­Est. Soc. [online]. 2013, vol. 2, n. 19

Crianças e negociações raciais a partir da telenovela Fina Estampa


CHILDREN AND RACE NEGOTIATIONS FROM THE FINA ESTAMPA SOAP OPERA 



Liana Lewis* 

Emanuele Cristina Santos do Nascimento**


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Resumo 

No contexto brasileiro um bem cultural, em particular, a telenovela, se constitui como um campo de representações que, diante de seu poder discursivo, e a partir da apresentação de seus personagens, possui grande contribuição na construção das identidades raciais. Duas perspectivas são válidas a respeito da relação das mídias com o racismo. A primeira é que ela atua apenas na reprodução do racismo, a segunda, utilizada por nós, considera a mídia como produtora desse fenômeno. O objetivo deste texto é analisar como crianças, no âmbito de uma escola privada, negociam a identidade racial a partir das representações da telenovela Fina Estampa da Rede Globo de Televisão.


Palavras Chave

Racismo. Mídia. Infância.

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Abstract

In the Brazilian context cultural property, in particular, the soap opera, is constituted as a field of representations that, before his discursive power, and from the presentation of his characters, has great contribution in the construction of racial identities. Two perspectives are valid on the relationship of the media with racism. The first is that it works only in the reproduction of racism, the second, used by us, considers the media as a producer of this phenomenon. The aim of this paper is to analyze how children as part of a private school, negotiate racial identity from the representations of the soap opera Fina Estampa of Globo TV.


Key Words

Racism. Media. Childhood.

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No trabalho The Work of Representation (2003) Stuart Hall observa ser a representação uma parte fundamental do processo de construção do sentido, da forma como este é produzido e intercambiado entre os membros de uma cultura. Tecendo uma crítica a teorias essencialistas que fixam o sentido, o autor clama pelo seu caráter eminentemente histórico, operando como uma base de compartilhamento da cultura. Assim, a representação consiste na produção de sentido dos conceitos em nossas mentes mediada pela linguagem. A linguagem é aqui percebida como essencialmente pública, como uma construção social, o sentido é construído através da utilização de sistemas representacionais.


É situada dentro desta dinâmica de um sentido compartilhado e através da contestação de produção, reedição e circulação de um discurso hegemônico que temos assistido ao longo da última década, no Brasil, a uma reclamação da comunidade negra de uma redefinição da política de identidade e projeto de sociedade. A base teórica alvo desta contestação tem sido o mito da democracia racial que com seu ideário de constituição do Estado nação a partir dos pressupostos da miscigenação elidem as dualidades raciais que constituem iniquidades de acesso a bens simbólicos e materiais da população negra (FERNANDES, 2008)1. Solo fértil para a legitimação deste mito é a ausência de mecanismos institucionais formais de segregação racial e uma etiqueta do cotidiano que se presentifica muito mais a partir de figuras de linguagem do que de uma territorialização formal.


De acordo com Hasenbalg (2005), ao passo que este mito tenazmente se opõe às evidências de hierarquizações estruturais e estruturantes das condições de existência entre negros e brancos, finda por responsabilizar a própria população negra pelos infortúnios que demarcam lugares desempoderados do cotidiano. Para o autor, subjacente ao mito reside um pressuposto de branqueamento que se notabiliza pelo julgamento moral e demarcação de espaços de poder a partir das matizes da pigmentação da pele. Assim, as chances de ascensão social de um determinado indivíduo seriam inversamente proporcionais ao seu conteúdo melanínico. O ideário do embranquecimento resultou em um processo de negação racial da própria população negra em favor do pressuposto da normatividade branca (FANON, 1986) e à própria elisão da categoria raça como constitutiva do ordenamento social, moral e econômico.


Esta política de identidade racial, apesar de hegemônica, não se reproduz sem contestação, sem um contra-discurso que lance as bases de uma nova comunidade imaginada e uma reclamação de um reposicionamento das instituições (entre elas, a midiática) em face da descontinuidade entre o discurso ideologizado (no sentido de falseamento da realidade) e as condições reais de existência da população negra. É neste contexto que a partir dos anos 90 existiu um empenho mais contundente do Movimento Negro em articular a sociedade civil (ONG’s, igrejas, organizações de bairros, universidades, prefeituras) em torno de ações direcionadas à população negra. Este movimento resultou em uma reivindicação mais articulada de ações afirmativas que se constituem em medidas, através de políticas públicas, que busquem uma redistribuição de direitos simbólicos e materiais em relação à população negra (JACCOUD, 2002).


