<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?> <!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"
	article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="nlm-ta">Rev. Top. Edu</journal-id>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rte</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista Tópicos Educacionais</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Centro de Educação - CE - Universidade
					Federal de Pernambuco - UFPE</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="epub">2448-0215</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Centro de Educação - CE - Universidade Federal de Pernambuco -
					UFPE</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.51359/2448-0215.2019.243785</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigos</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Acessibilidade em ambiente virtual de aprendizagem: estudo de caso
					com professoras cegas</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Lira</surname>
						<given-names>Ana Karina Morais de</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1">1</xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Silva</surname>
						<given-names>Fábio J. Barbosa da</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2">2</xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Barros</surname>
						<given-names>Fabíola Costa Leite</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff3">3</xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<label>1</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Pernambuco</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Centro de Educação</institution>
				<addr-line>
					<city>Pernambuco</city>
				</addr-line>
				<country country="BR">Brasil</country>
				<institution content-type="original">DPOE- Centro de Educação Universidade Federal
					de Pernambuco (UFPE) (Pernambuco-Brasil) karina@ufc.br</institution>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<label>2</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Ceará</institution>
				<addr-line>
					<city>Ceará</city>
				</addr-line>
				<country country="BR">Brasil</country>
				<institution content-type="original">Fábio J. Barbosa da Silva Universidade Federal
					do Ceará (UFC) (Ceará-Brasil) fajobasil@hotmail.com</institution>
			</aff>
			<aff id="aff3">
				<label>3</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Ceará</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Curso de Pedagogia</institution>
				<addr-line>
					<city>Ceará</city>
				</addr-line>
				<country country="BR">Brasil</country>
				<institution content-type="original">Fabíola Costa Leite Barros Universidade Federal
					do Ceará (UFC) (Ceará-Brasil) fabiolaclb@hotmail.com</institution>
			</aff>
			<author-notes>
				<corresp id="c1">
					<email>karina@ufc.br</email>
				</corresp>
				<corresp id="c2">
					<email>fajobasil@hotmail.com</email>
				</corresp>
				<corresp id="c3">
					<email>fabiolaclb@hotmail.com</email>
				</corresp>
			</author-notes>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>06</day>
				<month>08</month>
				<year>2021</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
				<season>Jan-Jun</season>
				<year>2019</year>
			</pub-date>
			<volume>25</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>1</fpage>
			<lpage>18</lpage>
			<permissions>
				<license license-type="open-access"
					xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="en">
					<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the
						Creative Commons Attribution Non-Commercial License which permits
						unrestricted noncommercial use, distribution, and reproduction in any medium
						provided the original work is properly cited.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<sec>
					<title>Resumo.</title>
					<p>Apesar do crescente número de estudantes com deficiência visual no ensino
						superior, dificuldades de acesso a Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA)
						têm impedido a participação plena de pessoas cegas em cursos a distância.
						AVA podem ser acessados pelo cego através do webvox ou leitores de tela como
						o Jaws, NVDA e ORCA, sendo que muitos conteúdos e ferramentas desses
						ambientes ainda não são acessíveis para esses usuários. Esta pesquisa busca
						identificar dificuldades enfrentadas por duas professoras cegas em curso de
						especialização em Atendimento Educacional Especializado (AEE), no qual se
						utilizou o AVA Teleduc. A partir de estudo de caso com as professoras,
						identificou-se que elas tem tido dificuldades para acessar, através do Jaws,
						as ferramentas: <italic>dinâmica do curso</italic>,
							<italic>atividades</italic>; <italic>material de apoio</italic>;
							<italic>leituras</italic>; <italic>enquetes</italic>; e
							<italic>portfólio</italic>. Na busca de soluções, reforça-se a
						importância da adoção de estratégias de acessibilidade conforme recomendadas
						pelos estudos.</p>
				</sec>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<sec>
					<title>Abstract.</title>
					<p>Although the crescent number of visual impaired students in higher education,
						difficulties to access Virtual Learning Environments (VLE) have prevented
						the full participation of blind people in distance courses. VLE can be
						accessed by the blind through webvox or screen readers such as JAWS, NVDA
						and ORCA, but many contents and tools of these environments are not
						accessible for these users yet. This research seeks to identify difficulties
						faced by two blind teachers in a post graduation course on Specialized
						Educational Service (AEE) in which it is used the VLE Teleduc. Through a
						case study with the teachers, it was identified that they have had
						difficulty accessing, by Jaws, tools: <italic>dynamics of the course,
							activities, support materials, readings, polls, and portfolio</italic>.
						In the search for solutions, the importance of adopting accessibility
						strategies as recommended by the studies is reinforced.</p>
				</sec>
			</trans-abstract>
			<kwd-group>
				<title>Palavras chaves:</title>
				<kwd>Educação a distância</kwd>
				<kwd>Ambiente Virtual de Aprendizagem</kwd>
				<kwd>Acessibilidade</kwd>
				<kwd>Estudantes cegos</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Distance education</kwd>
				<kwd>Virtual Learning Environments</kwd>
				<kwd>Acessibility</kwd>
				<kwd>Blind students</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Com o crescente número de alunos com deficiência visual no ensino superior, demandas
				tem sido geradas para a criação de condições que viabilizem a formação dos mesmos,
				seja em cursos presenciais ou a distância. De fato, a entrada desses alunos nos mais
				diversos cursos representa um desafio para as universidades, mobilizando muitos dos
				seus setores<xref ref-type="fn" rid="fn1">4</xref> a atuarem em conjunto de forma a
				garantir que eles possam realizar as atividades acadêmicas necessárias a sua
				formação, com acesso ao conhecimento. Este estudo versa sobre acessibilidade em
				cursos a distância, focalizando particularmente o acesso a informação e comunicação
				através de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). A relevância desse tema se
				justifica pela oferta crescente de cursos na modalidade Educação a Distância (EaD),
				os quais tem atendido a uma clientela diversa, composta, inclusive, por cegos.
				Esses, no entanto, tem encontrado dificuldades de acesso tanto a informação quanto a
				ferramentas de comunicação e interação disponíveis em muitos AVA, o que representa
				uma barreira que os impede de participar plenamente dos cursos em que estão
				matriculados e de obter um desempenho satisfatório nas atividades e disciplinas que
				realizam.</p>
			<p>No campo da educação, cursos a distância tem sido ofertados para atender demanda de
				formação de professores em áreas como a informática educativa e a educação especial.
