DÁDIVA E ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS: uma abordagem ampliada da cooperação entre empresários



GIFT GIVING AND LOCAL PRODUCTION ARRANGEMENTS: AN EXTENDED APPROACH ON COLLABORATION BETWEEN BUSINESSES



Elimar Pinheiro do Nascimento

Helena Araújo Costa


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Resumo

O artigo tem como objetivo propor uma visão ampliada sobre a cooperação que se estabelece em espaços territorialmente aglomerados de produção. Afinal, os estudos sobre Arranjos Produtivos Locais (APL), em geral, enfatizam a importância da cooperação entre os atores econômicos, tanto em virtude do estímulo ao processo de inovação nas empresas quanto da elevação da competitividade. No entanto, as abordagens teóricas tendem a enfatizar a cooperação exclusivamente como ato de interesse pragmático e mercantil: aumentar o faturamento, o lucro ou a competitividade das empresas. A cooperação nos APL não se reduz à racionalidade instrumental, há outros aspectos que os paradigmas hegemônicos nas ciências sociais, por vezes, escondem mais que revelam. A abordagem da cooperação do ponto de vista da teoria da dádiva, sem negar os paradigmas anteriores, permite registrar que há outras formas de cooperação que não se reduzem ao interesse imediato de bem se situar no mercado. Ela possibilita ampliar o enfoque e registra formas de cooperação que visam o bem comum, a imagem da cidade, as necessidades das gerações futuras ou simplesmente exprimir relações de camaradagem.


Palavras-chave

Teoria da dádiva. Arranjos produtivos locais. Cooperação empresarial. Desenvolvimento local.

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Abstract

The paper aims to broaden the approach to cooperation that takes place in local production clusters known as APL. Studies focused on APL generally emphasize the importance of cooperation among economic actors, both because of the stimulus to innovation in companies and increased competitiveness. However, theoretical approaches tend to emphasize cooperation exclusively as an act of pragmatic and commercial interest: increasing revenue, profit or business competitiveness. Cooperation in APL is not reduced to instrumental rationality; there are other aspects that the hegemonic paradigms in the social sciences sometimes obscure to a greater extent than they reveal. The cooperative approach from the standpoint of the gift-giving paradigm, without denying other practices, demonstrates that there are forms of cooperation which are not limited to immediate interest and are situated within the market. This helps to broaden the focus and describe forms of cooperation aimed at the common good, the city's image, the needs of future generations or, simply, to express friendship.


Keywords

Theory of giving. Local clusters. Bussiness cooperation. Local development.

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1. Introdução

Os Arranjos Produtivos Locais (APL1) têm sido objeto de interesse crescente por parte do governo e da academia. Os estudos acerca deles têm enfatizado aspectos econômicos e tecnológicos, mas também demográficos e geográficos. Embora não haja consenso sobre a conceituação, alguns elementos recorrentes podem ser identificados: (a) aproximação geográfica dos atores econômicos; (b) identidade partilhada; (c) interação produtiva, (d) ambiente favorável à inovação; e (e) ganhos na competitividade (CASSIOLATO e SZAPIRO, 2003; SUZIGAN, FURTADO, GARCIA e SAMPAIO, 2004; CASSIOLATO, LASTRES e STALLIVIERI, 2009). De forma idêntica, mas com poucos resultados práticos, a literatura existente aborda outro elemento, o tema da inclusão social (SACHS, 2002).

A conceituação de APL enfatiza o conjunto de atores que desenvolvem atividades econômicas correlatas com fortes vínculos de integração. A ênfase tem recaído sobre as condições propícias para criar uma sinergia que amplie a inovação e a competitividade dos atores produtivos no mercado, por meio da ágil circulação de informações, da estreita colaboração, da maior capacidade de assimilação de inovações, e mesmo de criatividade. Apesar de ter seu nascedouro em um misto da noção de cluster americano com as experiências dos distritos industriais italianos, a figura do arranjo foi aquela que mais se pareceu com o nível de organização produtiva encontrada no Brasil. Por esta razão, fixou-se a nomenclatura APL em solo nacional.