No que concerne à produção midiática, a concepção de ação afirmativa (sob a égide da heteronomia da cisão racial), tem contestado a forma como a alteridade, a constituição de um imaginário sobre o povo brasileiro e as relações de poder estabelecidas no cotidiano entre brancos e negros são representadas nos meios de comunicação de massa televisivos (ALMEIDA, 2007; ANDRADE, 2009; TAVARES; FREITAS, 2003). Neste sentido, Joel Zito Araújo (2008), no artigo O negro na dramaturgia, um caso exemplar da decadência do mito da democracia racial brasileira, chega a qualificar de esquizofrênica a persistência do mito da democracia racial nas telenovelas com seu caráter embranquecedor. Atestando seu caráter de permanência o autor afirma que:


Examinar a representação dos atores e das atrizes negras em quase 50 anos de história da telenovela brasileira, principal indústria audiovisual e dramatúrgica do país, é trazer à tona a decadência do mito da democracia racial, sujando assim uma bela mas falsa imagem que o Brasil sempre buscou difundir de si mesmo, fazendo crer que a partir de nossa condição de nação mestiça superamos o “problema racial” e somos um modelo de integração para o mundo (ZITO, 2008, p.979).


É visando contestar esta continuidade da representação do mito da democracia racial que o movimento negro se reporta aos meios de comunicação de massa como forma de desafiar sua reprodução no cotidiano. No que diz respeito às análises acadêmicas das representações raciais, estas têm ficado especialmente circunscritas ao âmbito da produção, desconsiderando as formas como os grupos sociais, especialmente as crianças, se apropriam destes discursos negociando, através deles, as configurações das relações societais (neste sentido ver, por exemplo, ALMEIDA, 2007; ANDRADE, 2009; ARAÚJO, 2008; SODRÉ, 2000).


Os discursos sociais, através de diálogos socializantes, pronunciamentos parlamentares e programas de meios de comunicação de massa são imperativos na reprodução de lugares raciais hierarquizados. Estes discursos constituem elementos convincentes de atitudes estigmatizantes em relação aos grupos minoritários, especialmente à população negra. Esta supremacia permanece como estrutura desde que a população branca se mantém de forma contínua e globalizada como detentora da máquina e saber midiático operando assim como agente direto da desigualdade racial (DIJK, 1996). De acordo com Teun van Dijk, é […] através de acesso especial e controle sobre os meios de discurso público e comunicação, que grupos ou instituições dominantes podem influenciar as estruturas do texto e fala de uma forma tal que, como resultado, o conhecimento, atitudes, normas, valores e ideologias do receptor são – mais ou menos indiretamente – afetadas pelos interesses do grupo dominante (DIJK, 1996, p.85).


No caso brasileiro um bem cultural, em especial, tem servido de aporte hegemônico de representações identitárias, um local de excelência na batalha de legitimação e contestação dos bens culturais: as telenovelas (ANDRADE, 2009). Como afirma Silvia Borelli (2001), em seu artigo “Telenovelas brasileiras balanços e perspectivas”, as telenovelas brasileiras se apresentam como “novelas verdade”, nas quais suas narrativas dizem apresentar a vida “real” dos brasileiros. Estes bens culturais, especialmente os da Rede Globo de Televisão (que, apesar de vir perdendo espaço para outras emissoras, continua sendo líder de audiência neste gênero) são narrativas melodramáticas seriadas, exibidas diariamente com exceção dos domingos, em um período que se estende de 6 a 9 meses. Sua estrutura narrativa, herdeira dos folhetins e rádio-novelas, apesar de direcionadas ao público feminino adulto, contempla o complexo familiar como um todo (ALMEIDA, 2007). É este alcance que faz das telenovelas um campo complexo e polissêmico de produção e decodificação cultural, apresentando-se como um espaço representacional de diálogo entre os vários segmentos sociais.