				Em estudo sobre formação de professores para a educação inclusiva em cursos a
				distância, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Campos e Mendes (2015)</xref> mapearam as
				instituições brasileiras, particulares e públicas, que ofertam cursos de formação
				inicial (licenciaturas) e continuada à distância. Entre 166 universidades
				investigadas, as autoras constataram que 124 ofertavam cursos de formação inicial;
				108 ofertavam cursos de pós-graduação/especialização; 52 ofereciam cursos de
				extensão; e 37 tinham cursos de aperfeiçoamento. Esses dados indicam que grande
				parte das universidades investigadas tem investido na oferta de cursos de formação
				inicial (74,7%) e de formação continuada/especialização (65%) à distância. Dessa
				forma, importa que essas universidades estejam atentas ao tema sobre a
				acessibilidade em AVA, buscando criar condições para a inclusão de seus alunos com
				deficiência visual.</p>
			<p>Em cursos voltados à formação continuada de professores para a educação inclusiva
				isso se torna ainda mais relevante tendo em vista que essa área tem contado com a
				atuação de muitos professores cegos e com baixa visão<xref ref-type="fn" rid="fn2"
					>5</xref>, os quais se constituem em público-alvo em potencial para essas
				formações, podendo, inclusive, enriquecê-las com as suas participações. A
				valorização da participação desses professores na educação especial e/ou inclusiva
				toma por base o lema <italic>nada sobre nós sem nós</italic>, adotado pelo movimento
				social das pessoas com deficiência e que concebe essas pessoas como sujeitos ativos,
				cujas vivências e visões de mundo devem assumir um papel central para a estruturação
				de um ambiente físico e socialmente acessível, ou seja, que permita a inclusão
				social. Isso está em consonância com princípio básico referido por <xref
					ref-type="bibr" rid="B10">Lira e Lira (2015)</xref> de que ações em prol das
				pessoas com deficiência não podem prescindir da participação das mesmas, devendo
				caracterizar-se como ações <bold>com</bold> pessoas com deficiência e não
					<bold>para</bold> pessoas com deficiência. Em complemento a esse princípio
				básico, dois outros pressupostos tem guiado ações nessa área:</p>
			<p><disp-quote>
					<p>Em primeiro lugar, pressupomos que a acessibilidade é necessária a todas as
						atividades realizadas pelo homem, ou seja, que o ambiente em que vivemos -
						seja físico, digital, social, cultural, psicológico etc. - deve ser
						organizado de forma tal que sejam eliminadas ou minimizadas todas as
						barreiras que impedem que pessoas com deficiência realizem toda e qualquer
						atividade. Esta concepção associa-se a ideia de que, assim como qualquer ser
						humano, a pessoa com deficiência é um cidadão de direito, <italic>desejo,
							necessidade, vontade...</italic> devendo, portanto, ter oportunidade de
						participar da vida social em todas as suas nuances. (…) Por último,
						pressupomos que na vida em sociedade, a presença de pessoas com deficiência,
						autônomas, é essencial para a criação de uma cultura inclusiva (<xref
							ref-type="bibr" rid="B10">LIRA e LIRA, 2015</xref>, p. 247).</p>
				</disp-quote></p>
			<p>Observe que esses pressupostos reafirmam a acessibilidade como necessidade básica e
				atribuem valor à participação das pessoas com deficiência, inclusive para a criação
				de uma cultura inclusiva. Nesse sentido, podem orientar a definição de ações para a
				superação de barreiras, inclusive daquelas que impedem que o estudante cego
				participe plenamente das atividades realizadas em AVA.</p>
			<p>O problema da acessibilidade em AVA tem desafiado profissionais de áreas tão
				distintas como a educação especial, o design, a ciência da informação, a engenharia
				de sistemas e a computação, aproximando-os, na intersecção abraçada pela informática
				educativa. A acessibilidade na web significa que todas as pessoas, inclusive aquelas
				com deficiência, utilizando todo tipo de tecnologia de navegação - navegadores
				gráficos, textuais etc. - podem navegar e interagir com a internet, compreendendo
				plenamente as informações disponibilizadas nos portais, AVA e outros ambientes
					(<xref ref-type="bibr" rid="B17">WAI, 2010</xref>).</p>
			<p>Os AVA são sistemas gerenciadores da aprendizagem <italic>on-line</italic> que
				fornecem suporte a atividades mediadas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação
				(TIC). Em estudo comparativo, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Gabardo; Quevedo e
					Ulbrich (2010)</xref> analisaram as oito plataformas mais utilizadas pelas
				Instituições de Ensino Superior (IES) para cursos de EaD no Brasil, a saber:
				TelEduc, AulaNet, Amadeus, Eureka, Moodle, E-Proinfo, Learning Space e WebCT. Entre
				os critérios de análise das plataformas<xref ref-type="fn" rid="fn3">6</xref>, a
				acessibilidade foi o que menos se apresentou, desde que somente o Learning Space
				afirmou cumprir as regras propostas pelo Consórcio W3C. No mais, Eureka e Moodle se
				mostraram parcialmente acessíveis a pessoa com deficiência visual, através de áudio
				e acesso com leitor de tela, respectivamente. A busca em portais das maiores
				universidades do país indicou um crescente uso da plataforma Moodle, já considerada
				a mais utilizada no mundo.</p>
			<p>O Moodle - <italic>Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment</italic> - é
				um software livre de apoio à aprendizagem, concebido pelo australiano Martin
				Dougiamas. Distribuindo-se sob licença <italic>Open Source</italic>, é livre para
				carregar, usar, modificar e até mesmo distribuir. É uma plataforma de aprendizagem
				designada para fornecer a educadores, administradores e aprendizes um sistema
				robusto, seguro e integrado para criar ambientes de aprendizagem personalizados
					(<xref ref-type="bibr" rid="B11">Moodle, 2019</xref>). Na última década, estudos
				tem se dedicado ao tema da acessibilidade do Moodle para pessoas com deficiência
				visual (e.g. <xref ref-type="bibr" rid="B6">COELHO et al., 2011</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B15">SZESZ JUNIOR et al., 2016</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B5">CARVALHO et al., 2018</xref>), o que é importante para
				a busca de soluções.</p>
			<p>O uso de um AVA por estudantes cegos requer a adoção do padrão de acessibilidade na
				construção de sua interface, por meio da qual os usuários estabelecem contato com
				todo o ambiente, navegando pelos diversos links e interagindo quando necessário.
