CHICAGO FADE : trazendo o corpo do pesquisador de volta ao jogo



Loïc Wacquant1


_____________________________________________________________________________________

A pesquisa sócio-histórica sobre o corpo – sua configuração social, usos culturais e alterações físicas – passou por um crescimento sem precedentes nas duas últimas décadas, como demonstrado pela produção extraordinária de monografias historiográficas, tratados filosóficos, investigações antropológicas e estudos variados inspirados pelo feminismo, ou interessados em sexualidade, e os incontáveis números especiais de revistas que vão da literatura à psiquiatria, sem falar do lançamento, emblemático desse florescimento que torna-se tendência, do periódico inglês Body & Society que tem como objetivo agir como catalizador para a aplicação de teorias pós-estruturalistas e pós-modernas a esse objeto recentemente reabilitado e reconduzido ao centro das ciências sociais e humanas2. Mas, ainda assim, essa profusão de trabalhos em múltiplas áreas apresenta uma característica notável e paradoxal que é esconder da vista corpos “verdadeiramente existentes” através da sua substituição por um corpo quase completamente virtual formado por signos, portador de códigos, e receptáculo passivo (ou recalcitrante) de forças sociais consideradas externas a ele, em resumo, um corpo mais ou menos reduzido ao nível de outro texto sujeito a uma tratamento essencialmente hermenêutico3.

Dentre esses corpos de carne, portadores da história e vetores de conhecimentos viscerais, estranhamente apagados dos trabalhos ostensivamente voltados a ele, há um que é particularmente visível na sua ausência: o corpo do pesquisado, mesmo quando este constitui, como sugeriu Marcel Mauss muito tempo atrás, seu primeiro instrumento de conhecimento já que é através de seu corpo sensível e agente que o sociólogo conduzindo trabalho de campo entra em contato com o mundo vivido do qual está tentando compreender a lógica.i O texto que se segue busca, embora modestamente, trazer o investigador de volta ao palco como ser carnal e que sofre – leidenschaftlisches Wesen, para utilizar a expressão emprestada do jovem Marx, de quem a antropologia filosófica é nesse sentido mais meticulosa do que aquelas, igualmente desencarnadas, do ator racional e homem de plástico que monopolizaram os modelos de ação social durante o século passado. ii Ele foi retirado de um diário de campo que mantive num período de três anos e meio de imersão etnográfica durante o qual aprendi o ofício de boxeador numa academia do gueto negro de Chicago. Eu havia me tornado um membro do Woodlawn Boys Club por sorte, enquanto procurava por um ponto de observação a partir do qual observar as estratégias sociais utilizadas pelos jovens homens do subproletariado negro da cidade. No entanto me vi rapidamente envolvido nas trocas simbólicas, materiais e afetivas que tecem a malha da academia cotidianamente e aprendi gradualmente, algumas vezes com prazer, outras com apreensão e não sem algumas vezes ter um sentimento de estranheza e incongruência, a me conformar às suas regras, a responder às expectativas e requisitos de seus membros e a me adaptar tanto física quanto moralmente às suas demandas particulares.iii

O texto que se segue é um (quase intocado) trecho do meu diário de campo, datado de maio de 1990, mais ou menos 20 meses depois de ter me juntado ao clube, ou seja, depois de já ter solidificado minha posição no círculo interno dos frequentadores regulares do clube através do treinamento assíduo, por aderir total e completamente ao código de honra do pugilista (atestado pela minha luta oficial no torneio amador do Golden Gloves no inverno anterior) e pelos muitos serviços que prestei fora da academia aos meus colegas de clube. Ele conta novamente sobre uma sessão de corte de cabelo caseira na qual Curtis, a estrela em ascendência da academia, modelou meus cabelos seguindo a moda negra americana em voga de maneira a sinalizar, de forma visual e corporal, meu pertencimento completo como membro do grupo.