No entanto, apesar das crianças serem assíduas expectadoras das telenovelas, existe um silenciamento dos estudos acadêmicos em relação a esta intersecção. Ao passo que existe uma certa consolidação a nível global acerca do estudo sobre criança e mídia (como se dão os usos das diversas mídias de massa nos seus cotidianos), como atesta a coletânea A criança e a mídia- imagem, educação, participação organizada por Cecília Von Felitzen e Ulla Carlsson (2002), ainda é escassa a literatura que tome as crianças como produtoras de sentidos sobre as representações midiáticas, especialmente aquelas relativas às telenovelas. Neste sentido, Marcuse (1998) afirma ser a mídia uma instituição central no processo de socialização. O autor elabora uma crítica à psicanálise no que diz respeito à família como constitutiva imperativa da subjetividade. Para ele, apesar de não contestar a centralidade da socialização primária, não é a família o principal locus de socialização, mas sim, os meios de comunicação de massa.

A telenovela se constitui como um campo de representações que, diante de seu poder discursivo, e a partir da apresentação de suas personagens, possui grande contribuição na construção das identidades raciais. A estrutura das telenovelas aborda o sistema social de maneira complexa constituindo, através de um jogo discursivo, um imaginário social que reafirma a democracia racial, ao mesmo tempo em que fortalece as relações hierárquicas entre negros e brancos (ALMEIDA, 2007). Além disso, temos o desejo pelo embranquecimento que se faz constantemente presente nessas narrativas.


Atualmente, podemos afirmar que os meios de comunicação, especialmente a televisão, participam de maneira direta no processo de socialização das crianças, pois o contato delas com esse bem cultural é de tamanha intensidade que seus efeitos são percebidos nas relações sociais que elas engendram. As crianças estão envolvidas num processo de socialização através dos quais várias instituições perpetuam valores e idéias compartilhados socialmente. Entre as instituições mais importantes podemos destacar a família e a escola, que hoje com o apoio das mídias disseminam esses valores e idéias (BELLONI, 2007). Diante disso é pertinente afirmar que, à medida que os meios de comunicação atuam nesse processo de socialização, esse agente tem influência direta na construção da identidade racial dessas crianças e na manutenção do racismo. Sendo assim, a estrutura dos estudos de socialização está sujeita a transformações admitindo que novos agentes interferem neste processo, além de considerar as crianças como sujeitos ativos. De acordo com Setton, para Elias,


pensar as relações entre a família, a escola e a mídia (e seus agentes) com base no conceito de configuração é buscar compreender o equilíbrio de poder entre elas, é entender o poder (enquanto relação) como uma característica estrutural das relações entre grupos e instituições (SETTON, 2002, p.111).


A questão racial faz parte da socialização das crianças, que por influência desses agentes midiáticos, atribuem significados aos elementos sociais negociando as relações nas quais estão imersas. Dessa forma, é importante problematizar a respeito da ação que esse aparelho socializante possui sobre as crianças interferindo na construção de sua identidade racial e contribuindo muitas vezes para as persistentes hierarquias da sociedade brasileira.


A questão racial e representação midiática como elementos constitutivos da socialização


Nesse estudo trabalhamos com o conceito de raça como:


uma categoria discursiva e não uma categoria biológica. Isto é a categoria organizadora daquelas formas de falar, daqueles sistemas de representação e práticas sociais (discursos) que utilizam um conjunto frouxo, frequentemente pouco específico, de diferenças em termos de características físicas – cor da pele, textura do cabelo, características físicas e corporais, etc. – como marcas simbólicas, a fim de diferenciar socialmente um grupo do outro (HALL, 2005, p.63).


O racismo, como fato social, apresenta-se nas representações e relações sociais que se estabelecem de maneira a afirmar a superioridade de determinados grupos, em detrimento de outros. É importante ter claro que a identidade cultural/nacional, se torna explicitamente violenta, caso se caracterize como diferencialista. Na lógica do racismo diferencialista, tipicamente norte-americano, o “outro” não tem espaço, é mantido à parte do ordenamento formal do sistema. No caso brasileiro, por seu turno, há uma forte influência do mito da democracia racial que tem como “pai” o sociólogo Gilberto Freyre. Esse mito prega que as relações raciais no Brasil se estabelecem da forma mais pacífica possível.


No Brasil o racismo assume um formato aparentemente mais cordial, ele é velado por práticas que negam a todo momento sua existência. Nesse país onde o mito da democracia racial permeia a realidade social, transfere-se toda a carga do preconceito de raça para o preconceito de classe. Dessa forma, o elemento racial é primordial para que o indivíduo seja vítima de práticas violentas, e ele “não se confunde completamente com a classe, dentro da própria classe desempenha um papel discriminador” (BASTIDE; FERNANDES, 1971, p.138). Hasembalg (2005), através de estudos estatísticos, alerta para a especificidade da dinâmica social baseada em raça ao demonstrar que num mesmo estrato social os negros são localizados hierarquicamente de forma inferior em relação à população branca. O seja, embora haja uma articulação entre raça e classe, estas se constituem em categorias distintas.


