Est. Soc. [online]. 2013, vol. 2, n. 19


O JOGO DA DEMOCRACIA: impressões sobre os protestos recentes no Brasil1


GAME OF DEMOCRACY: IMPRESSIONS ABOUT THE RECENT PROTESTS IN BRAZIL


Roseane Xavier2


Resumo

O artigo trata dos protestos de junho de 2013 no Brasil a partir de algumas impressões dos manifestantes nas redes sociais, pontuando, a partir delas, os seguintes aspectos: o “estranhamento” com a “falta de eixo” do movimento; as denúncias de cooptação (“golpe”); crise ética e apartidarismo; controle social e violência. Tais questões são abordadas à luz de alguns dos elementos de teorias clássicas e contemporâneas dos movimentos sociais. O argumento central, porém, traz à baila o conceito derridiano de jogo e seus desdobramentos no conceito de hegemonia pós-gramsciano: a existência de vários conteúdos que disputam o preenchimento de um centro, o “significante vazio”; um centro que desempenha o papel simbólico e contingente de imprimir unidade à pluralidade caótica e angustiante do social; e um social que pode se redefinir jogando as regras do jogo ou indo além do instituído, subvertendo e renovando a própria democracia.


Palavras-chaves

Protestos. Democracia. Discurso.

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Abstract

This article discusses the protests that took place in June 2013 in Brazil. Based on some impressions of the protesters on social networks, the text points out: the 'strangeness' about the lack of axis in the protests;reports of co-option ('coup'); ethical crisis and non-partisanship; social control and violence. These issues are addressed from the perspective of classical and contemporary theories of social movements. The central argument, however, relies on Derrida's notion of game and its consequences on the neo-gramscian concept of hegemony: the existence of various contents disputing the filling of a center - the ‘empty signifier’; a center that plays a symbolic  and contingent role of give unity to the chaotic social plurality; and a social that can redefine itself by playing game’s rules or going beyond of the establishment, subverting and renewingdemocracy.


Keywords

Protests. Democracy. Discourse.

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1. Introdução


Logo após os protestos do último dia 20 de junho, que levaram cerca de um milhão de pessoas às ruas, acompanhei, como internauta e usuária de redes sociais (Facebook e Twitter), a sensação de estranhamento e incômodo impreciso por parte dos manifestantes. Esse sentimento parecia ter eco na perplexidade dos políticos (independente de partidos) e da mídia, que se mostravam surpresos e atônitos diante da grandiosidade do movimento, seu caráter espontâneo, sua heterogeneidade e horizontalidade.


Entre parcela dos manifestantes, expressões como “tudo muito estranho” e “abaixo o golpe!” tornaram-se recorrentes. No Facebook e no Twitter, essas “tags” estavam, em geral, associadas à impressão de falta de rumo e de um eixo comum aos protestos; à confusão e polêmica entre apartidarismo e anti-partidarismo; à violência policial; e à “denúncia” de tentativas de diversos atores (mídia, partidos, outros movimentos) de cooptar e pautar as manifestações com demandas “vazias” ou “partidárias”, neste último caso voltando-o contra a presidente. Assim, em meio à pluralidade do que o movimento buscava, emergia algo que (na visão de uma parcela) ele não defendia: “Não é contra Dilma”. A essa altura, as atenções de manifestantes e da mídia voltavam-se para o esperado pronunciamento oficial da presidente sobre as manifestações.

A mim, provocava certo estranhamento o dito “estranhamento”, uma vez que a pluralidade e o poder das redes sociais já se faziam notar no Brasil, por exemplo, nas marchas contra a corrupção e marchas das vadias entre 2011 e 2013. Mais que a intensidade das recentes manifestações, causava-me consternação o fato de os políticos mostrarem-se tão profundamente surpresos e desconhecedores não apenas dessas tendências, mas, sobretudo, do nível de insatisfação popular, num tempo em que a política institucional se faz pautada, em grande parte, por pesquisas de opinião pública – aí incluídas, notadamente após as eleições de Barack Obama, as pesquisas de “conteúdo” e “sentimento” das mídias sociais. Sem dúvida, o “susto” decorreu também da rapidez de articulação e da proporção que assumiram os atuais protestos. Ainda assim, é surpreendente que a classe política tenha se revelado tão embaraçada diante do fenômeno e aparentemente tão distante desse universo.