Suzigan et al. (2003) evidenciam a importância que os APL vêm adquirindo na geração de empregos e bem-estar social, crescimento econômico, exportações e desenvolvimento tecnológico, fazendo uma relação nítida entre eles e seu potencial de gerar desenvolvimento local. Sachs (2002), indo além, vincula a noção de desenvolvimento sustentável ao fortalecimento de pequenos empreendimentos no Brasil, ideia pertinente e contida nas intervenções de arranjos produtivos locais. Especificamente quanto aos APL, o autor entende que "contribuem para uma maior competitividade e também para a resiliência do conjunto dos empreendimentos neles integrados" (SACHS, 2002, p.115).

Portanto, a abordagem no estudo dos APL tem privilegiado os campos da economia, incluindo os aspectos tecnológicos e os possíveis benefícios associados a seu fortalecimento. Competitividade, inovação e cooperação têm sido as palavras-chave. De forma idêntica, a literatura assina a convivência da competição com a cooperação. Alguns autores, como Porter (1998), enfatizam a rivalidade, porém outros, em uma abordagem mais recente (AMATO NETO, 2000; MEYER-STAMER, 2001; CASSIOLATO e LASTRES, 2002; MOLINA-MORALES e HOFFMANN, 2002; BECATTINI, 2002) têm destacado o papel da cooperação. Cada vez é mais evidente a ênfase sobre as condições locais da criatividade, do crescimento e da competitividade.

Duas expansões principais poderiam ser feitas à reflexão acerca dos APL como mecanismos de desenvolvimento local sustentável. A primeira, voltada para a própria dinâmica de coexistência entre cooperação e conflito, como discutido por Costa e Nascimento (2009). A segunda, aqui explorada, assenta-se sobre o paradigma que embasa a interpretação do fenômeno da organização social ao redor de pequenos empreendimentos.

Do ponto de vista teórico, tem sido privilegiado o paradigma do interesse, presente na economia neoclássica, mas também no individualismo metodológico, entre outras correntes do pensamento social. E, secundariamente, enfatizado também o paradigma da obrigação estrutural. O objetivo deste artigo é o de chamar atenção para outro paradigma que pode ser útil na interpretação do significado e do papel da cooperação no interior dos APL, mas que pode, também, ser extensivo à atividade econômica em geral – o paradigma da dádiva.

Economia e Sociologia falam-se pouco na abordagem das iniciativas econômicas marcadas pelo território partilhado. E políticas econômicas e sociais conversam exiguamente no combate à pobreza (e no seu âmbito, evidentemente, o combate à fome)2. Os APL, no entanto, podem ser uma oportunidade de fortalecer a ponte entre esses interlocutores naturais que mal se comunicam. Isso significa mudar em alguns aspectos a abordagem em relação aos APL e, sobretudo, no entendimento das múltiplas formas de cooperação como elementos integrantes e intrínsecos de sua existência.

A economia insiste em explicar o mercado fora de suas relações sociais, onde a cooperação está inserida. Mas o que seria o mercado amorfo quando descemos à escala local? Esta abstração dos modelos certamente não encontra reflexo nas realidades de muitas localidades nacionais, municípios pequenos, com empreendimentos pequeníssimos, que pertencem a primos, irmãos, parentes. Abramovay (2004) chamou atenção para esta insuficiência da ótica econômica.

O objeto do artigo é, assim, o de abordar o campo específico da cooperação entendida como elemento indispensável na constituição dos APL (e da dinâmica econômica em geral), sob a ótica de um novo paradigma – o da dádiva. Seu objetivo é, portanto, propor uma visão ampliada sobre a cooperação que se estabelece em espaços territorialmente aglomerados de produção.

2. Aspectos recorrentes nos estudos dos APL

2.1 Conceituação e tipologia

Um dos aspectos recorrentes nos estudos dos APL é a preocupação com a sua conceituação e das definições de suas fronteiras. De que se trata? Quais as suas especificidades? Em grande parte isso se deve à diversidade empírica, mas também à novidade do fenômeno (embora objeto de estudos desde a década de 1970) e à ênfase diferenciada sobre aspectos específicos. Assim, ora se enfatiza a questão da estratégia de desenvolvimento (MEYER-STAMER, 2001; BRASIL, 2003), ora a relevância do conhecimento e da inovação (CASAROTTO FILHO e PIRES, 1999; CASSIOLATO e LASTRES, 2003), ora a aproximação geográfica (MOLINA-MORALES e HOFFAMANN, 2002) e ora a governança local (GOMEZ e SCHLEMM, 2004; GARCIA, MOTTA E AMATO NETO, 2004 e GOEDERT, 2005).