				Para tanto, é importante entender as dificuldades que ora se apresentam, refletindo,
				inclusive, sobre como a pessoa cega usualmente tem acesso ao conhecimento, ou seja,
				considerando seu estilo de vida e forma de estudar e de aprender. Por um lado, os
				AVA tem um componente visual relevante<xref ref-type="fn" rid="fn4">7</xref>,
				referente, por exemplo, a disposição em que imagens e textos são apresentadas. Por
				outro lado, a cegueira se refere a uma impossibilidade, total ou parcial, do sistema
					visual<xref ref-type="fn" rid="fn5">8</xref>, o que leva a pessoa cega a
				utilizar os demais sistemas sensoriais para conhecer o mundo que a cerca, com
				preponderância do tato e da audição. Dessa forma, é preciso abandonar o
				visocentrismo, no qual a visão assume lugar de destaque na comunicação humana (<xref
					ref-type="bibr" rid="B13">Sá, 2014</xref>) e buscar caminhos alternativos,
				compatíveis com os sistemas sensoriais utilizados pelas pessoas cegas.</p>
			<p>As dificuldades que as pessoas cegas tem encontrado para acessar conteúdos e
				ferramentas da rede mundial de computadores tem sido objeto de vários estudos (<xref
					ref-type="bibr" rid="B8">GODINHO, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14"
					>SONZA, 2008</xref>). Consórcios como o <italic>World Wide Web
					Consortium</italic> (W3C) e a <italic>Web Accessibility Initiative</italic>
				(WAI) tem se empenhado para identificar essas dificuldades e buscar soluções para
				superá-las, elaborando, inclusive, documentos como as Diretrizes para Acessibilidade
				do Conteúdo Web (<italic>Web Content Accessibility Guidelines</italic> - WCAG), com
				estratégias para tornar o conteúdo web acessível a pessoas com deficiências (<xref
					ref-type="bibr" rid="B18">W3C, 2010</xref>).</p>
			<p>De acordo com documento intitulado <italic>Como pessoas com deficiência usam a
					web,</italic> da WAI, pessoas cegas podem encontrar as seguintes barreiras na
				web: imagens que não tem texto alternativo; imagens complexas (ex. gráficos ou
					<italic>charts</italic>), sem descrição adequada; vídeo que não é descrito em
				texto ou áudio; tabelas que não fazem sentido quando lidas serialmente (em modo
				célula por célula ou linearizado); estruturas que não tem alternativas <italic>sem
					estrutura</italic>, ou que não tem nomes compreensíveis; formas que não podem
				ser dispostas seguindo uma seqüência lógica ou que são nomeadas precariamente;
				navegadores e ferramentas de autoria que carecem de suporte de teclado para todos os
				comandos e/ou que não usam aplicações padrões com interfaces programadas para o
				sistema operacional ao qual estão vinculadas; e documentos com formatos não
				padronizados, que possam ser difíceis de serem interpretados por leitor de telas
					(<xref ref-type="bibr" rid="B17">WAI, 2010</xref>).</p>
			<p>Entre as tecnologias que possibilitam o uso de computadores por pessoas cegas
				destacam-se o sistema Dosvox e leitores de tela como o Jaws, Virtual Vision, NVDA
					<italic>(Non Visual Desktop Acess</italic>) e ORCA, sendo os primeiros
				compatíveis com o sistema operacional Windows e o último com o Linux. Enquanto o
				Jaws e o Virtual Vision são programas proprietários, os demais são gratuitos, sendo
				que o NVDA e o Orca são livres. Todos funcionam através de sistemas de síntese de
				voz, os quais permitem que a pessoa cega manuseie o computador guiando-se,
				principalmente, por informações sonoras. Enquanto o sistema Dosvox possui
				aplicativos diversos como o navegador <italic>webvox</italic> e o editor de texto
					<italic>edivox</italic>, os leitores de tela acessam os aplicativos instalados
				nos sistemas operacionais aos quais são compatíveis. Dessa forma, a pessoa cega pode
				acessar a internet através do webvox ou de um leitor de tela, sendo que só consegue
				obter acesso a um conteúdo na web se o ambiente obedecer a um conjunto de
				recomendações de acessibilidade.</p>
			<p>A acessibilidade na internet é reconhecida como um direito humano básico. No Brasil,
				esse direito é garantido pelo Decreto Presidencial 5.296/2004, o qual dispõe sobre a
				obrigatoriedade do pleno acesso às informações disponíveis nos portais e sítios
				eletrônicos da administração pública, pelas pessoas com deficiência visual,
				estipulando que os procedimentos necessários ao alcance integral dessa
				acessibilidade sejam adotados até dezembro de 2006 (<xref ref-type="bibr" rid="B2"
					>Brasil, 2004</xref>, Artigo 47). Apesar desse prazo já ter se esgotado há
				muito, a acessibilidade nos ambientes virtuais de instituições públicas ainda é
				escassa. Mesmo Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), cujo movimento para
				a inclusão de alunos com deficiência é crescente, ainda carecem de conhecimento,
				políticas e ações efetivas para garantir a acessibilidade na internet. Há, portanto,
				uma necessidade premente de que essas instituições invistam em pesquisa,
				desenvolvimento e políticas para promover essa acessibilidade, tornando os seus
				portais, sítios, AVA e demais ambientes virtuais acessíveis a pessoas cegas.</p>
			<p>Isso se torna ainda mais prioritário quando observamos o crescimento da oferta de
				cursos na modalidade à distância no país. De acordo com o censo EAD BR 2018,
				realizado pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), a quantidade de
				cursos totalmente a distância no Brasil passou de 4.570 em 2017 para 16.750 em 2018,
				enquanto que o número de cursos semipresenciais passou de 3.041 em 2017 para 7.458
				em 2018. Comparando-se os níveis de ensino, mantém-se na liderança, desde 2016, os
				cursos de pós-graduação lato sensu/especialização, cuja oferta vem crescendo, ano a
				ano, de maneira quase regular (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ABED,
				2019</xref>).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="cases">
			<title>Estudo de caso</title>
			<p>A ideia do presente trabalho surgiu em grupo de estudos do Projeto Acessibilidade e
				Inclusão, da Faculdade de Educação da UFC<xref ref-type="fn" rid="fn6">9</xref>,
				quando tomamos conhecimento de situação vivenciada por duas professoras cegas, as
				quais vinham encontrando dificuldades para acessar o AVA Teleduc, utilizado para a
				realização de curso de especialização em educação especial, ofertado para a formação
				continuada de professores para o Atendimento Educacional Especializado (AEE), em
				nível nacional.</p>
			<p>Em face dessa situação, resolvemos desenvolver a pesquisa com o objetivo de
				identificar as dificuldades enfrentadas pelas professoras cegas para acessar o AVA
				Teleduc no âmbito desse curso. Esse passo é necessário para a busca de soluções para