Essas questões, seguidas das críticas ao esperado pronunciamento, puseram-me a pensar sobre o papel da imprensa, o poder das redes sociais (seja para a mudança, seja para a manutenção do status quo) e, especialmente, sobre democracia no Brasil: qual a que temos (sim, temos uma) e qual a queremos?


Sem a pretensão de dar resposta a essa pergunta, ao escrever este texto penso principalmente na ameaça de golpe propalada por parcela dos manifestantes e no que entendo como jogo democrático. Com o conceito de jogo, não pretendo uma referência ao racionalismo estratégico (ELSTER, 1989; McADAM et al, 2009), embora não o menospreze. Considero antes a ideia de jogo de Derrida e seus desdobramentos no conceito de hegemonia pós-gramsciano: a existência de vários conteúdos que disputam o preenchimento de um centro, o “significante vazio”; um centro que desempenha o papel simbólico e contingente de imprimir unidade à pluralidade caótica e angustiante do social; e um social que pode se redefinir jogando as regras do jogo ou indo além do instituído, subvertendo e renovando a própria democracia (DERRIDA, 1971; LACLAU e MOUFFE, 1987; LACLAU, 2008).


2. Qual crise?


Tornou-se reconhecido que a revolta com a repressão policial aos primeiros protestos (cujo estopim foi o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo e no Rio) explicaria, em parte, a ampla adesão às manifestações seguintes. A intensidade dessa adesão, porém, não seria possível sem um sentimento latente comum que funcionasse como combustível. Essa foi, aliás, uma menção corrente nas primeiras leituras sobre os protestos nas redes sociais e nas colunas dos principais jornais de circulação nacional: a manifestação estaria movida por “um sentimento”, mais que “uma causa” definida, diferente de experiências como o Movimento Diretas Já e o Fora Collor. Qual sentimento? É a pergunta que muitos ainda fazem, procurando a “unidade” do que chegou a ser chamado de “massa amorfa e sem rumo”.


Num primeiro pronunciamento sobre as manifestações, a presidente Dilma Rousseff defendeu que a insatisfação generalizada é resultado de conquistas recentes, em alusão a supostos avanços alcançados durante os governos do PT.3 “Feliz é um país que tem um povo que se manifesta e que vai às ruas querendo mais”, disse também o ex-presidente Lula.4 Voltemos aos clássicos: para James Davies (1971), ações revolucionárias ou de protesto são mais comuns quando, após uma fase de desenvolvimento econômico e social (ou percepção de), ocorre um período de retrocesso ou ameaça de perdas, provocando o sentimento de privação relativa. Na mesma linha, Robert Merton (1970) defende que o sentimento de privação relativa é formado a partir dos grupos de referência: quanto maior a heterogeneidade na distribuição de benefícios e recursos – isto é, quanto maiores os contrastes –, maior a frustração, o sentimento de injustiça e a possibilidade de eclosão. Como mostram os estudos contemporâneos da ação coletiva5, essas teses não explicam por que nas mesmas situações um grupo se manifesta e outro não. Mas, na atual conjuntura nacional, sinalizam a importância de alguns dos temas frequentes nas manifestações, particularmente o contraste entre, de um lado, o retorno da inflação, aumento do custo de vida, perda de qualidade de vida relacionada à mobilidade social e precariedade dos serviços públicos; e, de outro, a suntuosidade das obras para a Copa e os benefícios usufruídos pela classe política.