A dificuldade conceitual – que não é apanágio dos APL, pois está presente em relação a vários objetos e fenômenos sociais – manifesta-se na relevância, mas também nas diferentes tipologias. Por isso é importante a construção de uma tipologia que abarque a grande diversidade empírica do fenômeno.

Não vamos aqui fazer nenhum exercício de conceituação já que existe vasta literatura, relativamente conhecida, a respeito (SUZIGAN, FURTADO, GARCIA e SAMPAIO, 2004). Pretende-se alertar para a sua diversidade, em conformidade com os elementos destacados. Assim, pode-se passar de uma conceituação simples, em que o fator de aglomeração é fundamental, para conceituações mais sofisticadas, em que a redução dos custos de transação ou a constituição de rede na interação com os mercados ganham relevância. Cassiolato e Lastres (2002), entre outros, já abordaram amplamente a questão em âmbito nacional – permitindo-nos dispensar maiores comentários a respeito – quando tratam de "sistemas produtivos locais" (CASSIOLATO e LASTRES, 2002, p. 75) ou "sistemas econômicos geograficamente referenciados" (CAPORALI e VOLKER, 2002, p. 231).

Outro aspecto recorrente nos estudos dirige-se à dinâmica existente entre os atores que compõem determinado arranjo produtivo. Tal preocupação, em geral, pretende desvendar as causas criadoras de APL, mas também a participação e posicionamento de seus diversos atores, o que permite criar não apenas um ambiente de cooperação, de agregação de valor, como também de sua competitividade e, mais recentemente, de sustentabilidade (COSTA, SAWYER E NASCIMENTO, 2009).

2.2 Papel da inovação tecnológica e centralidade da competitividade

Dentre os elementos recorrentes nos estudos dos APL ainda podem ser destacados dois que parecem ganhar grande frequência senão relevância. O primeiro refere-se ao processo de difusão/criação e inovação tecnológica. O segundo diz respeito às condições favoráveis de crescimento da competitividade dos diversos atores econômicos participantes, assim como do conjunto, em face da expansão do mercado e sua globalização.

Quanto a esses dois aspectos as análises tendem a acentuar, sobretudo, a importância do ambiente favorável à aprendizagem, do tipo de governança imperante no APL e do mercado ao qual se dirige (MOLINA-MORALES e HOFFMANN, 2002). Em geral, os argumentos são de ordem estritamente econômica e tecnológica, navegando ora no paradigma do interesse, ora no da obrigação. Nesse aspecto, as condicionantes da posição dos atores, em uma teia de relações, são mais importantes do que os seus valores e ideias, pois “as estruturas sociais dos mercados, definidas por padrões de relações concretas (conectividade, distância e centralidade) determinam o funcionamento dos mesmos” (WANDERLEY, 2002).

No entanto, aos poucos, estudos e observações diversos apontam para um sentido mais amplo, valorizando aspectos extraeconômicos tanto no desenvolvimento econômico de países quanto no de APL, sinalizando o fato de que a racionalidade dos atores é cultural; pertencem a um sistema de sentidos (BECATTINI, 2002) e, sobretudo, focam a importância da cooperação como fator de definição de vantagens econômicas. Sinais débeis, insuficientes, de ruptura dos paradigmas dominantes.

3. Os paradigmas mais frequentes

As abordagens analíticas sobre os APL, como sobre o conjunto dos fenômenos econômicos, são marcadas sobremaneira pelo paradigma do interesse e secundariamente pelo da obrigação (predomínio das estruturas), aliás, os dois paradigmas dominantes nas ciências sociais e, em particular, na Sociologia, desde os seus primórdios. Algumas poucas palavras são indispensáveis para compartilhar com os leitores o que entendemos por esses dois paradigmas.

