Um pernambuco que se quer europeu: representações da cultura francesa no recife oitocentista e suas aplicações
DOI:
https://doi.org/10.51359/2525-6092.2019.241095Palavras-chave:
Recife, Cultura francesa, Representações culturais, ModernizaçãoResumo
O corrente texto tem por objetivo expor a assimilação de variados aspectos da cultura europeia, notadamente a francesa, pela sociedade recifense do século XIX, bem como as representações sociais criadas e a aplicação prática resultante desse processo. Tal fenômeno se evidencia a partir da primeira década do dito século, catalisado pelo estabelecimento da corte portuguesa no Brasil e a política comercial bragantina. Como cidade portuária, Recife logrou contato direto e prolongado com culturas estrangeiras, nas quais se inspirava a nascente burguesia urbana, em uma busca por status que levava à imitação dos usos e costumes da Europa. Durante o período imperial, no governo provincial do Conde da Boa Vista, o afrancesamento é incorporado às instituições públicas e à legislação, em uma clara tentativa de moldar o comportamento civil em um meio urbano que se pretendia modernizar. Posteriormente, a filosofia positivista da Primeira República, associando a cultura, a ciência e a tecnologia francesas ao processo evolutivo da humanidade, utiliza-se das mesmas para promover um projeto civilizatório, o que, na capital pernambucana, evidenciou-se não apenas na intensificação dos usos e costumes franceses, mas na literal reconstrução de partes significativas da cidade – como bem mostra o projeto de reforma do Porto do Recife.
Referências
BOURDIEU, P. A economia de trocas simbólicas. 6ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2007.
CARVALHO, G. M. de. Interiores residenciais recifenses: A cultura francesa na casa burguesa do Recife no século XIX. 2002. Dissertação (Mestrado em História) -Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2002.
BRASIL. Carta Régia de 28 de janeiro de 1808. In: Colecção das Leis do Brazil de 1808. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1891, p.1.
CHARTIER, R. História Cultural –Entre Práticas e Representações. 2ªed. Lisboa: Difel, 2002.
CHARTIER, R. A “Nova” História Cultural existe? In: LOPES, Antonio Herculano; VELLOSO, Monica Pimenta; PESAVENTO, Sandra Jatahy. História e linguagens: texto, imagem, oralidade e representações. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006, p. 29-43.
COSTA, F. A. P. da. Anais pernambucanos. Vol. 7. Recife: FUNDARPE, 1984.
FABRIS, Annateresa. Arquitetura Eclética no Brasil: O cenário da modernização. Anais do Museu Paulista. São Paulo, n. 1, p.131-143, 1993.
FIOCRUZ. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930), 2003. Disponível em: <http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/iah/pt/verbetes/socmedpe.html>. Acesso em: 13 de out. de 2016.
FREYRE, G. Sobrados e Mucambos -Decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano. 1 ed. digital. São Paulo: Global, 2013.
LEITÃO, L. Quando o ambiente é hostil. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2009.
MIRANDA, C. A.C. de. Da Polícia Médica à Cidade Higiênica. Cadernos de Extensão da UFPE. Recife, v.1, n.1, 1998. Disponível em: . Acesso em: 13 out. de 2016. O homem futuro. A Folha Moderna, ano 1, n.4, p.1. Recife, 30 de maio de 1888.
ROCHA DE CARVALHO, M. Recife (1890-1930):La transposición de una estética moderna (Un estudio del proceso de asimilación brasileña de la arquitectura europea del siglo XIX). 1999. Tese (Doutorado em Arquitetura) -Universitat Politécnica de Catalunya, Barcelona, 1999.
SETTE, Mário. Arruar: A história pitoresca do Recife Antigo. Rio de Janeiro: Livraria-Editora da Casa do Estudante do Brasil, 1948.
SOUZA, M. A. de A. Posturas do Recife Imperial. 2002. Dissertação (Mestrado em História) -Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2002.
TELLES, A. C. da Silva. Vassouras –Estudo da construção residencial urbana. In: Arquitetura civil II –Textos escolhidos da Revista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. São Paulo: FAU-USP/MEC-IPHAN, 1975.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2019 John Kennedy Ferreira da Luz

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Compartilha Igual 4.0 Internacional
, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.