Para Marx, necessidades humanas, consciência das contradições e consciência de si estão na base das revoluções. Para Durkheim, é a anomia uma das principais razões de crises individuais e coletivas. Considerando que há uma crise subjacente às manifestações, ao que parece, ela agrega todos esses elementos. O termo crise é recorrente nos esquemas conceituais clássicos da teoria sociológica e, em particular, das teorias da ação coletiva. Entre crise econômica e crise moral, instabilidade política ou a noção de crise sistêmica, um mapeamento do termo nos levaria de Aristóteles (lei como produto da crise e da divisão da vida ética) ao Iluminismo:


[...] Marx se encontra também na raiz das teorias sociais científicas sobre crise. À medida que estas se desenvolvem, a separação entre teoria e crítica é ressaltada de forma ainda mais aguda do que na filosofia da história do próprio Marx. Mas o que foi separado na teoria ainda se une na prática política: não pode haver crise sem diagnóstico de crise. Um diagnóstico de crise representa uma vigorosa posição explicativa. Ele não visa um fim da história, mas uma história capaz de funcionar como justificativa para ações políticas dos que vivenciam a crise. Nesse sentido, a filosofia de Kant já era uma filosofia da história, pressupondo que o tribunal da razão crítica julga argumentações e não pessoas. De agora em diante, crise e crítica encaixam-se em diferentes categorias. [...] Enquanto a crise diz respeito a se uma forma de vida social pode ser ou não ser, a crítica só se preocupa com a validade dos argumentos, se são “verdadeiros ou falsos”, “precisos ou imprecisos”. Essa distinção é notoriamente ignorada pela metacrítica conservadora do Iluminismo. Essa crítica fundamental, presente em Nietzsche, Carl Schmitt e Michel Foucault, concebe a argumentação e a crítica como guerra (polemos), como luta por existência e poder. Tal como a filosofia da história que critica, ela combina crítica e crise e, assim, vê na crítica a verdadeira crise dos tempos modernos. (BRUNKHORST in OUTHWAITE e BOTTOMORE, 2000:157).


A crise, portanto, não pode ser compreendida em termos meramente econômicos, mas num sentido complexo que envolve as dimensões política, ética e cultural. O apartidarismo do movimento chamou a atenção para um aspecto mais profundo, que vai além da questão urbana e aponta para o dito “sentimento”: a baixa confiança nas instituições políticas que atinge as democracias em todo o mundo. As manifestações nacionais e internacionais forjadas através das mídias sociais nos últimos anos são marcadas pela rejeição aos modelos formais de participação e pela descrença na política em sua forma institucionalizada (Estado e partidos). Estudiosos dos movimentos sociais destacam que, no Brasil e fora dele, as décadas de 1980 e 1990 presenciaram uma forte incorporação dos discursos dos movimentos sociais pelo Estado, findando na institucionalização de suas demandas, na anexação de seus líderes às instituições governamentais e na transformação de identidades políticas (inovadoras, espontâneas) em políticas de identidade (institucionalizadas, padronizadas, mediadas pelo Estado) (BURITY, 2002). No Brasil, a corrupção política, percebida de forma estanque da cultura do “jeitinho brasileiro”, surge como vetor desse descrédito e do desencanto com a política partidária. Diante da descrença nos partidos, uma questão a ser posta, já antecipada por Claus Offe em meados dos anos 1970, é: quais os canais e mediadores legítimos entre Sociedade e Estado? Quais as alternativas ou modelos viáveis?


Más que especular sobre la deseabilidad comparable de modelos de no-partido o de partidos no competitivas anarquistas, sindicalistas, de democracia de consejos o leninistas, analicemos ahora la viabilidad futura de esta forma de organización en si misma – su potencial para construir e actuar de mediador, su tipo de autoridad política que no interfiere con los presupuestos institucionales de la economía capitalista. La question es, en otras palabras, si el lazo institucional que ha permitido coexistir al capitalismo y la democracia política en los países capitalistas más avanzados durante la mayor parte de los últimos años, es previsible que continúe permitiéndolo en el futuro. (OFFE, 1990:66)


Estas questões reforçam a importância da sociedade civil e remetem àquilo que Ernesto Laclau e Chantal Mouffe chamam de “democracia radical”. Aliando os conceitos de jogo das diferenças de Derrida e de hegemonia de Gramsci, esses autores reabilitam em um novo esquema conceitual as noções de discurso e sociedade civil, integrando-os a uma teoria da identidade que enfatiza a pluralidade do social e a autonomia das esferas sociais como traços das sociedades contemporâneas. Para eles, o político, espaço de luta pela fixidez de sentido, constitui-se pela complementaridade entre duas lógicas complementares: a diferença e a da equivalência. Por um lado, há uma tendência no sentido de autonomia da parte de posições distintas de sujeito; de outro, existe a tendência a fixá-las, através de práticas articulatórias, como momentos de uma estrutura discursiva unificada.