3.1 O paradigma hegemônico: interesse utilitarista

O paradigma hegemônico nas análises sociais é o do interesse instrumental ou utilitarista, que se traduz na concepção do ator racional e abstrato, na teoria dos jogos e no individualismo metodológico, entre outras coisas. Suas raízes encontram-se no pensamento antigo, grego e romano; ganhou foros de sapiência com os filósofos anglo-saxões desde o século XVI, e terminou por ser o paradigma dominante nas ciências sociais modernas, em particular na Economia, onde a unidade de análise é o indivíduo abstrato (portanto, inexistente), cujas associações são determinadas por uma racionalidade instrumental (CAILLÉ, 2001).

O utilitarismo assume três formas essenciais: prática, teórica e normativa.

O utilitarismo prático sempre existiu nas sociedades humanas - entendido como ações humanas baseadas no cálculo interessado ou egoístico - mas nunca teve plena legitimidade, esta será alcançada apenas na sociedade moderna por meio da Reforma de Lutero, pela revolução política inglesa do século XVI e os escritos de seus pensadores como Hobbes e Locke (NASCIMENTO, 1998). O utilitarismo teórico faz do cálculo interessado uma teoria que pretende explicar a dinâmica social (no sentido amplo do termo) pela racionalidade de que os indivíduos seriam possuídos em seus processos decisórios. Assim, a sociedade é a articulação de ações racionais individuais movidas por interesses instrumentais e egoísticos. Em sua forma mais radical, o paradigma utilitarista afirma que os indivíduos são egoístas e que, paradoxalmente, por meio do mercado, constituem a justiça e a felicidade humana. De forma simples, a articulação da ação racional com a justiça e a felicidade humana constitui o utilitarismo normativo que acredita que o mercado transforma os “vícios privados em virtudes públicas”. De forma sintética, Caillé define o utilitarismo normativo como:

[...] toda doutrina que, identificando a justiça e o bem com a felicidade dos indivíduos, considerados coletivamente, defende que felicidade se decompõe em elementos mensuráveis, para deduzir deste duplo postulado de redutibilidade e mensurabilidade que a justiça e a felicidade são assuntos de ciência e de medida e que, reciprocamente, o vício e a infelicidade resultam da ignorância e de um mau cálculo (CAILLÉ, 2001).

Isso funda o postulado, estranho, de que o único objetivo da humanidade é a acumulação. Esse paradigma apresenta-se sedimentado, especialmente, nas análises realizadas pelo viés da Administração de Empresas e da Economia, sem alarde ao redor de sua existência, sem despertar investigações, já que se toma como óbvio o fato de que as empresas operam unicamente por seu próprio benefício, com passos estrategicamente calculados, já que são entes de mercado.

3.2 O paradigma declinante: predominância das estruturas

O paradigma subordinado, mas presente nas análises e percepções cotidianas, e nas ciências sociais, é o da predominância das estruturas, presente tanto no estruturalismo como no marxismo. Contrapondo-se ao anterior, afirma a primazia não do indivíduo, mas do coletivo, não do individual, mas do social. Marx, no século XIX, e Durkheim, no XX, são os principais responsáveis por sua disseminação entre nós, mas também Parsons e Lévi-Strauss em meados do século XX e Bourdieu em seu final.

Nesse paradigma, as ações dos indivíduos correspondem a respostas dos lugares que ocupam na estrutura social, que impera de maneira soberana. A liberdade da ação humana torna-se extremamente restrita nas suas vertentes mais duras, em que a consciência coletiva determina a consciência individual ou os atores tornam-se simples suportes estruturais (POULANTZAS, 1970)3.

Este é um paradigma hoje secundário, mas ainda presente. Suas vertentes mais reconhecidas, como o marxismo, o estruturalismo e o funcionalismo, entraram em declínio na segunda metade do século XX.