A narração dessa cena quase banal ilumina três importantes propriedades da organização cultural e social da academia. A primeira é a crença popular de que o corpo abriga “talentos”, habilidades que dão à quem as possui a possibilidade de sucesso na vida: Curtis estabelece um paralelo entre suas capacidades pugilísticas e sua competência como barbeiro, apontando implicitamente para a existência de um continuum dos ofícios corporais ao qual pertence sua vocação pugilística, ofícios que são os primeiros, senão os únicos, disponíveis àqueles que não possuem outro recurso além de seu capital corporal para se engajar na batalha da existência social. Segunda, a oferta do corte de cabelo nao poderia ser negada, inscrita que estava num ciclo mais amplo de trocas baseadas na reciprocity, uma economia não reconhecida que enquanto tal e que estipula que a pessoa que dá deve também receber para que uma relação assimétrica entre o doador e o recipiente seja evitada. Dentro das fronteiras dessa economia social, relações intra-familiares ocupam espaço central: o fato de Curtis cortar o cabelo de seus irmãos e filhos, bem como do seu treinador e “pai adotivo” DeeDee, mereceria uma exegese própria e elaborada para demonstrar como cortar meu cabelo em público era uma maneira de estabelecer para mim um lugar numa relação de parentesco fictícia. Por último, podemos observar que a aquisição da competência corporal infra-consciente que define os agentes conhecidos e reconhecidos em qualquer universo socialiv também opera através de modificações corporais tão inofensivas quanto um corte de cabelo, mudanças na ornamentação ou vestimenta, dieta ou a transformação da economia dos sentimentos.



O Corte Caseiro

No telefone Curtis me pergunta se eu ainda quero fazer meu fade (o estilo de cabelo negro que está em voga no gueto nesse momento). Ele insiste: essa é sua forma de me oferecer um presente – e portanto de reestabelecer uma medida de reciprocidade nas nossas trocas – ao mesmo tempo em que demonstra as suas habilidades pessoais. Concordo. “ Então venha para a academia agora”. Eu vou logo depois da uma e meia. Encontro Curtis lavando seu Jeep Comanche nos fundos da academia, rap bombando nas alturas. Ele tem um cuidado enorme com o carro. Concordamos que ele vai cortar meu cabelo mais tarde. (...) Assim que termino meu treino, antes de ter a chance de me trocar, Curtis novamente propõe cortar meu cabelo. “Não tome banho, só se seque, você toma banho depois.” Ele põe uma cadeira em frente ao espelho de shadowboxing para mim, próxima à mesa de abdominais, com as costas voltadas para o espelho -- de forma que eu não possa ver meu reflexo no espelho, eu acho. De dentro da bolsa da academia, ele tira uma máquina de cortar cabelos enormes que ele usa para cortar os cabelos de seus irmãos e irmãs e o seu próprio (na véspera das lutas ele sempre faz seu próprio fade, completo com um rabinho na parte de trás).

Ele conecta a ferramenta gigante à tomada e começa a cortar meus cabelos no topo da cabeça. “Veja, minhas mãos são abençoadas. Eu posso fazer muitas coisas com minhas mãos... eu vou cortar seu cabelo como o do Christopher. Você gosta do estilo do cabelo do meu filho? O fade dele está um pouco desarrumado agora... você quer um rabinho atrás?” Não, obrigada sem rabinho está bom. Os longos movimentos que ele usa para raspar minha cabeça repuxam meu cabelo e doem muito. Eu fico dizendo a mim mesmo que vai passar mas que nada: dá a sensação que uma vara quente está passeando pela minha cabeça como se Curtis estivesse arrancado meu escalpo com uma faca cega e velha. É tão dolorido que dá vontade de gritar e mandá-lo parar, mas eu não posso dizer nada. Ele está tão feliz por fazer esse fade tão prometido em mim que ele não consegue segurar o grito sorridente: “Louie quer ser negro! Ele sonha em ser negro agora, ele quer tanto ser negro que chora por causa disso toda noite!” Honestamente, eu não sei se vou conseguir suportar a dor! Eu me seguro na esperança de que a dor diminua quando a quantidade massiva de cabelo diminuir. Mas mesmo quando o cabelo fica mais curto, Curtis continua a escalpelar minha cabeça com raspador de navalha que são praticamente intoleráveis.

Curtis corta o cabelo de DeeDee, enquanto Ashante aquece (Foto: Loïc Wacquant).

Eu fecho meus olhos e franzo a testa. É pura tortura. Eu nem posso acreditar. Eu nem me arrisco a olhar para o estado desse cortador. As lâminas devem estar completamente cegas e tortas, é absurdo. Num determinado momento, Curtis para e abre a navalha com uma grande chave de fenda de eletricista, tira um punhado de cabelo preso nas lâminas e parafusos e monta o instrumento de tortura novamente. Depois de mais uns vinte minutos nesse processo, ele nota que eu não estou nem um pouco confortável: “Está doendo?” “Um pouco, mas é porque o cabelo é longo, acho...”Ele passa a ser um pouco mais cuidadoso depois disso.