Fugindo de uma rigidez conceitual que ofusque tanto a apreensão do “novo” quanto de suas relações com o “antigo”, parece-me profícua a leitura de Breno Bringel (2011). Retomando Castoriadis, o autor propõe tratar a polêmica entre institucionalização e autonomia a partir da relação instituído e instituinte, considerando igualmente importantes tanto os movimentos sociais que promovem mudanças nas democracias já existentes (por exemplo, através da cooperação e integração nas políticas públicas) quanto aqueles que visam criar novas formas de participação ou de democracia, o que coloca esta última como produção social e coletiva.


3. “Saímos da rede e fomos às ruas”


Num retrato parecido com o fim da história, Augé (1992) aborda a supermodernidade como o surgimento de um “não-lugar”, espécie de esfera pública onde transitam sujeitos organicamente conectados pela complexa rede do desenvolvimento tecnológico, individualizados pela fluidez dos laços, pela urgência do tempo e pela flexibilidade e impessoalidade de locais. Uma espécie de grande e agitada avenida por onde passam todos e todos são ninguém – transeuntes anônimos, identificados apenas pelos equipamentos institucionais de regulamentação e sistematização da vida (senhas pessoais, documentos, cartões, sinais de trânsito, placas indicativas etc.). Essa dicotomia parece bastante representativa de como concebemos o online e o off-line, como a referência a um duplo. Mas, embora seja o traço distintivo da supermodernidade, o não-lugar bebe do lugar sua linguagem. Lugar e não-lugar, diz Augé, nunca existem em sua forma pura.


Os estudos sobre identidades na internet apontam-nas como mais fluidas, inclusive porque podem ser “mascaradas”. Essa característica não seria uma particularidade do ciberespaço, e sim um definidor do sujeito na pós-modernidade, marcado pela pluralidade, entrecortado pela participação em diversas esferas sociais (trabalho, igreja, grupos de referência) cuja força e expressão não são pré-determinadas – a autonomia de que falam Laclau e Mouffe. Por isso mesmo, segundo Melucci (2001), o acesso à conexão em rede tanto potencializa as possibilidades de agregação e mobilização e o seu alcance, como as torna mais fracas e efêmeras.


Admitir a autonomia das esferas sociais e a fluidez das identidades, entretanto, não implica em conceber o universo online como uma dimensão paralela e caótica sem vínculos com o mundo concreto. O sujeito online tecla de algum lugar, entendendo-se por isso não uma trajetória linear no mundo vivido, mas posições sociais no momento em que ele se relaciona e se comunica (ou que se isola, emudece e se torna invisível). As manifestações recentes no Brasil contrariam a noção de não-lugar de Augé e transbordam para lugares com identidades próprias: as cidades, as praças, os símbolos de poder político ou econômico. As dimensões cultural, política e econômica permanecem entrelaçadas por trás das identidades fluidas características das redes sociais.


Ainda assim, responder quem são e quais as posições de sujeito dos manifestantes pode ser uma tarefa hercúlea, mesmo quando eles se mostram nas ruas. Sem mencionar os movimentos identitários (gênero, raça) e de luta pela terra, a história dos protestos e movimentos sociais no Brasil mostra que jovens, universitários e classe média aparecem como importantes categorias. Dessa vez, nenhuma dessas categorias assumiu centralidade. As “redes sociais” é que surgiram como o sujeito, este que não se sabe quem é, como se formou e, para muitos, a que veio precisamente. Contudo, algumas distinções podem ser importantes, exatamente para evitar a homogeneização do que se destaca pela heterogeneidade.


  • Primeiro, e parece óbvio, tratou-se de um movimento urbano; se a questão é a redefinição do político e da democracia desejada, vale lembrar que as aspirações do campo não estiveram presentes, e não sabemos em que medida o campo se sente representado. 