4. O paradigma emergente: a dádiva

A origem desse novo paradigma, apenas anunciado ou esboçado por alguns teóricos europeus, canadenses, australianos e latino-americanos, encontra-se no famoso texto Ensaio sobre a dádiva: forma e razão da troca nas sociedades antigas (1923), de Marcel Mauss, embora a reflexão sobre a dádiva exista há muito tempo.4

Quanto a este paradigma, sua vertente contemporânea encontra-se reunida no Mouvement Anti-Utilitariste dans les Sciences Sociales (MAUSS), criado na década de 1980, que reúne intelectuais em torno de algumas lideranças, sobretudo da França e do Canadá, entre as quais, Allain Caillé.5 O núcleo duro da descoberta de Mauss é de que as sociedades primitivas estavam organizadas em torno da tríade de dar, receber e retribuir, entendida como uma obrigação social universal. Esta constituiria a lei mais geral das sociedades antigas, seu princípio organizador. A novidade dos intelectuais ligados ao Movimento Antiutilitarista é a de identificar a presença dessa “obrigação” simbólica em diversas dimensões e espaços da sociedade moderna, constituindo um campo em que se pode, de forma diferente, perguntar e responder sobre os fenômenos sociais (no sentido amplo do termo) hodiernos.

Sociologicamente, a dádiva significa “qualquer prestação de bens ou serviços efetuada sem garantia de retorno, tendo em vista a criação, manutenção ou regeneração do vínculo social” 6. Na relação criada pela dádiva, o mais importante não é o ato, e menos ainda os bens, objetos da troca, mas o vínculo que ela cria entre os participantes – uma dívida social de um partícipe para com o outro, e de cada um para com a sociedade como um todo. Melhor ainda, o paradigma mencionado transforma a obrigação da dádiva no ato criador do vínculo social, cimento de toda e qualquer sociedade, liame que lhe atribui coesão e possibilidades de reprodução.

O propósito do MAUSS foi constatar a atualidade do trabalho do sobrinho de Durkheim, Marcel Mauss, nas sociedades modernas, no sentido de que a tripla relação do dar, receber e retribuir persiste no âmbito das relações sociais familiares, de amizade, mas também nos diversos formatos organizativos do terceiro setor: clubes, associações de vizinhança e organizações não governamentais em geral.

O segundo passo do movimento antiutilitarista foi o de perceber que não apenas no espaço da afetividade e da sociedade civil, mas também no espaço da política, a tríade de Mauss era pertinente. As relações, as dinâmicas e o desenvolvimento dos partidos, em suas relações internas e mesmo externas, não são movidos apenas pelo interesse político da conquista do poder, mas se entrelaçam na dádiva, na espontaneidade, na afetividade. As simpatias e antipatias pessoais têm papel relevante, e ocasionalmente até são determinantes em alguns processos políticos. No âmbito das sociedades políticas, as alianças com os inimigos de ontem realizam-se mediante a dádiva agonística, o que justamente indica que eles podem retornar à situação de inimigos ou adversários. Daí a ambivalência natural da dádiva, o que não impede que ela seja um espaço político por excelência, definindo os campos amigos e inimigos, aliados e adversários. Fronteiras porosas, porque móveis e flexíveis. Enfim, mutantes. Os próximos (cônjuges, por exemplo) podem passar de amigos a inimigos.

De forma idêntica, o espaço científico, acadêmico, é produzido por interesses instrumentais e obrigações estruturais, mas tem também a marca da dádiva. A cooperação, as amizades e cumplicidades são partes intrínsecas de sua tessitura. A ciência não cresce por descobertas que demonstram o envelhecimento do paradigma dominante, sendo automaticamente substituído pelo novo por suas simples qualidades intrínsecas, como crê o senso comum. A ciência se tece por descobertas, por debates, pela construção de argumentos e “provas”, como também por relações pessoais entre pesquisadores que formam campos e capitais decisivos nos processos de hegemonia das ideias.