Curtis trabalha no meu corte com o maior cuidado possível. Ele precisará de uns bons 40 minutos para acabar. DeeDee está ficando impaciente e que ir para casa porque já passa das 3:30. Ele pergunta a Curtis em volz alta: “Mark ainda esta aí no vestiário? Ele está aí esse tempo todo? Diz a ele pra sair.”Curtis chama: ”Mark! Você está agindo como se estivesse fazendo amor! Sai já daí: seja homem!

Enquanto isso, DeeDee observa a cena de espreita. O corte de cabelo está quase pronto. Ele ainda não disse nada. Curtis, de costas para DeeDee, ri baixinho. Eu sussurro para ele ”Eu estou surpreso porque ele não disse nada ainda”. (o velho treinador havia prometido me chutar pra fora da academia e me mandar para Fuller Park – uma academia anômica num parque distrital onde os boxeadores se batem sem regras ou limitações – se Curtis fizesse meu fade).

Nós dois estávamos esperando que ele lançasse um ataque fulminante contra nós. Mas ele ainda não diz nada. Momentos tensos e engraçados. Depois de muito tempo, depois de nos encarar por um minuto inteirinho, DeeDee sai para fechar a porta de trás da academia. Enquanto se afasta, nós o ouvimos dizereu nunca vi um menino branco tão louco quanto esse”.

Eu achei que o corte de cabelo estava terminado, mas não. Curtis dá os toques finais utilizando a tesoura no topo da minha cabeça e nas laterais e desenha a linha que o reparte com a lâmina. “Demora muito porque cabelo de branco é diferente. Cabelo de negro você só precisa raspar e ele fica bom. Mas se você raspar a cabeça de um cara branco, fica parecendo que eles foram presos: o cabelo cresce todo desigual. É por isso que eu estou tentando cortar seu cabelo do jeito que ele cresce. ” Ele continua: ”Meu filho tem cabelo de gente branca. Já notou que Christopher tem cabelo de branco? Eu tenho que colocar gel e encaracolar antes de cortar o cabelo dele. É diferente.” DeeDee retorna, se planta em frente à porta do quarto de trás da academia e me encara -- eu não estou de óculos mas posso sentir seu olhar incrédulo e chocado. Ele não pronuncia uma palavra. Eu não consigo mais resistir e pergunto a ele: “ E aí, como está o cabelo DeeDee?”

Você vai ver por você mesmo quando olhar no espelho.”

Mas o que você está achando do cabelo?”

Não vou dizer nada!”

Mas qual a sua opinião?”

Você não vai querer saber.” (ele vai para atrás da cabine de onde eu posso ouvi-lo resmungando) “Merda! Se eu fosse Liz, eu mandava você para fora de casa!”

Curtis manda de volta: “Mas a Liz disse que não tem problema”. Eu adiciono: “Ela até me pediu que eu fizesse um fade”.

DeeDee, com um tom tristonho na voz, como se estivesse lutando uma batalha perdida diz: “então ela deve estar pirando também!”

Pronto, o penteado está completo. Curtis chama todo mundo. Eu pergunto: “ E aí, como está?” Anthony assobia com admiração e seu primo Mark também. Mark exclama: “Maneiro! Louie você está parecendo o Third Base.” Anthony: “maneiro Louie”. Esta é a reação de todos. Eles riem quando eu digo que a banda de rap que me contratou não é a Third Base (um grupo formado por dois músicos brancos) mas NWA, Nigger With Attitude (uma banda durona do centro-sul de Los Angeles e a favorita de Ashante). “Beleza Louie, mostra a eles o que o cara branco sabe fazer.” “Cara, você tá parecendo um matador, Louie.” DeeDee se aproximou para ver de perto e parece claramente surpreendido. John me diz que é um super-fade. Curtis: “O cara branco tá maneiro.” Eu me viro para o espelho e observo o resultado do trabalho dele: é uma visão inesquecível, certamente. Meu cabelo está praticamente raspado três centímetros acima das minhas orelhas, reto e afofado no topo, com uma linha raspada que o reparte do lado esquerdo e uma franja que começa bem acima da testa. Eu adorei!