  • Segundo, embora não tenha sido caracterizado como um movimento de classe, não se pode ignorar que os menos escolarizados e as classes mais baixas (C2 ou baixa classe média e D/E ou faixa vulnerável, com renda até dois salários mínimos6 e principais beneficiários dos programas sociais do governo), foram minoria nas manifestações, segundo pesquisa do Ibope.7 


  • Por fim, importa mencionar os problemas de acesso. Segundo dados do Centro de Estudos Sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), em 2012 apenas 40% dos domicílios dispunham de internet, com distribuição que acompanha as desigualdades regionais: 48% no Sudeste, 47% no Sul, 39% no Centro-Oeste, 27% no Nordeste e 21% no Norte.8


4. “Tentativa de golpe” ou jogo da democracia?


Pergunto-me se os manifestantes dos Caras Pintadas não experimentaram estranhamento semelhante aos mencionados pelos manifestantes de junho desse ano e se não notaram as mesmas contradições.9 Naquele momento, não existiam redes sociais onde todos pudessem “pensar alto”, expressando livremente e em profusão suas impressões, leituras e registros. O Caras Pintadas tinha as marcas dos movimentos de sua época: lideranças definidas; organização de base vinculada a entidades de esquerda (União Nacional dos Estudantes, partidos, sindicatos); manifestações com mais tempo de maturação; e, sobretudo, girava em torno de um momentâneo consenso, uma demanda pontual e clara: o Fora Collor, com legitimidade pautada em denúncias de corrupção. Estive nas passeatas daquele ano e lembro o incômodo frente ao que a mim e a outros às vezes parecia mero efeito da moda/onda, com exaltação de uma brasilidade construída pela mídia: verde e amarelo no rosto, bandeira em punho e hino nacional aos quatro ventos. Como agora, muitos acusavam a Rede Globo de num momento construir Fernando Collor como produto e depois, diante da insatisfação crescente, promover sua retirada em favor próprio. Entre os cidadãos comuns, há quem considere, até hoje, que o movimento foi um golpe, uma manipulação da mídia e dos partidos de oposição, que teriam usado o ex-presidente como bode expiatório. Apesar da baixa incidência de episódios violentos, manifestantes foram chamados de arruaceiros e baderneiros. Entre alguns mais antigos e menos escolarizados, o medo, a imprevisibilidade e a sensação de desordem fomentavam a nostalgia pela Ditadura. A rigor, o Caras Pintadas promoveu poucas mudanças formais e a mesma linha de governo permaneceu no poder por mais doze anos (saindo o presidente, assumiu o vice Itamar Franco, que elegeu o então Ministro da Economia Fernando Henrique Cardoso). Mudanças mais profundas, entretanto, puderam ser percebidas mais tarde: a confiança crescente da população em seu próprio poder e direito de mudança.


Após as manifestações de junho, a referência de alguns manifestantes à tentativa de golpe denunciava, além da violência policial, tentativas de atores alheios ao protesto (mídia, partidos, outros movimentos) de pautar as manifestações a partir de fora e subvertê-las ora num movimento vazio, ora num manifesto contra o governo e a presidente. Nessa parcela, a reação foi curiosa: a reafirmação da importância dos partidos, da legitimidade do atual governo na figura da presidente e, subliminarmente, do projeto político-partidário que a levou ao poder. Ao mesmo tempo, certo desalento ou orfandade pareciam tomar conta de outra parte. Nesse caso, destacou-se a aclamação do presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como nome preferido à Presidência da República, confirmada em pesquisa do Instituto Datafolha.10 Eram o novo e o velho convivendo no mesmo cenário: apartidarismo, força das redes sociais e empoderamento da sociedade civil; ao lado da confirmação do nosso modelo de democracia e da persistência de uma cultura política paternalista e personalista, que procura um novo redentor.