				superar os obstáculos, permitindo que as professoras possam participar plenamente
				das atividades e disciplinas que realizam e obter desempenho satisfatório. É
				relevante observar que esse curso visa formar professores para a atuação junto a
				alunos com deficiência, obrigando- se, também por isso, a garantir o pleno acesso
				dos alunos cegos aos ambientes virtuais que utiliza e, inclusive, abordar
				conhecimento teórico-prático sobre acessibilidade nesses ambientes.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Metodologia</title>
			<p>A pesquisa é exploratória e utiliza o método de estudo de caso (<xref ref-type="bibr"
					rid="B19">Yin, 2005</xref>), através do qual duas professoras cegas matriculadas
				em curso de especialização em AEE relatam, a partir de entrevistas, a experiência
				que tem vivenciado na realização desse curso, principalmente no que concerne ao
				acesso a plataforma <italic>Teleduc</italic>.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Entrevistas</title>
			<p>As entrevistas seguiram roteiro com informações sobre: identificação, condições e
				histórico da deficiência, formação, uso de tecnologia, atuação profissional,
				especialização em AEE, AVA Teleduc e disciplina EaD. Esse roteiro inclui também
				quadro com as ferramentas do Teleduc que tem sido utilizadas no curso de
				especialização em AEE, o qual serviu à caracterização do acesso a cada uma dessas
				ferramentas pelas professoras cegas. As entrevistas foram realizadas na Faculdade de
				Educação da UFC, com duração média de duas horas, cada. Foram gravadas em fitas
				cassetes, cuja transcrição, a <italic>posteriori</italic>, foi utilizada para a
				análise dos dados.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Validação manual do Teleduc</title>
			<p>Teste do acesso ao AVA Teleduc por avaliador externo foi também iniciado, como
				alternativa para o conhecimento sobre a acessibilidade no ambiente através de
				aplicativos diversos. Esse teste foi realizado, de forma preliminar, com usuário
				cego, bolsista do Projeto Acessibilidade, com grande experiência no uso tanto do
				sistema Dosvox e aplicativo webvox quanto de leitores de tela como o Jaws, NVDA e
				ORCA. O teste consistiu na tentativa de acesso ao AVA através desses aplicativos,
				com observação das facilidades e dificuldades encontradas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Curso de Especialização em AEE</title>
			<p>O curso de especialização em AEE foi ofertado a professores da educação básica e teve
				por objetivo prepará-los para realizar o Atendimento Educacional Especializado em
				escolas regulares das redes públicas de ensino. Teve carga horária total de 448
				horas, distribuídas, ao longo de 16 meses, entre nove disciplinas, sendo
				introdutória aquela voltada a Educação a Distância. O curso, que teve início em
				fevereiro de 2010, foi dividido em turmas de trinta professores-alunos por tutor e
				cada turma dispôs de uma área no ambiente Teleduc, através da qual as disciplinas
				eram ofertadas. As dúvidas eram resolvidas pelos tutores das respectivas disciplinas
				e a avaliação envolvia a participação na plataforma, frequência nos encontros
				presenciais, realização de tarefas, individuais e coletivas, elaboração do Plano de
				AEE e Trabalho de Conclusão de Curso - TCC. Em Fortaleza, o curso mantinha polo no
				Centro de Referência em Educação e Atendimento Educacional Especializado do Ceará -
				Instituto de Educação do Ceará, onde aconteciam os encontros presenciais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Teleduc e suas ferramentas</title>
			<p>O Teleduc foi desenvolvido pelo Núcleo de Informática Aplicada a Educação (NIED), da
				Unicamp, para a realização de cursos a distância. Tem distribuição livre e está
				disponível para download em <ext-link ext-link-type="uri"
					xlink:href="https://www.nied.unicamp.br">www.nied.unicamp.br</ext-link>. O
				ambiente tem quatro tipos de usuários: o <italic>administrador</italic>, que é
				responsável pela criação do curso; o <italic>coordenador</italic>, que seleciona as
				ferramentas que vão ser utilizadas ao longo do curso; o <italic>formador</italic>,
				que auxilia o coordenador na execução das tarefas; e os <italic>alunos</italic>, que
				utilizam as ferramentas para realizar as atividades. Para acessar a sua turma no
				Teleduc, o usuário precisa estar inscrito no ambiente e no curso. O acesso leva à
				página inicial, que é dividida em duas partes: à esquerda ficam as ferramentas a
				serem utilizadas e a direita, o conteúdo correspondente a cada ferramenta
				selecionada (<xref ref-type="bibr" rid="B9">KENSKI, 2007</xref>).</p>
			<p>No curso de especialização em AEE eram utilizadas as seguintes ferramentas do
				Teleduc: <italic>estrutura do ambiente</italic>, que disponibiliza informações sobre
				as ferramentas; <italic>dinâmica do curso</italic>, que contém informações sobre a
				organização do curso; <italic>atividades</italic>, que apresenta as atividades
				realizadas ao longo do curso; <italic>material de apoio</italic>, que apresenta
				textos ou links sugeridos para o desenvolvimento das atividades;
					<italic>leituras</italic>, que exibe artigos referentes ao curso, sugestões de
				livros, revistas e endereços eletrônicos na web; <italic>agenda</italic>, que traz
				informações da programação diária, semanal ou mensal; <italic>enquetes</italic>, que
				apresenta perguntas sobre temas diversos do curso; <italic>mural</italic>, em que os
				participantes postam informações que julgam serem importantes para o grupo;
					<italic>fóruns de discussão</italic>, que contém tópicos em discussão em dados
				momentos do curso; <italic>correio</italic>, sistema de correio eletrônico interno
				ao ambiente; <italic>grupos</italic>, que permite a criação de grupos para facilitar
				a distribuição de atividades; <italic>perfil</italic>, que contem dados básicos de
				cada participante; e <italic>portfólio</italic>, em que são armazenados, individual
				ou coletivamente, textos e arquivos desenvolvidos durante o curso. Além dessas
				ferramentas, o Teleduc conta com ferramentas de uso exclusivo de professores e
				formadores como: <italic>acesso</italic>; <italic>intermap</italic>;
					<italic>administração</italic>; e <italic>suporte</italic>, que permitem,
				respectivamente, o acompanhamento da freqüência, interação, gestão e apoio. Vale
				ressaltar que todas as informações construídas ao longo do curso permanecem
				disponíveis e podem ser acessadas em qualquer momento, mesmo depois da conclusão do