Finalmente, o princípio da dádiva pode ser encontrado nos espaços do mercado e do Estado. Afinal, os mercados e os entes privados e públicos que os compõem podem ser estudados não somente como abstrações, mas também como estruturas sociais, de acordo com as formas de interação entre os atores, as regras de coordenação, maneiras de negociação e de relacionamento (ABRAMOVAY, 2004). As políticas públicas ganham consistência em um processo complexo de resposta às demandas da sociedade, mas se tecem também por meio da troca de favores. As políticas são operacionalizadas pela dedicação de seus técnicos e dirigentes, como também pelo reconhecimento de seus subordinados. O Estado tem uma dívida social para com os membros da comunidade, e deve empenhar-se em resgatá-la; assim como os cidadãos têm uma dívida com a pátria, e devem pagar se chamados a defendê-la. Outra vez se faz presente a tríade de Mauss: dar, receber e retribuir.

Da mesma forma, os empresários estabelecem relações de amizade, de gratuidade, de satisfação entre si, que são fundamentais na realização dos negócios, na solidariedade entre eles. Tais relações, os marxistas denominariam de instinto de classe, presentes também entre os trabalhadores, porém, desenvolvidas significativamente nos meios empresariais, em que a concorrência e a disputa se fazem, ao mesmo tempo, em meio às amizades, afetividades e cumplicidades.

O que pretendemos aqui é suscitar o debate para o fato de que a cooperação entre empreendedores, além da concorrência e da rivalidade, é fundamental para a transmissão de conhecimentos, para o processo de inovação e para o aumento da competitividade. Tal observação já está registrada na literatura especializada, mas deve-se atentar, sobretudo, para o fato de que essa cooperação não é apenas instrumental, não se restringe a troca de informações, a realização de negócios em conjunto – possui também uma dimensão da amizade, da empatia, do afeto, da gratuidade, que marcam a obrigação da dádiva; e se manifesta na dedicação ao coletivo, à gestão dos interesses públicos, ao sacrifício familiar e pessoal na resolução de problemas da comunidade, que implica sempre um mútuo agradecimento.

Simulemos uma pergunta ao leitor e há grandes chances de ilustrarmos o argumento aqui exposto. Quando se pergunta: por que você decidiu cooperar com determinada pessoa (colega, vizinho, chefe) ou organização? A resposta, muitas vezes, traz elementos que passam despercebidos pela lógica utilitarista, com razões assentadas sobre laços de amizade, de parentesco, gentileza gratuita ou retribuição. Quando analisada a situação inversa, as respostas podem apoiar com ainda mais clareza o que se quer expor. Em outras palavras, quando se averiguam razões para a não cooperação, grandes são as possibilidades de explicações nada racionais, tais como falta de empatia, desconfiança, mágoas do passado. Daqui emerge outra questão: por que seríamos persuadidos a crer que a decisão de cooperar seria totalmente realizada por aspectos utilitaristas se a decisão de não cooperar perpassa campos além do utilitarismo racional econômico?

A inovação tecnológica, o processo de aprendizagem produtivo, o aumento da produtividade e da competitividade de aglomerações, arranjos ou sistemas produtivos, em que o local7 tenha uma dimensão particular, fazem-se não só pela cooperação que é construída por interesses instrumentais, egoísticos, racionais, sempre presentes e sempre valorizados pelos estudos e observações dos especialistas ou não especialistas, mas também pela obrigação da dádiva, alimentada pela identidade do local, pelo orgulho comunitário, pela responsabilidade com o bem comum, entre outros tópicos.

O paradigma alternativo aqui mencionado é propício a esse tipo de abordagem porque não pretende o monopólio, nem tem vocação totalitária. A noção da dádiva entende que os interesses instrumentais persistem, conformam as ações humanas tanto quanto as obrigações, mas não só. A dimensão da gratuidade, da dedicação, da empatia é também presente e constitutiva dessas relações locais. De certa forma, a dádiva é, simultaneamente, expressão de interesse e resultado de uma obrigação; e, ao mesmo tempo, é distinta. Nela predominam não somente os interesses instrumentais, mas aqueles relacionados ao prazer, à amizade, ao afeto, ao reconhecimento e à criatividade; e sempre é entendida como obrigação social. Quando participo de uma mesa-redonda em um seminário como palestrante, devo agradecer aos que me escutaram, mas também ao coordenador da mesa que me cedeu a palavra, que, por sua vez me agradece por estar presente e dispor de meu tempo para falar na mesa que ele coordena (sobretudo respeitando o tempo). Quem é o credor e o devedor nessa situação? Todos somos credores e devedores. Como no ato fundador de qualquer sociedade, de qualquer associação, de qualquer evento humano.