Torcendo para estar correta, não vejo ameaça de golpe no Brasil. O que vejo é uma sociedade em crise e, como já foi assinalado, esse aspecto não é menos preocupante: crises são, de fato, momentos oportunos tanto para mudanças quanto para retrocessos conservadores – o projeto da “Cura Gay” que o diga.11 Com o termo crise, refiro-me à presença de uma enorme e heterogênea camada insatisfeita, cujo timing chegou ao limite, descrente das instituições políticas, num país sem uma oposição forte, sem um grupo, partido ou carisma que capitalize e represente o conjunto de suas demandas. E, se de um lado a pluralidade é importante, por outro, como ensina Derrida, é possível que toda sociedade precise acreditar em algo que lhe dê unidade, que a faça sentir um conjunto. Ao que parece, nem a dita identidade nacional aclamada pelos meios de comunicação através de símbolos como o futebol conseguiu isso dessa vez. A tentativa de identificar (ou eleger) “a” pauta das manifestações ecoa nas novas e velhas mídias como sintoma dessa necessidade: “um movimento contra tudo vai ao encontro do nada”. Não deixamos de ser nação, e isso em si representa uma unidade. Mas paira uma orfandade, uma sensação de vazio que talvez traduza a “estranheza” de que falaram muitos nas redes sociais após as manifestações: “Voltei com uma sensação esquisita”; “Atenção para o golpe!”; “Mídia reaça querendo pautar o movimento!”; “Tudo muito estranho”.


Talvez por acreditar ingenuamente na relativa solidez da nossa democracia, talvez por ser pessimista em relação a ela, não considero “estranho” que governo, partidos em geral e grupos de interesse tentem capitalizar e pautar o discurso das manifestações. Antes, vejo isso como parte do processo discursivo, que ocorre conforme as regras e práticas da cultura política. No nosso caso, uma cultura marcada pela juventude da nossa democracia e fragilidade das nossas instituições; por uma distribuição dos meios de comunicação fortemente atrelada a posições econômicas e políticas; por uma polícia herdeira do regime militar, que não se modernizou e não acompanhou a mudança do Regime. A referência a golpe parece-me, assim, uma confusão com as ideias de oportunismo e falta de ética na política. Um questionamento de como o jogo deveria ser jogado, mas ainda sem uma reflexão sobre as regras do jogo.


Na mesma linha, não me surpreende que partidos em geral e grupos de interesse procurem identificar e ocupar o “vazio” (ou transbordamento?) do social, façanha que, desde a eleição de Lula, a oposição não conseguiu realizar. Para os que competem pelo poder institucional, nada mais oportuno que as insatisfações se coadunem em direção a um adversário comum – nesse caso, o governo e a presidente. Sendo a democracia o lugar por excelência da articulação discursiva, o uso de militares e de repressão seria (assim espero) um suicídio político. Talvez, no momento, a projeção na presidente nem precisasse ser artificialmente construída pela mídia: diante do vazio (estranhamento, angústia de não unidade, orfandade representativa), é possível que o desejo de preenchimento de parcela dos manifestantes e da população em geral tenha, espontaneamente, se voltado ao pronunciamento de Dilma Rousseff. Num contexto de perplexidade política frente ao levante e desprovida do carisma de Lula (que conseguiu sair quase ileso do Escândalo do Mensalão), dificilmente ela conseguiria numa fala aplacar todas as expectativas. Quando digo todas, incluo também a parcela institucional que sustenta sua governabilidade: base aliada e grandes empresários. O governo e a presidente parecem ter percebido essa tendência “em tempo”, ao colocar em pauta a reforma política e dividir a responsabilidade com as demais instâncias do poder.


5. Controle social e violência


É mais ou menos assim que aprendemos na escola: os aparatos de controle social (explícitos e implícitos) servem à manutenção da “ordem”; esta preza o bem coletivo; e este último é representado pelo Estado. Contudo, muito já foi teorizado sobre o uso do controle social como ferramenta de manutenção do status quo (Foucault, Althusser, entre outros). Num Estado de Direito e numa democracia madura, consolidada, as instituições devem garantir que os mecanismos de “controle” se apliquem igualmente a todos e que os Direitos Humanos, no que se inclui a liberdade, sejam preservados. Numa democracia jovem e frágil, essas questões podem ser de fato temerárias, assim como seria um levante contra a existência de partidos políticos. O apartidarismo do movimento trouxe à tona a importância dos partidos no nosso modelo de democracia, como mecanismo de representação plural e – ironicamente – proteção contra o risco de totalitarismo e oligarquia.