Duas perspectivas são válidas a respeito da relação das mídias com o racismo. A primeira é que ela atua apenas na reprodução do racismo, a segunda considera a mídia como produtora desse fenômeno. Aqui é pertinente afirmar que, “acontece com o racismo como em muitos outros fenômenos sociais: as mídias não agem aqui de maneira nem homogênea, nem unidimensional, elas participam de sistemas de ação nos quais estão em inter – relação com os tipos de atores” (WIEVIORKA, 2007, p.120).


Para compreender como as crianças se relacionam com as representações midiáticas sobre racismo realizamos uma pesquisa em uma escola privada da cidade do Recife2, de classe média e constituição predominantemente branca, onde os pais das crianças são, em sua maioria médicos, juízes, engenheiros e professores universitários. Nesse estudo procuramos apreender como crianças negociam a identidade racial a partir das representações telenovelísticas, tomando estas como agentes de socialização.


O trabalho de pesquisa se deu de forma que o contato com as crianças ocorresse de maneira cautelosa, centrando a atenção nos seus comportamentos nos horários de aula, durante os horários de recreação, em datas comemorativas, bem como em constituição de um grupo focal. Vale salientar que o método utilizado nas visitas feitas a campo foi o de observação participante, onde além de observar as suas relações pessoais e raciais no convívio escolar, a interação pesquisadora/crianças foi fundamental na percepção de como elementos raciais estão presentes nos grupos de pares.


As observações ocorreram numa turma de 17 alunos do 4º ano do ensino fundamental, com idade entre 7 e 10 anos, sendo a maioria delas brancas3 e do sexo feminino. Embora houvesse 7 crianças negras na turma, apenas 2 tinham os traços negros mais acentuados, sendo estas alvos constantes de discriminações onde o elemento racial se fez presente, embora de forma velada. As visitas à escola ocorreram num período de 9 meses, sempre no horário da manhã, duas vezes por semana. Vale destacar que o último mês de pesquisa ficou reservado exclusivamente para as realização do grupo focal.


A observação possibilitou posteriormente a escolha desse grupo focal composto por 7 crianças. Compuseram esse grupo, as crianças que preferencialmente assistissem a telenovela, mas que principalmente protagonizassem as situações (onde o elemento racial está presente) que mais se destacaram ao longo das observações. O limite de sujeitos se deu ao fato de que essa pesquisa visou apreender as sutilezas das interfaces das relações raciais dentro da escola, adotando, assim, um caráter eminentemente qualitativo.


Além disso, vale destacar que essa escolha se deu principalmente a partir da formação espontânea dos grupos de pares no horário da recreação, pois foi aqui que pudemos identificar os momentos onde as crianças utilizam do recurso racial para mediar suas relações. Foi nesse momento da pesquisa que foram realizadas entrevistas que possibilitaram revelar os fatores que estão presentes nas telenovelas e que interferem na socialização das crianças e na construção da sua identidade racial.


Como observamos, de acordo com Hall (2003), existe um compartilhamento dos sentidos que operam como uma base comum de compreensão da realidade. Este compartilhamento atua, muitas vezes, em forma de rede, com as diversas instituições reforçando uma determinada maneira de conceber o mundo. Assim, a escola privada, como aparato do Estado é um importante espaço de atualização das representações e hierarquias raciais (VERAS; ALBERNAZ; FARIAS; LEWIS, 2009), tanto através de mecanismos formais (currículo, Leis de Diretrizes e Base) quanto na execução de etiquetas que regem o cotidiano das crianças nos diversos espaços da escola.


Na relação professor/aluno, foi observada uma diferenciação do tratamento dispensado às crianças em relação à expectativa do desempenho escolar, atenção afetiva expressa através de carinho e repreensão diante de comportamentos inadequados das crianças. Nestes casos evidenciou-se uma predileção em relação às crianças brancas. Em relação à expectativa do desempenho escolar, observamos que existe da parte da professora uma valorização das crianças brancas, sendo estas consideradas como mais aptas intelectualmente, recebendo mais elogios e estímulos quando da execução das atividades escolares. As crianças negras, por outro lado, são consideradas como possuidoras de menos habilidades intelectuais, e, consequentemente, não percebemos expectativas positivas da professora em relação ao rendimento escolar.