				curso (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Teleduc, 2010</xref>).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>Nesse tópico começamos por apresentar dados básicos sobre a história de vida das
				professoras cegas, o uso que fazem de tecnologias e as expectativas que tem sobre o
				curso de especialização. Esses dados antecedem e complementam a análise dos
				resultados centrais da nossa pesquisa, a saber, as dificuldades enfrentadas pelas
				professoras para acessar o Teleduc nesse curso.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Dados introdutórios: história de vida das professoras</title>
			<p>As duas professoras que participaram dessa pesquisa, as quais chamaremos de Luzia e
					Sheika<xref ref-type="fn" rid="fn7">10</xref>, tem idade média de 45 anos, são
				cegas congênitas e pedagogas, com especialização em planejamento educacional e em
				metodologia científica, respectivamente. Enquanto Luzia é solteira, Sheika é casada
				com cego e tem um filho de 15 anos, com baixa visão. Ambas são professoras
				concursadas em âmbito estadual há quase duas décadas e atuam no Centro de Apoio
				Pedagógico (CAP), orientando e habilitando o aluno cego para uso do Braille, sorobã
				e informática<xref ref-type="fn" rid="fn8">11</xref>, entre outros recursos. Sheika
				é também concursada em âmbito municipal, há 14 anos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Uso de tecnologias</title>
			<p>Luzia e Sheika aprenderam a usar o computador nos anos 90, com ajuda de um amigo
				cego, instrutor, que as iniciou no uso do Dosvox. Hoje utilizam também o Jaws e o
				NVDA, mas não o ORCA, porque não tem domínio do sistema Linux. Usam muito o Dosvox,
				principalmente os aplicativos edivox e webvox, no trabalho e em casa, para
				atividades tais como ler jornal, livro e texto, gravar cd e namorar. Enquanto
				descrevem a boa prática com o editor de textos <italic>edivox</italic>, relatam
				dificuldades no uso do navegador webvox e do leitor de tela Jaws: “<italic>porque
					ele (webvox) só acessa página com predominância de texto. Mesmo o Jaws, tendo
					coisas com muita figura, não tem um bom desempenho</italic>” (sic). Quanto ao
				uso do AVA Teleduc, relatam experiência vivenciada há quatro anos, em curso do
				PROINESP, no qual não obtiveram um bom rendimento porque dependiam sempre de outros
				para acessar o ambiente, o que entendiam não ter sentido: “<italic>(...) tudo quem
					fazia era minha irmã (...) conversando com Sheika disse que íamos tentar para
					ver se não ficávamos tão dependentes, porque senão nem tem sentido, você tá
					fazendo um curso com uma ferramenta como o computador sem conseguir
					acessar</italic>” (sic).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Escolha e expectativas quanto ao Curso de Especialização em AEE</title>
			<p>As duas professoras decidiram cursar a especialização em AEE em função de convite
				enviado a instituição que trabalham, com oferta de duas vagas, as quais foram
				sorteadas entre o grupo. Quanto a essa decisão, Luzia destaca que: “<italic>achei
					importante participar e dar nossa contribuição pelo fato de atuar na área de
					educação especial e por ser cega</italic>” (sic). Quanto ao curso, as
				professoras destacam a qualidade dos textos sugeridos e das discussões realizadas e
				tem uma expectativa positiva: “<italic>eu penso que esse curso é o despertar,
					sobretudo para os professores que atuam nas escolas e que já estão engajados no
					AEE, eu espero que esse curso ajude com conhecimentos (...) porque incluir uma
					criança desde pequenininha (...) em idade pré-escolar, cego, surdo, eu acho um
					desafio muito grande (...) um problema muito sério, porque as escolas nunca
					estão preparadas para receber os alunos (...)</italic>” (sic). Também tem
				expectativa de que o curso possa contribuir para a compreensão de questões
				polêmicas, como a da alfabetização de aluno cego, sobre o que tecem considerações
				abalizadas, com base na experiência que tem: “<italic>(...) porque de acordo com a
					proposta do MEC o aluno cego tem que estar na alfabetização e aprender o Braille
					numa sala a parte e no horário contra turno e eu já discordo. (...) já que a
					proposta é de inclusão total o ideal seria que o professor dominasse não só o
					Braille, mas também o conhecimento teórico no desenvolvimento da criança com
					deficiência (...) o curso pode ajudar nisso aí, nessa compreensão</italic>”
				(sic).</p>
			<p>Sobre a EaD, as professoras destacam a necessidade de adaptação pelo aluno:
					“<italic>(...) também a ideia de curso a distância é nova, a gente não se
					disciplina a estar em dia com as atividades. (...) Não só nós cegos, as pessoas
					tem essa dificuldade</italic>” (sic).</p>
			<p>Em síntese, os dados acima descritos demonstram que Luzia e Sheika têm: histórias de
				vida, formação e experiência profissional significativa na área de educação
				especial; conhecimento, domínio razoável e uso contínuo de tecnologias; e
				expectativas positivas e enriquecedoras com relação ao curso de especialização em
				AEE. Quanto a EaD, vivenciaram experiência difícil, a qual envolveu, inclusive, o
				uso do Teleduc; e parecem buscar a disciplina exigida por essa modalidade de
				educação.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Dados centrais: a acessibilidade no Teleduc</title>
			<p>Fazendo uso do Jaws para o acesso ao Teleduc, as professoras percebem o AVA como não
				acessível: “<italic>a plataforma não é tão confortável. A gente sua para resolver
					uma atividade</italic>”; “<italic>eu acho que nós que temos grandes dificuldades
					de navegação na plataforma (...)</italic>”; “<italic>Não é acessível. Para mim,
					acessibilidade tem que ser completa. (...) Alguns pontos, pequenos pontos,
					alguns links pode ser que seja acessível, mas no geral não são. Para mim seria
					acessível se eu pudesse explorar de cabo a rabo</italic>” (sic).</p>
			<p>Quanto ao manuseio das ferramentas do AVA, Luzia e Sheika relatam resultados
				positivos e negativos, referindo-se também a ferramentas não utilizadas. Por um
				lado, conseguem: entrar no Teleduc; ler o texto disponível na <italic>estrutura do
					ambiente</italic>; ler a <italic>agenda</italic>; ler e postar textos nos
					<italic>fóruns de discussão</italic>; e construir o <italic>perfil</italic>. Por
				outro lado, não conseguem: acessar parte do conteúdo da <italic>dinâmica do
					curso</italic>, acessar <italic>atividades</italic> sugeridas; acessar e salvar
				conteúdo disponibilizado no <italic>material de apoio</italic>; ler textos
				disponibilizados na ferramenta <italic>leituras</italic>; acessar as
					<italic>enquetes</italic>; e postar materiais no <italic>portfólio</italic>.
