ocidental de continuidade das instituições. Nesse sentido, há indícios de que entre os antigos integrantes de alguns maracatus-nação recifenses existiu uma prática de encerrar as atividades dos grupos após a morte de seu líder, consubstanciada com a morte de Dona Santa e o fim do maracatu Elefante. Os valores em questão nos levam a questionar os modos como são construídas as relações familiares, bem como a própria concepção de tempo existente entre os que se convencionou chamar de afro-descendentes.

Pubblicato

2010-01-21