Curtis grita em falseta: “a mamãe dele vai se assustar. Ela vai reclamar (o tom aumentando ainda mais): ”Porque eles mexeram com meu bebezinho? Oh, meu menininho?Ele se embola de rir. DeeDee reclama com uma voz exageradamente severa: “Sua mamãe vai te dar uma surra!” Eu respondo: “Você bem que gostaria, nãe é?” “É.”Curtis se aproveita e se desculpa com DeeDee dizendo que ele mesmo tinha um fade quando era mais novo: só não se chamava assim naquele tempo. DeeDee se enfurece: “O que é que você está dizendo? Olhe para o cabelo dele (e aponta para primo grandão de Mark). Você está vendo o cabelo dele, raspado curto assim: esse tem sido o meu corte de cabelo a minha vida inteira. Eu nunca tive fade nenhum!” Definitivamente feliz por ter a chance de usar esse insulto ritual contra DeeDee, Curtis finge não ter ouvido o velho treinador e escarna: “DeeDee é um bárbaro!” Nós todos rimos solto. Anthony está radiante mas Mark não se atreve a rir de DeeDee tão abertamente. O velho treinador finge estar zangado com Curtis. A cena toda é para lá de engraçada. Finalmente, ele ri também e opta por recuar: não havia como vencer, sozinho contra todos nós. Ele sai com seu passo gingado (ele parece poder andar sem sua moleta novamente). De longe ele grita para me avisar que irá à minha casa amanhã, certo?

Agora que DeeDee foi embora, Curtis pode dar os toques finais no meu penteado. Ele diz ao John: “sabe, eu tenho um dom com as minhas mãos. Eu sei fazer muitas coisas com minhas mãos. Está vendo isso, eu não fui para a escola aprender a cortar cabelo: Eu aprendi sozinho.” Eu levanto novamente e admiro o trabalho: é literalmente impressionante. Eu agradeço a Curtis efusivamente: “é o melhor corte de cabelo que já tive.” Ele responde feliz: “espera só até o Ashante ver”. “Vou encontrá-lo hoje a noite: ele vai pirar.” Curtis me dá um chegue batendo (soul shake) e me avisa para varrer o cabelo do chão. Eu pego a vassoura embaixo do ringue e descubro uma bagunça incrível de caixas de papelão, produtos de limpeza, material de boxe sem uso etc. Curtis veste os filhos e saímos ao mesmo tempo que o Boxhead John. Eu notei que existem não um, mas dois tacos de beisebol na entrada da creche (onde eles servem para manter afastados visitantes não desejados através da intimidação ou do uso da força).

John pega a corrente, Curtis liga o sistema de alarme e fecha o portão. John fica bastante impressionado com o carro de Curtis: “Quanto você pagou por ele, dezessete mil?” Curtis, feliz em poder se mostrar chocado com um preço tão baixo: “17.000? Gostaria mesmo de ter pago isso. Custou 24.000. É top de linha... tem bancos de avião na frente, couro verdadeiro. Painel de BMW. Cara, é top de linha. Eu não sabia, as pessoas me disseram depois que eu comprei.” Eu digo até segunda e atravesso a avenida.

Enquanto ando para casa subindo a rua Ingleside, eu noto imediatamente o impacto do me fade. Dois garotinhos andando na minha frente dão um pulo aterrorizados quando me veem. Um senhora bem-vestida no seu carro próxima ao cruzamento da rua 61 mal contain sua risada quando eu passo por ela. Dois adolescentes papeando com uma garota da vizinhança me encaram como seu eu fosse o demônio. E, mais tarde, quando vou à livraria da universidade para comprar o meu Liberàtion diário, ninguém diz uma palavra: eu acho que os funcionários nem me reconheceram! E Victor, meu vizinho, solta uma gargalhada da varanda que é misto de surpresa e admiração.

Quando Liz vem para casa e me vê sentado ao computador, ela para, como se estivesse congelada: ela não acredita que sou eu. Então, como se a realidade estivesse vagarosamente se apoderando dela, as duas mãos em frente a boca, ela solta um grito estridente. Ela está tão chocada com meu novo corte de cabelo que luta para recobrar o fôlego. Assim que recobra seus sentidos, ela liga para DeeDee. Eles dois divertem-se as custas do meu corte de cabelo. Ela risonha diz: “você conhece esse cara no meu apartamento? Eu entrei e não o reconheci”.

DeeDee, quase morto de rir, diz mais: “Eu não sei quem é esse louco. Ele é um bárbaro. Ele é louco. Você deveria mandá-lo embora. Quando eu saí da academia eu disse, uhuh, disse. Aqueles jovens loucos dizendo a ele: “está maneiro! Está maneiro!” Eles são loucos... Curtis é um bárbaro!” Eu digo a ele que vou encontrar Ashante. “ele vai gostar. Ele não sabe de nada. Ele vai gostar mas ele mesmo nunca teve um. Não, Não. Nunca teve.” DeeDee não precisa de nenhuma provisão esse fim de semana. O´Bannon vai dar uma passada para deixar uns peixes que pescou próximo a nascente do Mississipi numa viagem a Minnesota, com colegas do seu posto dos correios. Eu prometo que vou dar um pulo para vê-lo amanhã porque “eu sei que você quer ver meu fade novamente antes do fim de semana terminar”. Ele diz ok, dando risada.