				Também a tarefa de construir um blog, a ser colocado no Teleduc, foi considerada
				impraticável pelas professoras. Ainda afirmaram não haver usado o
					<italic>mural</italic>, <italic>correios</italic> e <italic>grupos</italic>.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Descrição das dificuldades enfrentadas</title>
			<p>As descrições das dificuldades enfrentadas durante o manuseio das ferramentas
				esclarecem a natureza dos impedimentos. <underline>Quanto à ferramenta
						<italic>leituras</italic></underline>, relatam: “<italic>porque às vezes
					você tá lendo no ambiente dos textos e quando você navega com o teclado,
					predominantemente, passa o cursor com o TAB, que tá bem próximo, mas não
					consegue ler, o jaws não consegue ler aquele campo, então você tem que tentar
					várias vezes, até conseguir</italic>” (sic). <underline>Quanto às enquetes e o
					portfólio</underline>, as professoras associam a dificuldade a caixas de
				combinação: “<italic>Nas enquetes há umas caixinhas de combinação para você colocar
					falso e verdadeiro, então o Jaws não foca as caixinhas de combinação, nem com o
					TAB. Você lê as perguntas, mas você não consegue marcar onde é falso e onde é
					verdadeiro. (...) No Portfólio também a gente não consegue acessar. Eu entro no
					Portfólio, mas não consigo postar</italic>” (sic). “<italic>A gente não
					consegue... tem aquela caixinha para fazer comentário... a gente não consegue
					acessar (...) a gente elabora todo o material, faz o texto, mas na hora de
					postar... a gente clica, no caso, dá o enter, mas não entra de jeito nenhum.. aí
					tem que contar com a ajuda dos universitários</italic> (sic).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Sentimentos gerados pela falta de acessibilidade</title>
			<p>Sheika destaca os sentimentos que vivenciam em conseqüência da falta de
				acessibilidade: “<italic>(...) é desestimulante, desgastante, a gente produzir um
					texto rico, organizado, bem feito e mexer num relatório, numa seta qualquer e
					perder todo nosso trabalho. (...) Quantas vezes nós fomos dormir uma hora da
					manhã, cansadas, estressadas, e é porque somos nós duas. Eu construía um texto
					com a Luzia, daqui a pouco se eu mexesse no TAB, pronto: perdia todo o texto. E
					para sistematizar o pensamento? Isso é desgastante. E as pessoas não entendem,
					só sabem dizer assim: você não fez a tarefa tal, você não colocou o texto
					tal</italic>” (sic).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações relevantes para a acessibilidade</title>
			<p>Na discussão sobre as dificuldades que enfrentam no ambiente, as professoras
				consideram: a diferença de ritmos entre o cego e o vidente para a familiaridade com
				o ambiente e suas ferramentas e para a realização de muitas atividades exigidas; a
				busca de autonomia pela pessoa cega, que é tolhida em função da impossibilidade de
				realizar muitas tarefas no ambiente por si só, gerando a dependência de outros; e o
				conhecimento que os formadores tem sobre acessibilidade. Quanto ao último ponto,
				colocam: “<italic>Demos muitos cabeçadas para chegar onde estamos, até porque a
					equipe do curso, os tutores, não deram muito norte para nós navegarmos na
					plataforma, eles também são inexperientes nesse campo. Então, assim, eu acho que
					isso ai é um problema muito sério, porque (...) o próprio curso que é de
					educação inclusiva, tem que se preparar para qualquer tipo de participante,
					então além da plataforma não ser acessível, as pessoas não sabem lidar com
					isso</italic>” (sic).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Solução apresentada pelo Curso</title>
			<p>As professoras afirmam haver relatado essas dificuldades no âmbito do curso,
				inclusive durante a disciplina de EaD, o que levou a adoção do procedimento
				alternativo representado pelo envio de conteúdos do curso para o e-mail das mesmas
				pelos tutores e vice-versa. Como relatam: “<italic>... os conteúdos são mandados via
					e-mail, ai a gente responde já que é mais fácil, mas também dá pra salvar (...)
					são textos, questionários, enquetes</italic>” (sic). “<italic>As coisas que eu
					posso postar sozinha, eu faço. O que não consigo envio por e- mail para alguma
					colega, minha tutora. Arranjamos esses meios</italic>” (sic).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados preliminares de validação manual</title>
			<p>Ainda que realizado de forma preliminar, o teste do acesso ao AVA Teleduc por
				avaliador externo forneceu indícios de que a acessibilidade no Teleduc pode ser
				viável com o uso do ORCA e talvez com o uso do NVDA. O teste com o Jaws não foi
				realizado em função de dificuldades para o download da versão para demonstração.
				Finalmente, o teste com o webvox constatou que o seu uso não possibilita o acesso ao
				AVA.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>Os resultados dessa pesquisa revelam a falta de acessibilidade na plataforma Teleduc,
				conforme utilizada por Luzia e Sheika no âmbito do curso de especialização em
				Atendimento Educacional Especializado (AEE). Ainda que consigam acessar ferramentas
				como a <italic>estrutura do ambiente, agenda</italic>, <italic>fóruns de
					discussão</italic> e <italic>perfil,</italic> as professoras cegas não conseguem
				acessar plenamente a <italic>dinâmica do curso</italic>, <italic>atividades,
					material de apoio</italic>; <italic>leituras</italic>;
				<italic>enquetes</italic>; e <italic>portfólio</italic>. Essas dificuldades as
				desestimulam, gerando sentimentos de cansaço e frustração e interferindo no
				desempenho das mesmas no curso. Frente a essa situação, a administração do curso
				passou a enviar o material de estudo para o e-mail das professoras, em uma medida
				emergencial e paliativa, que minimiza a participação delas no ambiente do curso. Há,
				portanto, aqui, um duplo prejuízo associado a falta de acessibilidade no AVA: a
				interferência no desempenho no curso, que afeta mais diretamente as professoras; e a
				diminuição da participação das professoras no curso, que atinge ao próprio curso,
				especialmente porque ele se volta a educação inclusiva.</p>
			<p>A valorização da participação das professoras nesse curso se apoia no lema
					<italic>nada sobre nós sem nós</italic>, adotado pelo movimento social das
				pessoas com deficiência. Nesse sentido, vale ressaltar que Luzia e Sheika são cegas
				congênitas e pedagogas concursadas, atuando por quase duas décadas na orientação e
				habilitação de estudantes cegos para uso do Braille, sorobã e informática, entre
				outros recursos. Tais predicativos lhes conferem autoridade para falar sobre muitos
				temas discutidos no âmbito do curso de especialização em AEE, o que justifica que a
				participação delas no ambiente do curso seja valorizada. Como pessoas cegas desde o
				nascimento, Luzia e Sheika foram alfabetizadas em Braille e treinadas para o uso de
				computadores e outros Atendimentos Educacionais Especializados (AEE), vivências que
				lhes permitiram que se formassem como pedagogas e pudessem orientar estudantes cegos
				para o uso do Braille e da informática. Quanto a atendimentos especializados como o
				Braille e a informática, então, vivenciaram não só a experiência de aprender a
				usa-los, mas também pela experiência de ensino junto a estudantes cegos. Essas
				vivências, assim como as visões de mundo que lhes são associadas, podem - e devem -
				assumir um papel central para a estruturação de um ambiente acessível, em dimensões
				como a física, social, digital, pedagógica e cultural. Dessa forma, sabendo-se que
				Luzia e Sheika podem atuar como facilitadoras da inclusão no âmbito do curso de
				especialização em AEE, é importante que se possa aproveitar a oportunidade para
				realizar ali um trabalho <bold>com</bold> pessoas com deficiência e não somente
					<bold>para</bold> pessoas com deficiência. Nesse sentido, as professoras podem
				ter um papel central, inclusive nos trabalhos em busca de soluções para a falta de
				acessibilidade em AVA. Valorizando-se sempre a interação que se estabelece entre as
				professoras cegas e professores, tutores e colegas de turma, a qual pode contribuir
				para a criação de uma cultura inclusiva no âmbito do curso.</p>
			<p>Esse estudo tornou possível o conhecimento de uma situação-problema da perspectiva
				dos sujeitos que a vivenciam, alertando e convocando formadores e desenvolvedores
				para a busca conjunta de soluções que permitam a plena participação de estudantes
				cegos nos cursos que realizam, em condições de equidade com os demais estudantes.