No que diz respeito à atenção afetiva, percebemos uma clara inequidade de distribuição do afeto, sendo as crianças brancas alvos privilegiados do carinho da professora, com seus corpos sendo posicionados como merecedores de regras de aproximação, ao passo que os corpos das crianças negras são posicionados através de atitudes de distanciamento dos rituais de afetividade. As crianças negras são então posicionadas em um sistema de distinção racial sendo freqüentemente desvalorizadas por meio da violência simbólica, ou seja, da internalização da aceitação do lugar de autoridade do outro, hierarquizando as relações por meio de dispositivos não necessariamente físicos (BOURDIEU, 1989). Elas são então constituídas, nas palavras de Patrícia Hill Collins como “forasteiros do interior” (COLLINS, 2000 apud WILLET, 2005, p.278). Neste sentido, mesmo fazendo formalmente parte do espaço, não são posicionadas como sujeitos plenos deste.


Entre as crianças, temos uma situação de segregação das atividades de socialização, através da qual a gradação de cores implica em distinções de acesso às brincadeiras efetuadas pelos grupos de pares. Como exemplo, Rosa Coraline, garota preta de 10 anos, que tem sua fala constantemente interditada pelas outras crianças, tem sua participação com frequência boicotada pelo grupo de crianças brancas. Representativa, é a situação do jogo de totó4, sempre liderado por uma garota branca que interdita a participação dessa garota negra nas partidas que são bastante disputadas pelas crianças.


Em paralelo, existe uma explícita desvalorização do seu corpo, à medida que seu cabelo crespo, já foi alvo de chacota da parte de um menino branco, além de não ser considerado desejável pelas outras garotas, havendo uma interdição em tocá-lo. Aqui podemos destacar o ritual de valorização da branquitude através do carinho no cabelo entre as garotas brancas e uma exclusão da sua participação nesse espaço de afirmação de gênero e raça.


Em relação ao garoto negro, temos como exemplo, uma desvalorização da sua intelectualidade. Em sala de aula, quando da execução de tarefas, um garoto branco pergunta, em tom pejorativo a Caio, uma criança negra de 9 anos, se ele não sabe escrever, sendo que a pergunta em questão foi efetuada em tom de afirmação.


Estas etiquetas e estereótipos do cotidiano escolar encontram ressonância na forma como as personagens da telenovela pesquisada são representadas, operando como um mecanismo de afirmação mútua do lugar de exclusão da população negra. Vale destacar que a escolha da telenovela “Fina Estampa”5 se deu em decorrência de seu início ajustar-se com o início da pesquisa, que data do segundo semestre de 2011 e, principalmente, por optarmos pela análise do horário de maior audiência e consequentemente de maior interferência no cotidiano dos telespectadores.


A primeira dessas personagens chama-se Dagmar, uma mulher pobre, mãe solteira onde o sua sensualidade era posta em destaque a todo o momento. Outro personagem negro é Leonardo, o filho de Dagmar, que não possui representação expressiva, onde suas cenas sempre giram em torno de um personagem branco. Posteriormente temos o personagem “Edvaldo” que representa o homem negro sem estudo, mas com “grande potencial sexual” (apresentando uma atitude sexual exibicionista, e operando como objeto fetiche da mulher branca). Outra personagem que nos chama atenção é a “Dona Zilá”, senhora mística, possuidora de dons extraterrenos, onde se destaca o seu profundo contato com a natureza. Por fim temos “Mônica”, uma advogada, que embora ocupe uma posição privilegiada no sistema de classes, a trama retrata essa personagem como um ser sem história, sem família, possuído apenas vínculos profissionais com outras personagens.


Durante o grupo focal6, na auto declaração racial, no caso das crianças que de forma inquestionável seriam percebidas pela população mais ampla como pretas, estas lançam mão de um recurso metonímico substituindo a cor preta por branco e pela categoria eufêmica “morena”. Ao perguntar a Caio qual seria sua cor, e diante de sua resposta “branco”, as crianças riem, demonstrando uma incoerência em relação ao seu grupo de pertencimento racial. Esta negação da negritude, tenazmente abordada por Frantz Fanon (1986), como valorização da norma branca, constitui-se como um recurso recorrente nas telenovelas, onde as personagens negras são usualmente denominadas através de jogos de cores que insistem em negar a afirmação da raça negra.