O paradigma da dádiva se constrói na confluência de duas vertentes interseccionadas: o interesse e o desinteresse, a obrigação e a liberdade, entendidas como quatro dimensões da ação irredutíveis umas às outras. Isso significa, em primeiro lugar, que a dádiva não é estranha aos interesses como motivação das ações humanas, mas apenas considera os interesses do ser tão dignos quanto os do ter, e localiza no âmbito da sociedade a sua existência sob formas variadas. De forma idêntica, não é estranha ao princípio da obrigação, como expressão da estrutura social. Apenas reclama o reconhecimento também da liberdade do ator no âmbito dessa estrutura, pois ela não é rígida, imutável, mas se constrói nas próprias ações humanas. Se a obrigação social é essencial para a reprodução da sociedade, para a recorrência dos atos humanos, para a criação de seu habitus, a liberdade é essencial para o processo de mudança, que se faz de maneiras diversas, inclusive por meio do desvio. Como gostam de citar os regulacionistas franceses, as relações do indivíduo com a sociedade se fazem no jogo da trama e da tessitura.

Simmel (1969) nos desperta a percepção de que conflito e cooperação convivem e se integram no tecido social, o que vale também para o mercado, ou para as relações estabelecidas entre produtores em uma arena. É de se pressupor que cooperação e conflito não se oponham radicalmente e que o tecido social não se forme exclusivamente com um ou outro tipo de relação. Neste sentido, Singer (2001) observa que uma sociedade baseada exclusivamente no princípio da competição seria inviável. A solidariedade é indispensável para a reprodução social, e isso não apenas nos espaços das sociabilidades primárias, como a família e o grupo de vizinhos e amigos, mas também nos espaços púbicos privados, como as empresas, ou nos espaços públicos estatais, como o Estado. A competição no interior das firmas é estimulada para garantir ao conjunto maior competitividade, mas essa seria inviável se ao lado dela não existisse a solidariedade, porque toda competição torna-se destrutiva ao ultrapassar determinados limites: por isso fomenta-se, simultaneamente, a competição e o espírito de equipe. Na forma piramidal das empresas, os lugares superiores são sempre menores que os inferiores, e aos vencedores são atribuídos os lugares mais elevados na hierarquia; porém, nenhuma empresa sobrevive apenas com os que ocupam os lugares dirigentes. Não existem firmas, partidos ou associações apenas formados de chefes. E em toda associação desenvolve-se um espírito de corpo que abarca o desinteresse ao lado do interesse, a liberdade ao lado da obrigação. Os japoneses, mais que outros povos, em determinado momento souberam associar a dimensão do interesse, como o da identificação, com o coletivo no processo produtivo — e tornaram-se referências mundiais.



5. Dados empíricos sobre a cooperação “desinteressada”

Finalmente, a fim de oferecer elementos empíricos para o leitor, ao lado da reflexão teórica, Costa (2009) e Costa e Nascimento (2010) constataram que as motivações das relações de cooperação estabelecidas entre microempresários e pequenos empresários na região Costa Norte (Lençóis Maranhenses, Parnaíba e Jericoacoara) não se reduzem aos interesses utilitaristas, mas também se relacionam com o bem público (meio ambiente e comunidade) e com a satisfação pessoal, para além dos resultados do negócio. Isso pode ser verificado no gráfico que segue (Gráfico 1).

Nos referidos estudos, as razões citadas para a cooperação pelos empresários também revelam traços coletivos ao apresentar um quinto das respostas preocupadas com a localidade, o meio ambiente ou a comunidade.