				Nesse sentido, faz-se mister a adoção de estratégias para tornar o conteúdo web
				acessível a pessoas com deficiência, seguindo as recomendações dos estudos na área e
				de documentos elaborados por consórcios como o W3C. De fato, o conhecimento sobre
				acessibilidade na web é importante para todos os envolvidos tanto com o
				desenvolvimento de plataformas como o Teleduc, quanto com o planejamento e oferta
				dos cursos realizados nesses ambientes. Para tanto, cabe as universidades reforçar o
				investimento em pesquisas e outras ações que favoreçam as boas práticas em
				acessibilidade, inclusive no âmbito dos cursos que ofertam na modalidade a
				distância.</p>
			<p>Seguindo a perspectiva das professoras cegas, sugere-se que para a superação das
				dificuldades no âmbito do curso também sejam consideradas: a diferença de ritmos
				entre o cego e o vidente para a familiaridade com o ambiente e suas ferramentas, e
				para a realização de muitas atividades exigidas; e a busca de autonomia pela pessoa
				cega, que não deve ser tolhida em função da impossibilidade de realizar atividades
				no ambiente por si só, gerando a dependência de outros.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>4</label>
				<p>Tais como núcleos de acessibilidade, coordenações de curso, bibliotecas, núcleos
					de tecnologia da informação e outros setores, assim como professores e
					servidores técnico-administrativos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>5</label>
				<p>Muitos dos quais atuam também em instituições especializadas. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>6</label>
				<p>A saber: distribuição, princípios pedagógicos, aprendizagem colaborativa,
					interatividade, multimídia, usabilidade e acessibilidade. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>7</label>
				<p>O que tem levado designers e engenheiros de sistema a se apoiarem em teorias como
					a Gestalt e em estudos sobre design gráfico ou usabilidade para interfaces
					gráficas interativas para a construção desses ambientes.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>8</label>
				<p>Na área médica, a Organização Mundial de Saúde (OMS) define cegueira como a
					acuidade visual menor do que a 3/60, com a melhor correção ótica possível, ou
					campo visual menor que 10 graus, no melhor olho.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>9</label>
				<p>O Projeto de extensão <italic>Acessibilidade e Inclusão: abrindo janelas para a
						educação de pessoas cegas através do DOSVOX,</italic> atua para a integração
					do computador na educação e capacitação de pessoas cegas para o trabalho,
					havendo mantido, de março de 2004 a junho de 2014, serviço de uso de
					computadores por pessoas com deficiência visual em laboratório de informática da
					Faculdade de Educação. Âncora para a criação do Projeto UFC Inclui junto ao
					MEC/SESu-SEESP, o Projeto Acessibilidade desempenha papel importante junto aos
					alunos com deficiência visual da UFC à medida que promove, dentro da
					Instituição, a difusão e realização de atividades com o suporte de tecnologias
					assistivas tais como o DOSVOX, NVDA e ORCA. Manteve parceria com a Secretaria
					Municipal de Educação de Fortaleza (SME/PMF), atuando na capacitação de
					professores, entre outras atividades.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>10</label>
				<p>Nomes fictícios, por motivos éticos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>11</label>
				<p>Com uso do sistema Dosvox, principalmente, pretendendo-se usar o NVDA.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ABED. <italic>Censo EAD.BR</italic>: relatório analítico da
					aprendizagem a distância no Brasil 2018. Associação Brasileira de Educação a
					Distância. Curitiba: InterSaberes, 2019. Disponível em &lt; <ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://abed.org.br/arquivos/CENSO_DIGITAL_EAD_2018_PORTUGUES.pdf"
						>http://abed.org.br/arquivos/CENSO_DIGITAL_EAD_2018_PORTUGUES.pdf</ext-link>
					&gt; Acesso em 04/11/2019.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>ABED</collab>
					</person-group>
					<source><italic>Censo EAD.BR</italic>: relatório analítico da aprendizagem a
						distância no Brasil 2018. Associação Brasileira de Educação a
						Distância</source>
					<publisher-loc>Curitiba</publisher-loc>
					<publisher-name>InterSaberes</publisher-name>
					<year>2019</year>
					<comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://abed.org.br/arquivos/CENSO_DIGITAL_EAD_2018_PORTUGUES.pdf"
							>http://abed.org.br/arquivos/CENSO_DIGITAL_EAD_2018_PORTUGUES.pdf</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">04/11/2019</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>BRASIL. <italic>Decreto Presidencial nº 5.296</italic>, de 2 de
					dezembro de 2004. Disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.planalto.gov.br/ccivil/_ato2004-2006/2004/decret/d5296.htm"
						>http://www.planalto.gov.br/ccivil/_ato2004-2006/2004/decret/d5296</ext-link>.htm
					Acesso em 21/07/2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="legal-doc">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<source><italic>Decreto Presidencial nº 5.296</italic>, de 2 de dezembro de
						2004</source>
					<comment>Disponível em:<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.planalto.gov.br/ccivil/_ato2004-2006/2004/decret/d5296.htm"
							>http://www.planalto.gov.br/ccivil/_ato2004-2006/2004/decret/d5296.htm</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">21/07/2010</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>CAMPOS, Mariana de Lima Isaac Leandro; MENDES, Enicéia Gonçalves.
						<italic>Formação de professores para a educação inclusiva em cursos a
						distância</italic>: um estudo de campo documental. Revista Cocar.