A categoria “morena”, utilizada recorrentemente pela população no cotidiano, aparece com frequência na trama. Dentre as personagens negras, a de maior relevância, Dagmar, protagonizada pela atriz Cris Vianna, era denominada de morena, sendo a música tema desta personagem intitulada de “Flor Morena”. Quando da entrevista, Rosa Coraline se intitula morena, mesma denominação utilizada pelas garotas pardas do grupo focal, que em uma matriz fenotípica (cor de pele, textura de cabelo) se aproximam mais da raça branca.


O jogo identitário é atualizado a partir de um processo dialético de oposição ente pólos, onde na constituição do grupo de pertencimento a presença do Outro é necessária como afirmação do mesmo através da alteridade (WOODWARD, 2002). Neste sentido, ainda no processo de auto declaração das crianças, Thiago, 9 anos, se denomina de “todo brancão”. Não existem metonímias, muito menos eufemismos para a afirmação da identidade branca, ao contrário ela é hiperdimensionada, atestando seu irrefutável caráter positivo.


Quando perguntadas sobre a predileção em relação às personagens, houve uma valorização das características raciais brancas quando da descrição dos atores. De forma unânime a personagem favorita foi Patrícia, representada pela atriz Adriana Birolli, quando foram destacados o cabelo liso, sutilmente ondulado, os olhos claros e a sua inteligência. Ana Beth, 9 anos, parda estabelece uma direta associação entre a beleza da atriz e o fenótipo racial. Quando indagada o por que de Patrícia ser bonita, ela responde:


Ana Beth: É por causa do cabelo dela.

Pesquisadora: E como é o cabelo de Patrícia?

Ana Beth: Ele é meio liso em cima e cacheado em baixo.


Em sequência, é estabelecido um diálogo entre as crianças acerca da valorização do cabelo liso.


Pesquisadora: E as meninas o que é que vocês acham o que é um cabelo bonito?

Marina: Um cabelo brilhoso.

Pesquisadora: Sim, mais o que?

Marina: Cheiroso, liso. Não muito liso.

Júlio: Igual ao dele.

Thiago: É o meu é liso, desininhado.

Júlio: Passa o pente.

Pesquisadora: E o que é cabelo ininhado?

(nessa hora todos falam ao mesmo tempo)

Caio: É um cheio de nós.

Júlio: Parece uma ovelha.

Ana Beth: É feio.

Júlio: Como uma ovelha.

Maria: Eu acho cabelo bonito é cabelo sedoso, que não seja ininhado! E que seja brilhoso e liso.

Pesquisadora: Agora espere aí, se falou de cacheado, se falou de liso, mas ninguém falou de cabelo crespo.

Rosa Coraline: Vixe tia.

(Todos falam ao mesmo tempo em tom de repulsa ao cabelo crespo)

Pesquisadora: Cabelo crespo não é bonito não?

Maria: Tem certos penteados que podem fazer o cabelo crespo bonito.

Pesquisadora: Certo. Tipo o que?

Maria: Tipo... Um rabo de cavalo.



Este diálogo foi representativo da valorização de outras personagens brancas a exemplo de Theodora, representada pela atriz Carolina Dickman. A valorização das personagens brancas foi evidenciada não apenas pela adjetivação positiva dos seus corpos, como também pela recordação racial seletiva. Enquanto que as personagens negras além de não serem citadas pelos alunos, quando indagados pela pesquisadora, demonstravam não recordarem-se da existência dessas personagens. Quando enfim recordavam, as características atribuídas não eram positivas. Devido a esse fato utilizamos também do recurso da apresentação de imagens com as personagens da telenovela para podermos apreender mais características que as crianças atribuíam às personagens da trama. Em relação a Dagmar, após as crianças a qualificarem como alguém que cozinha bem (a personagem era conhecida por fazer empadas) elas observam:


Caio: A mulher era gostosa? (Tom de ironia)

Júlio: Ela era negra.

Thiago: Ela era fedorenta, ela era chata.



Ao se referirem ao preconceito sofrido por Dagmar em relação a outro personagem da trama as crianças afirmam:


Pesquisadora: Ele não gostava dela.

Júlio: Porque ela era negra.

Pesquisadora: Porque ela era negra. Não era?

Júlio: Era.

Caio: Ela era fedorenta.

Pesquisadora:Fedorenta?

(risadas dos outros alunos)

Pesquisadora: Quem disse que ela era fedorenta?

Marina: Caio.