Apartidário, entretanto, difere de apolítico, anti-partidário e anárquico. Até onde entendo, as manifestações de junho e as mais recentes não propõem o fim dos partidos, o fim do Estado, nem uma nova ordem. Não parecem negar o “sistema” político e econômico. Não se trata de uma ruptura ou luta pelo poder institucional. Em vez disso, a sociedade civil resgata seu poder como tal. Trata-se, antes, da exigência de cumprimento de papéis e direitos já garantidos constitucionalmente. Noutros termos: da exigência, pelos manifestantes, do reestabelecimento da ordem desvirtuada não por eles, mas pela classe política (através de práticas como a corrupção).


O comportamento violento da polícia num país que se orgulha por ser reconhecido como pacífico e democrático é assustador e preocupante, sobretudo se considerarmos que a Ditadura, representada pela imagem do Estado como um pai severo/carrasco, mas protetor, ainda perpassa nosso imaginário político e nossas instituições. Por outro lado, não vejo (e de novo torço para ter razão) relação direta entre a reação policial e a suposta “tentativa de golpe” nos termos expostos pelos manifestantes. Não sou especialista em (des)militarização, mas enxergo a reação policial, primeiro, como resultado da inabilidade dos líderes para o gerenciamento de crises; segundo, como já mencionei, como evidência de despreparo da própria polícia, arcaica e inadequada aos tempos de democracia política e social.


No que se refere ao “quarto poder”,12 é sabido que a política de comunicação no Brasil se constitui e é pautada pelas redes de poder econômico e político. Nesse contexto, a mídia é, de um lado, a grande defensora da liberdade de expressão; de outro, tende a abordar as manifestações em termos de legalidade, ignorando que alguns dos movimentos sociais mais transformadores precisaram ir além do instituído. E ir além do instituído, mesmo nas sociedades democráticas, tende a ser classificado como crime. Embora possa ser entendido como reflexo de revolta, descontrole da “massa” ou simplesmente “baderna”, o comportamento desviante (quebra-quebra, depredação, máscaras, pinturas no corpo) é um mecanismo historicamente usado pelos movimentos sociais para obter visibilidade. Esse aspecto é paradoxalmente reforçado pela mídia, para quem só é notícia o conflito que se transforma em confronto. Ao dizer isso, não pretendo defender o uso da força por quaisquer das partes, nem afirmo que a violência constituiu ou não estratégia dos diversos grupos de manifestantes. Apenas chamo a atenção para o risco de criminalização de ações coletivas legítimas sob o rótulo de “perturbação da ordem”.


As contradições da mídia tradicional ampliam a relevância das novas TICs como ferramenta e das mídias sociais como campo de atuação e articulação política dos novos movimentos sociais. Mas é bom lembrar que a internet, ora idealizada, ora demonizada, também não está isenta de contradições e, ao contrário do que pregam alguns, não é uma plena democracia.


6. Um campo aberto


Do ponto de vista teórico e metodológico, os protestos recentes no Brasil reforçam os desafios e a agenda de pesquisas sobre movimentos sociais que vem sendo desenhada na América Latina nos últimos anos. Nela, destaca-se o papel das redes como elemento agregador e formador de identidades e das mobilizações sociais (ou “confrontos políticos”)13 como possível formato distintivo dos novos movimentos sociais na “sociedade em rede”. Conclusões generalizantes, porém, tendem apenas a empobrecer o debate num momento em que parece mais profícuo o mapeamento, a etnografia dos protestos e o esforço de experimentar, desenvolver e adequar ferramentas conceituais e metodológicas que deem conta da complexidade e fluidez desses (novos?) sujeitos coletivos.


Do ponto de vista empírico, a longevidade e alcance de um movimento com as feições aqui esboçadas são difíceis de prever. Os acontecimentos recentes deixarão vários aprendizados, e um deles poderá incidir no comportamento político institucional, gerando representantes mais “conectados”, mais presentes na e observadores da rede, mais cientes do poder efetivo daqueles que eles representam. No nível institucional, conquistas pontuais, mas importantes, já foram registradas, e a proposta de reforma política pode ser um novo capítulo dessa história.