Enquanto estou escrevendo minhas anotações, Liz sussurra, com um tremor na voz: “Nunca mais faça uma coisa dessas comigo de novo, Lo, me prometa.” Curtis certamente não se controlou: quando eu terminei de digitar minhas anotações as sete da noite, eu ainda estava com uma dor de cabeça terrível causada pelo cortador enferrujado. Eu me pergunto como consegui suportar a dor. Mas no final das contas eu realmente gostei daquele corte de cabelo – era diferente, para dizer o mínimo – embora ache que vai ser um certo choque na França o mês que vem.



Referências


Wacquant, Loïc. “Chicago fade: remettre le corps du chercheur en scène.” Quasimodo 7 (Spring 2002): 171-179.

1 Tradução Nicole Louise Macedo Teles de Pontes

2 Como exemplo, ver, entre inúmeros trabalhos recentes em inglês Thomas Csordas (ed.), Embodiment and Experience: The Existential Ground of Culture and Self (Cambridge: Cambridge University Press, 1994), and A. J. Strathern, Body Thoughts (Ann Arbor: University of Michigan Press, 1996), for anthropology; Jean Bremmer and Herman Roodenburg (eds.), A Cultural History of Gesture (Cambridge: Polity Press, 1991), Maria Wyke (ed.), Gender and the Body in the Ancient Mediterranean (Cambridge: Basil Blackwell, 1998), and Caroline Walker Bynum, The Resurrection of the Body in Western Christianity, 200-1336 (New York: Columbia University Press, 1995), for history; Susan Foster (ed.), Corporealities: Body, Knowledge, Culture, Power (London: Routledge, 1995), and Londa Schiebinger (ed.), Feminism and the Body (New York: Oxford University Press, 2000), for feminism; Gilbert Herdt (ed.), Third Sex, Third Gender: Beyond Sexual Dimorphism in Culture and History (New York: Zone Book, 1994), and Gwendolyn Audrey Foster, Troping the Body: Gender, Etiquette and Performance (Carbondale: Southern Illinois University Press, 2000), for studies of sexuality; Georges Lakoff and Mark Johnson, Philosophy in the Flesh: The Embodied Mind and its Challenge to Western Thought (New York: Basic, 1999), and David Weldon (ed.), Body and Flesh: A Philosophical Reader (Cambridge, Blackwell, 2000), for philosophy; Alan Hyde, Bodies of Law (Princeton: Princeton University Press, 1996), for legal studies, and Nick Crossley, The Social Body: Habit, Identity, and Desire (London: Sage, 2001), for sociology. Cf. also Francis Barker, The Tremulous Private Body: Essays on Subjection (Ann Arbor: University of Michigan Press, 1995); Jennifer Terry and Jacqueline Urla (eds.), Deviant Bodies (Bloomington, Indiana University Press, 1995); Sarah Coakley, Religion and the Body (Cambridge: Cambridge University Press, 1997); and Arthur W. Frank, The Wounded Storyteller: Body, Illness and Ethics (Chicago: University of Chicago, 1997), for literary theory, health studies, religion and medicine.

3 Loïc Wacquant, “Pugs at Work: Bodily Capital and Bodily Labor Among Professional Boxers,” Body & Society 1, no. 1 (March 1995): 65-94, and Terence Turner, “Bodies and Antibodies: Flesh and Fetish in Contemporary Social Theory,” in Csordas (ed.), Embodiment and Experience, op. cit., pp. 27-47.

iMarcel Mauss, “Les techniques du corps,” Journal de Psychologie 32 (1935): 271-293 (English tr., “Techniques of the Body,” Economy and Society 2, 1973, pp. 70-88).

ii Martin Hollis, Models of Man: Philosophical Thoughts on Social Action (Cambridge: Cambridge University Press, 1977).

iii Para uma discussão mais completa acerca das condições, propósitos e resultados dessa investigação inicial, recomendo ao leitor meu livro Corpo e Alma (Relume Dumará – 2002).

iv Pierre Bourdieu, Meditações Pascalianas (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, [1998] 2001), especialmente capítulo 4: “O Conhecimento pelo Corpo”.

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




@ 2012 - PPGS - Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE.

ISSN Impresso 1415-000X

ISSN Eletrônico 2317-5427