Histórico do periódico

Sobre a Revista Tópicos Educacionais

 

A Revista Tópicos Educacionais foi criada em 1977 pelo professor Fernando Antonio Gonçalves do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco que contou a época, com o apoio do seu diretor, o professor Itamar de Abreu Vasconcelos. Fruto de um boletim informativo que já circulava no centro e que registrava as atividades desenvolvidas, a Revista foi ganhando espectro e hoje com 43 anos de existência e com publicações regulares e ininterruptas desde 2012 consta como uma das mais antigas do país. Foram anos buscando acompanhar as tendências da divulgação científica e neste sentido encontramos em cada um dos números aspectos que dão a ver elementos constitutivos da edição e sedição de periódicos acadêmicos brasileiros.

 

O primeiro número foi dedicado à expansão do ensino superior em Pernambuco, bem como aos fundamentos da Educação. Tais temas foram reverberados em outras edições que contou também com artigos na área de psicologia da educação, a exemplo daqueles dedicados ao pensamento de Freud e Piaget; à política educacional, com textos dedicados aos partidos políticos, sindicatos, movimentos sociais, Estado, entre outros; filosofia da educação com análises do pensamento de Rousseau, Dewey, Kant, Herbart, para além de outros filósofos cujas ideias contribuem com o pensamento educacional.

O ano de 1985 foi um marco na edição da revista, pois contemplou artigos dos professores do, já consolidado, Programa de Pós-Graduação em Educação da Ufpe. Os artigos eram de avaliação de sua proposta e produção, o que desencadeou já no ano de 1986 um número dedicado somente às teses e dissertações do referido programa. Este tipo de dispositivo editorial manteve-se em números subsequentes, fazendo do periódico um portfólio das produções do centro, mais especificamente do programa que a época contava com 7 anos.

Foi em 1989 que a revista começou a publicar a modalidade resenha. Para além dela, encontramos textos na área de didática, como àqueles dedicados aos trabalhos nas escolas pernambucanas; na área de ensino, tais como ensino de física e matemática; na área de linguagem, com destaque para os dedicados a relação entre língua e cultura nacional e na área de economia e educação, especialmente sobre os reflexos da divisão social do trabalho nas instituições escolares.

No ano de 1990 tivemos a tentativa de edição de dois números anuais, tentativa que se repetiu em 1997, mas que apenas se consolidou em 2013. Foi no ano de 1990, ainda, que o tema da educação de jovens e adultos (EJA) começou a ser tratado na revista, da mesma forma que objetos como pré-escola e organizações não governamentais (ONG’s). Neste sentido, são muitos os autores que começam a despontar no cenário acadêmico e científico de modo a ter, na revista, um canal para expor o resultado de suas pesquisas, análises e interpretações. 

Não raro temos artigos que contempla a educação no estado de Pernambuco, em seus três níveis, e o que hoje poderíamos considerar endogenia a época foi tratado como estudos autoavaliativos que revelavam aspectos positivos e negativos possivelmente orientadores de políticas públicas locais. Foi ainda na década de 1990 que temas como informática na escola, infância, educação infantil, gênero e sexualidade, fracasso escolar, cinema, música e educação, escola integrada, gestão escolar, metodologias de pesquisa em educação, para além da inauguração da uma sessão dedicada a relatos de experiência, também constaram nas páginas do periódico, configurando-o como um suporte atualizado com o campo. 

Vale ressaltar que em 1996, organizado por Ednar Carvalho Cavalcanti, houve um número especial (12) que registrou e colocou “em debate projetos empreendidos pelo Centro de Educação que [vinha] se orientando pelo desafio de enfrentar as questões próprias dos cursos de formação de professores à luz daquelas que caracterizam o mundo do trabalho, onde se concretiza a atividade profissional do educador.”

Ressaltamos também que em 1998 houve um número inteiramente dedicado às mulheres que considerou publicar trabalhos apresentados no I Seminário Educação e Contemporaneidade coordenado pela professora Leda Dantas. Tal número decorreu em alusão ao Dia Internacional de Luta contra a Violência à Mulher, bem como da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, com sua respectiva Declaração e Plataforma de Ação, ocorrido em Beijing, China, em 1995.