Julio: Ela não era fedorenta não.

Pesquisadora: E Caio não assistiu à novela. Por que você acha que ela era fedorenta?

Caio: Só tô chutando.

Julio: Ela era mais cheirosa do que tu.

Marina: Como você vai sentir o cheiro da televisão? Você também nem assistiu.


Vale destacar que em relação às personagens brancas da trama, percebemos que mesmo quando elas não são as personagens principais, as crianças lembram de todas e em momento algum se referiram de forma pejorativa a tais personagens. Já em relação às personagens negras, a reação unânime é permeada de risadas e comentários que não valorizam o fenótipo negro. Dessa forma percebe-se que o ideário branco está presente nessas tramas e influencia diretamente na construção da identidade racial dessas crianças. Quando indagadas sobre Dona Zilá, personagem de Rosa Marya Collin, as crianças estabelecem o seguinte diálogo:


Pesquisadora: Essa daqui alguém sabe quem é?

(Risos de todos)

Thiago: É um monstro.

(Risos de todos)

Por que ela é um monstro?

Thiago: O cabelo dela parece uma montanha de fogo.

(Risos de todos)

Pesquisadora: O cabelo dela parece o que?

Thiago: Um monte de árvore de fogo.

(Muitos risos)

Pesquisadora: Vocês não lembram que é essa não?

Não. (todos)

Ana Beth: Eu não.

Maria: É uma barraqueira.

Ana Beth: Eu não conheço.

Rosa Coraline: Quem é tia?

Pesquisadora: Eu vou dizer o nome dela. O nome dela é Dona Zilá.

Maria: Dona o que? (em tom pejorativo)



Esta redução negativa das personagens negras a uma determinada característica, é o dispositivo conhecido como estereótipo. De acordo com Hall (2003), o estereótipo reduz e fixa a diferença como forma de conter a ansiedade diante do Outro. Ao ser apresentada a foto do ator Vitor Hugo que representa Leonardo, filho negro de Dagmar é observado:


Pesquisadora: - E esse?

(Muitos risos)

Thiago: Esse é o Tio Omolu.

(Muitos risos de todos os alunos e percebe-se que eles concordam.)

Thiago: Esse é o tio Omolu de dança. (se referindo ao professor de dança deles.

(Todos continuam rindo muito)

Ana Beth: Ele ta dizendo só por causa do cabelo.

(Risos)

Pesquisadora: Por causa do cabelo? O que é que tem o cabelo dele?

(Risos)

Pesquisadora: Thiago fez assim, como se fosse bem grande foi? Botou os dedos pra cima.

(Risos)

Thiago: Tipo, como é o nome daquele, Michael Jackson. Ah! Michael Jackson. É estilo Michael Jackson.

Pesquisadora: É estilo Black Power? O que é que vocês acham desse estilo de cabelo?

Thiago: Meio doido.

Rosa Coraline: Sei lá tia.

Marina: Eu acho meio doido.

Caio: É de Hip Hop.

Pesquisadora: Por que meio doido?

Caio: É de roqueiro.

Ana Beth: Porque ele é todo bagunçado.

Marina: Todo pra cima.



O elemento racial se faz presente nas telenovelas através das representações estereotipadas e ocupações desiguais das personagens negras e também das suas relações desiguais com as personagens brancas. Um elemento constitutivo das telenovelas desde sua origem, o mito da democracia racial, ratifica a supremacia branca e nega a existência do “problema racial” na sociedade brasileira. Embora reconfigurado, hoje esse mito ainda persiste e representa um entrave na percepção de que o convívio entre a diversidade racial brasileira não é pacífico, além de obscurecer a gama de estereótipos que as personagens negras carregam.


A partir dessa reprodução e produção de ideais racistas pela telenovela, a apreensão de seu conteúdo por parte das crianças representa uma complexa matriz de referência no processo de construção da identidade racial, pois à medida que o perfil valorizado nas tramas é o branco, a criança negra não irá se perceber no que está sendo ali valorizado. Ou seja, a criança negra vai se identificar justamente com o que é valorizado, o branco, passando assim por um processo de embranquecimento.

Se, é através da socialização que as crianças se apropriam e constroem elementos racistas, o contato delas com esse aparelho socializante, que atua no movimento de negação do negro, faz com que reproduzam no seu convívio escolar ações de afirmação da raça branca. Aqui é importante ter claro que as crianças, ao contrário dos adultos, não sabem tornar mais sutis certos sistemas, e assim deixam transparecer mais claramente elementos de discriminação racial. Como afirma Hofbauer (2007, p.184) “já não é preciso comprovar a todo momento que existe discriminação racial. Mas mantém-se o desafio de desenvolvermos nossas reflexões teóricas sobre o racismo.”