1 Uma primeira versão deste texto foi publicada no blog da Revista Será (http://revistasera.info) em 19 de julho deste ano. O termo “impressões”, no título, reflete o momento em que o texto foi escrito, ainda sob o calor dos eventos de junho, dos debates decorrentes e da profusão de informações nas redes sociais.

2 Socióloga, aluna do Doutorado em Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco. E-mail: roseanexavier@hotmail.com.

3 Dilma Rousseff fez um primeiro pronunciamento oficial sobre as manifestações em 21 de junho, em cadeia nacional de rádio e televisão. Nele, a presidente centrou sua fala em questões relacionadas aos serviços públicos, propondo um Plano Nacional de Mobilidade Urbana para privilegiar o transporte coletivo; a destinação de 100% dos royalties do petróleo para a educação e o polêmico projeto “Mais Médicos”, baseado na contratação de médicos do exterior para ampliar o atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde). O discurso, em lugar de acalmar, parece ter exaltado ainda mais os ânimos, com fortes repercussões negativas e pressões sobre o governo. Em novo pronunciamento em 24 de junho, Dilma ampliou politicamente seu discurso, propondo um “pacto pela responsabilidade fiscal” e um “pacto em torno da construção de uma ampla e profunda reforma política”.

4 UOL NOTÍCIAS. Em discurso na África, Lula elogia Dilma e diz que "feliz é o povo que vai às ruas querendo mais". São Paulo, 30/06/2013. Disponível em: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/06/30/apos-se-envolver-em-polemica-lula-elogia-dilma-e-manifestacoes.htm Acesso em: 30/06/2013.

5 Refiro-me, principalmente, às seguintes abordagens: Teoria do Processo Político (McCARTHY e ZALD, 1977; McADAM, McCARTHY e ZALD, 1996; OLSON, 1999), Teoria da Mobilização de Recursos (TILLY, 1978; TARROW, 1998, 2005; McADAM, TARROW e TILLY, 2001, 2009) e Teoria dos Novos Movimentos Sociais (HABERMAS, 1987; MELUCCI, 1996; TOURAINE, 1989).

6 ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EMPRESAS DE PESQUISA (ABEP). Critério de Classificação Socioeconômica Brasil 2012. Disponível em: http://www.abep.org/novo/Content.aspx?ContentID=835. Acesso em: 20/06/2013.

7 G1 BRASIL. Veja Pesquisa completa do Ibope sobre os Manifestantes. São Paulo, 24/06/2013. Disponível em: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/06/veja-integra-da-pesquisa-do-ibope-sobre-os-manifestantes.html. Acesso em: 24/06/2013.

8 CETIC.BR. TIC Domicílios 2012. Coletiva de Imprensa. São Paulo, 20 de junho de 2013. Disponível em: http://www.cetic.br/usuarios/tic/2012/apresentacao-tic-domicilios-2012.pdf. Acesso em: 16/08/2013.

9 O Caras Pintadas surgiu em 1992 e teve papel fundamental no impeachment de Fernando Collor de Melo. Sua história tem estreita relação com o Movimento Pela Ética na Política, daquele mesmo ano. Este, nascido entre intelectuais, sindicalistas, universitários, militantes de partidos e membros de ONGs, deu origem à Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, sob a liderança do sociólogo Herbert de Souza.

10 FOLHA PODER. Joaquim Barbosa lidera corrida presidencial entre manifestantes, aponta Datafolha. 21/06/2013. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/06/1299095-joaquim-barbosa-lidera-corrida-presidencial-entre-os-manifestantes.shtml. Acesso em: 22/06/2013.

11 G1 POLÍTICA. Câmara Decide Arquivar Projeto que Autoriza Cura Gay. 02/07/2013. Disponível em: http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/07/camara-decide-arquivar-projeto-que-autoriza-cura-gay.html. Acesso em: 03/07/2013.

12 Referência ao filme Mad City (título no Brasil: O Quarto Poder), de 1997, direção de Costa-Gavras.

13 McADAM, D.; TARROW, S.; TILLY, C. Para Mapear o Confronto Político. Lua Nova. v. 76. São Paulo, pp. 11-48, 2009.


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Artigo recebido em: 15/09/13

Aprovado em: 20/12/2013



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