Gráfico 1 – Razões para cooperar na Costa Norte; Fonte: Costa e Nascimento (2010)

Algumas falas dos entrevistados demonstram que participam de ações conjuntas porque é necessário “um ajudar o outro”, chamando atenção para o componente da reciprocidade, que também esteve revelado por respostas como “indica porque é indicado”. Também estiveram presentes razões como “conhecer as pessoas” e “confiar na qualidade do serviço ofertado pelo parceiro”, que podem ser entendidas como o valor da reputação. Merece destaque o componente de reciprocidade que aflorou nessas respostas, mostrando que diversas MPE (microempresas e pequenas empresas) do turismo pesquisadas são levadas a cooperar quando percebem que as outras cooperam com ela, remetendo ao circuito da dádiva de dar, receber, retribuir. Apesar de serem evidências iniciais de pesquisas que ainda estão em curso, tais elementos encorajam a ampliação do paradigma empregado na interpretação das relações dentro de aglomerações produtivas e APL.

Fica explícito que, apesar de a cooperação haver sido explicada predominantemente por razões instrumentais ligadas à empresa, afloram outros componentes que necessitam de verificação mais ampla, especialmente valendo-se de métodos qualitativos que permitam aos entrevistados apresentarem respostas ainda não listadas e que, de certa forma, possam estar ligadas ao paradigma alternativo do qual este trabalho trata. Ou seja, a percepção ampliada da cooperação deverá vir aliada a novos métodos de pesquisa que permitam maior flexibilidade aos pesquisadores, tais como entrevistas em profundidade.



6. Conclusão

O artigo reflete sobre a apropriação do paradigma da dádiva na interpretação das relações de cooperação entre empresários ligados a pequenas empresas aglomeradas territorialmente. Tal abordagem amplia o espectro teórico de observação da realidade, já que permite que as questões da inovação tecnológica e da competitividade de aglomerações, arranjos ou sistemas produtivos sejam observadas tomando em consideração não apenas as dimensões da concorrência, que se sustenta no interesse ou no predomínio das estruturas (obrigação), mas também a dimensão da cooperação. Por outro lado, amplia a concepção da cooperação, pois embora sejam predominantes, as razões movidas por interesse não são exclusivas. Há outras motivações afora as da razão instrumental, indicando que o campo motivacional da cooperação é mais abrangente, e estudos empíricos constatam esta assertiva. Assim, a tríade de dar, receber e retribuir, que tece as relações de empatia, de prazer e de gratuidade presentes em todo o espaço do humano, é também parte constituinte da cooperação empresarial em APL. O artigo faz aflorar também a necessidade de diversificação dos métodos de pesquisa para que a verificação empírica ampliada possa ser realizada, abrindo o espectro de interpretação para outros paradigmas.

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1 Para simplificar, aqui se utiliza o termo APL tanto para arranjos quanto para aglomerações, sistemas ou distritos produtivos locais.

2 Há muitas experiências governamentais recentes nesse campo, mas sem sucesso. A transversalidade operacional continua a ser um dos maiores desafios da gestão pública. O programa para propiciar aos jovens o primeiro emprego é um exemplo notório de fracasso.

3 O livro de Poulantzas de fato é um ícone do marxismo-estruturalismo, mas não se pode deixar de fazer justiça ao fato de que nos escritos subsequentes o sociólogo grego abandona a concepção das classes como suportes das estruturas para introduzir a dinâmica dos atores sociais.

4 No original – Essai sur le don: forme et raison de l´échange dans les societés archaïques.

5 O MAUSS teve originalmente um boletim e agora se expressa por meio de uma revista denominada La Revue du MAUSS, além de artigos em outros periódicos e livros diversos. No Brasil, é possível encontrar artigos na revista Sociedade e Estado, do Departamento de Sociologia da UnB, assim como livros, entre os quais o organizado recentemente por Paulo Henrique Martins, um dos participantes da corrente, sob o título de A dádiva entre os modernos: discussão sobre os fundamentos e as regras do social. Petrópolis: Vozes, 2002. Ver também, deste mesmo autor, A humanização da medicina. São Paulo: Cortez, 2002.

6 Alain Caillé – Dádiva e associação, in Paulo Henrique Martins (Org.) – A dádiva entre os modernos: discussão sobre os fundamentos e as regras do social. Petrópolis: Vozes, 2002. A descrição desse paradigma está baseada fundamentalmente nos trabalhos de Caillé.

7 E não só, mas aqui preferimos nos restringir a esse aspecto das relações na proximidade espacial por ser este um dos elementos centrais de toda a teorização sobre os distritos industriais e APL.





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