Conclusão


A redução negativa dos personagens negros das telenovelas a uma determinada característica é o dispositivo conhecido como estereótipo. De acordo com Hall (2003), o estereótipo reduz e fixa a diferença como forma de conter a ansiedade diante do Outro. O racismo é materializado através de uma rede discursiva que opera materialmente no cotidiano das crianças negras afirmando um lugar de exclusão. Conforme argumentado ao longo do texto, a representação não apenas reproduz a realidade, ela a constitui, demarcando hierarquias raciais e reforçando etiquetas do cotidiano.


Nos diálogos das crianças evidenciou-se uma primazia do marcador de diferença racial como forma de categorizar os grupos humanos. A contínua reincidência desta hierarquização atesta que raça adquiriu um status ontológico que permeia o imaginário dos vários agrupamentos humanos posicionando-os em lugares hierarquizados quanto acesso a bens simbólicos, materiais e à constituição da subjetividade. As várias instituições, dentre elas a midiática e a escolar muito frequentemente utilizam a categoria raça como norteador das relações sociais.


Como afirmado por Fanon (1986), na obra que afirma que, desde o colonialismo europeu, o negro é arrancado pelo branco do lugar de humano, esta diferenciação constitui os brancos como humanos e os negros como fora do jogo dialético, só sendo possível a existência destes a partir da identificação com o branco. Como resultado, assim como observado no cotidiano escolar, nas representações telenovelísticas, bem como nos diálogos das crianças, ser plenamente humano depende do grupo racial de pertencimento e este ideia de pertença nos constitui a todos, posicionando-nos cotidianamente em dualismos de cores.


* Professora Adjunta da Universidade Federal de Pernambuco.

** Graduada em Ciências Sociais (Bacharelado) pela Universidade Federal de Pernambuco.

1 Democracia racial é o termo utilizado para uma situação de harmonia racial quando não há a persistência das desigualdades raciais, situação essa que no Brasil está apenas no campo imaginário (FERNANDES, 1972).

2 No intuito de observar a ética da pesquisa com crianças preservamos a confidencialidade através da modificação do nome da escola, bem como de todos os participantes. Também nos certificamos de não submeter as crianças a nenhuma pergunta que pudesse trazer qualquer constrangimento.

3 Vale destacar que a classificação racial realizada nesse trabalho está de acordo com a classificação do IBGE, através da qual as cinco categorias mais utilizadas pelos entrevistados foram branca, preta, parda, amarela e indígena e 74% dos entrevistados tomam a cor da pele como elemento principal de definição da sua cor ou raça.

4 Jogo baseado no futebol, que consiste na manipulação de bonecos presos a manetes, permitindo “o jogo de futebol” numa mesa, podendo ser jogado de duas a quatro pessoas.

5 A telenovela fina estampa foi transmitida pela Rede globo de Televisão durante os anos de 2011 e 2012. Essa trama tinha como personagens principais a “Grizelda Pereira”, mais conhecida como “Pereirão”, representada pela atriz Lilía Cabral; Tereza Cristina, representada por Christiane Torloni e René Velmont, representado pelo ator Dalton Vigh.  A trama conta a história de Grizelda, mulher pobre que criou seus três filhos sozinha. Ela é conhecida por ser uma mecânica que realiza todo tipo de reparo, seja ele mecânico, elétrico ou hidráulicos. Por conta disso, ela era conhecida como “marido de aluguel”. Essa mulher muda de vida a partir do momento em que ganha na loteria. Grizelda tem um relacionamento amoroso com René Velmont, ex-marido de Tereza Cristina, a antagonista da trama. Por conta disso, Grizelda é atormentada por toda a trama pelos planos criminosos de Tereza Cristina

6 O grupo focal constituiu-se de 7 crianças, sendo 3 garotas pardas, uma preta, 2 garotos brancos e um preto. Foi efetuada no horário do recreio, em sala fechada para manter a privacidade das informações. É importante ressaltar que foi fornecida uma autorização por escrito dos responsáveis por cada criança.



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Artigo recebido em: 10/10/13

Aprovado em: 20/12/2013

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@ 2012 - PPGS - Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE.

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