Em decorrência do tempo histórico e de tudo que dele derivou, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) o Centro de Educação da UFPE optou por suspender temporariamente a edição do periódico, retomando-a em 2007. Neste ano, o número (17) apresentou “uma diversidade de temas e perspectivas, denunciando um campo ao mesmo tempo fértil e tenso, bem como apontando os novos rumos que agora se anunciam”, conforme anunciou Abranches na apresentação da edição. Ainda segundo ele foram “[...] seis artigos que discutem temáticas específicas, abrangendo da discussão sobre as reformas curriculares e suas diferentes significações para os atores envolvidos, até a relação histórica entre educação e religião no Brasil, passando pela análise do impacto do uso da tecnologia na aprendizagem e a configuração do currículo diante da complexidade da cultura. Todo este caminho tem a formação dos profissionais da educação como sua base, reafirmando deste modo o compromisso do Centro de Educação no seu fazer pedagógico.”

Em 2012 a Revista Tópicos Educacionais, considerando os normativos dos periódicos científicos vigentes, buscou atender as tendências e normas editoriais pré- estabelecidas, e ganha, com isso, uma nova estrutura. Desta feita, com periodicidade semestral, suporte eletrônico, exogenia, número temático, plataforma digital, indexação e avaliação por pares. Foi no número dezoito que tivemos a edição especial dedicada à Educação Matemática que apresentou “[...] versões revisadas e ampliadas de artigos publicados nos  anais da XIII CIAEM, [...] com organização local do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica –EDUMATEC”, conforme registra Alfredo Gomes. Neste número constam autores nacionais e estrangeiros, práticas estas que passam a fazer parte da sua dinâmica editorial.

Já m 2013 a Revista Tópicos Educacionais reuniu um conjunto de artigos sobre a temática Educação Superior, Políticas e Docência. São textos de questões candentes do campo da educação superior, produzidos por pesquisadores situados em diferentes países e instituições, bem como artigos que debatem políticas e questões fundamentais da avaliação da educação no Brasil. Foi neste ano que Paulo Freire apareceu como objeto de estudo em artigo, assim como autores e temáticas internacionais passaram a constar nas páginas de maneira mais sistemática, e, um número temático dedicado a Avaliação educacional foi publicado.

De igual modo em 2014 foi publicado dossiê sobre as relações étnicos-raciais e educação. Tinha-se, conforme Alfredo Gomes “[...] a intenção de contribuir para fortalecer e estimular a realização de pesquisas, assim como para a formação de grupos de pesquisa sobre temática de fundamental importância para o conhecimento de nossa própria identidade como povo, a partir de perspectiva consistente, democrática e antirracista”. Nesta edição o tema alfabetização e letramento é ratificado no periódico.

Os números do ano de 2015 são compostos por artigos diversificados que tratam de temas ligados a História da Educação, com estudos de casos dedicados aos estados do Pará, Piauí, Ceará, Paraíba, Sergipe, para além de Pernambuco, bem como politicas educacionais de juventude, educação e comunicação, educação profissional, currículos nômades e educação audiovisual, temáticas essas que também são focos de análises em artigos nos anos posteriores que também contemplam temáticas da qualidade da educação, planejamento educacional, educação superior, avaliação em larga escala, povos indígenas e ensino, instituições educativas, livros didáticos, direitos a cidadania, gastos na educação e extensão universitária.

Em 2019, sob nova direção, o seu comitê cientifico, preocupado em cumprir sistematicamente com as regras estabelecidas pelo Qualis periódicos, reconfigura seu corpo editorial e de pareceristas, bem como incorpora elementos próprios da difusão científica na tentativa de fazer jus a sua história de quase meio século e qualificá-la da melhor forma possível. Para tanto nos comprometemos com sua exogenia, periodicidade e qualidade acadêmica.

Com os melhores cumprimentos

Os Editores

Recife, outono de 2020.