					Belém/Pará. Edição Especial, N. 1, p. 209-227, 2015. Disponível em: &lt;
						<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://paginas.uepa.br/seer/index.php/cocar/article/viewFile/625/513"
						>https://paginas.uepa.br/seer/index.php/cocar/article/viewFile/625/513</ext-link>
					&gt; Acesso em 10/09/2019.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CAMPOS</surname>
							<given-names>Mariana de Lima Isaac Leandro</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>MENDES</surname>
							<given-names>Enicéia Gonçalves</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Formação de professores para a educação inclusiva em cursos a
						distância: um estudo de campo documental</article-title>
					<source>Revista Cocar</source>
					<publisher-loc>Belém/Pará</publisher-loc>
					<edition>Edição Especial Edição</edition>
					<issue>1</issue>
					<fpage>209</fpage>
					<lpage>227</lpage>
					<year>2015</year>
					<comment>Disponível em:<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://paginas.uepa.br/seer/index.php/cocar/article/viewFile/625/513"
							>https://paginas.uepa.br/seer/index.php/cocar/article/viewFile/625/513</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">10/09/2019</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>CARVALHO, Lucas Pedroso et al. Análise de acessibilidade no ambiente
					virtual de aprendizagem Moodle: um estudo de caso do uso do MIS com leitores de
					tela. Em SÁNCHEZ, J. (Ed.) <italic>Nuevas ideas em Informática
						Educativa</italic>, v. 14, p. 174-185, 2018, Santiago do Chile. Disponível
					em &lt; <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.tise.cl/Volumen14/TISE2018/174.pdf"
						>http://www.tise.cl/Volumen14/TISE2018/174.pdf</ext-link> &gt; Acesso em
					22/10/2019.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CARVALHO</surname>
							<given-names>Lucas Pedroso</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<chapter-title>Análise de acessibilidade no ambiente virtual de aprendizagem
						Moodle: um estudo de caso do uso do MIS com leitores de tela</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>SÁNCHEZ</surname>
							<given-names>J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Nuevas ideas em Informática Educativa</source>
					<volume>14</volume>
					<fpage>174</fpage>
					<lpage>185</lpage>
					<year>2018</year>
					<publisher-loc>Santiago do Chile</publisher-loc>
					<comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.tise.cl/Volumen14/TISE2018/174.pdf"
							>http://www.tise.cl/Volumen14/TISE2018/174.pdf </ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22/10/2019</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>COELHO, Cristina Madeira et al. Acessibilidade para pessoas com
					deficiência visual no Moodle. <italic>Linhas Críticas</italic>, Brasília, DF, v.
					17, n. 33, p. 327-348, 2011. Disponível em &lt; <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://core.ac.uk/download/pdf/33546553.pdf"
						>https://core.ac.uk/download/pdf/33546553.pdf </ext-link>&gt; Acesso em
					22/10/2019.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>COELHO</surname>
							<given-names>Cristina Madeira</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<article-title>Acessibilidade para pessoas com deficiência visual no
						Moodle</article-title>
					<source>Linhas Críticas</source>
					<publisher-loc>Brasília, DF</publisher-loc>
					<volume>17</volume>
					<issue>33</issue>
					<fpage>327</fpage>
					<lpage>348</lpage>
					<year>2011</year>
					<comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://core.ac.uk/download/pdf/33546553.pdf"
							>https://core.ac.uk/download/pdf/33546553.pdf </ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22/10/2019</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>GABARDO, Patrícia; QUEVEDO, Sílvia R. P. de; ULBRICHT, Vânia Ribas.
					Estudo comparativo das plataformas de ensino-aprendizagem. <italic>Revista
						Eletrônica de Biblioteconomia</italic>Ci. Inf., Florianópolis, n. esp., 2º
					sem 2010, p. 65-84. Disponível em: &lt; <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2010v15nesp2p65/15763"
						>https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2010v15nesp2p65/15763</ext-link>
					&gt; Acesso em 10/09/2019.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GABARDO</surname>
							<given-names>Patrícia</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>QUEVEDO</surname>
							<given-names>Sílvia R. P. de</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>ULBRICHT</surname>
							<given-names>Vânia Ribas</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Estudo comparativo das plataformas de
						ensino-aprendizagem</article-title>
					<source>Revista Eletrônica de Biblioteconomia</source>
					<publisher-name>Ci. Inf.</publisher-name>
					<publisher-loc>Florianópolis</publisher-loc>
					<issue>esp</issue>
					<year>2010</year>
					<fpage>65</fpage>
					<lpage>84</lpage>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2010v15nesp2p65/15763"
							>https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2010v15nesp2p65/15763</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">10/09/2019</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>GODINHO, Francisco. <italic>Internet para Necessidades
						Especiais</italic> Edição: UTAD / GUIA, 1999. Disponível em: &lt; <ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.acessibilidade.net/web/ine/livro.html"
						>http://www.acessibilidade.net/web/ine/livro.html</ext-link> &gt; Acesso em:
					28/03/2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GODINHO</surname>
							<given-names>Francisco</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Internet para Necessidades Especiais</italic></source>
					<publisher-loc>Edição: UTAD / GUIA</publisher-loc>
					<year>1999</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.acessibilidade.net/web/ine/livro.html"
							>http://www.acessibilidade.net/web/ine/livro.html</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">28/03/2010</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<mixed-citation>KENSKI, Vani Moreira. <italic>Educação e tecnologia</italic>: o novo
					ritmo da informação. Campinas, SP: Papirus, 2007.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>KENSKI</surname>
							<given-names>Vani Moreira</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Educação e tecnologia</italic>: o novo ritmo da
						informação</source>
					<publisher-loc>Campinas, SP</publisher-loc>
					<publisher-name>Papirus</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<mixed-citation>LIRA, Ana Karina Morais de; LIRA, Carlos André Morais de;
					"Acessibilidade em calçadas da Universidade Federal de Pernambuco", p. 246-259.
					In: <italic><bold>Anais do 15º Ergodesign &amp; Usihc [=Blucher Design
							Proceedings, vol. 2, num. 1]</bold></italic> São Paulo: Blucher, 2015.
					ISSN 2318-6968, DOI 10.5151/15ergodesign-47-E119. Disponível em: &lt; <ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/acessibilidade-em-caladas-da- universidade-federal-de-pernambuco-18989"
						>http://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/acessibilidade-em-caladas-da-
						universidade-federal-de-pernambuco-18989</ext-link> &gt; Acesso em:
					18/09/2019.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="confproc">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LIRA</surname>
							<given-names>Ana Karina Morais de</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>LIRA</surname>
							<given-names>Carlos André Morais de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>"Acessibilidade em calçadas da Universidade Federal de
						Pernambuco"</article-title>
					<fpage>246</fpage>
					<lpage>259</lpage>
					<source>Anais</source>
					<conf-name>15º Ergodesign &amp; Usihc [=Blucher Design Proceedings, vol. 2, num.
						1]</conf-name>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Blucher</publisher-name>
					<year>2015</year>
					<issn>2318-6968</issn>
					<pub-id pub-id-type="doi">10.5151/15ergodesign-47-E119</pub-id>
					<comment>Disponível em:<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/acessibilidade-em-caladas-da- universidade-federal-de-pernambuco-18989"
							>http://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/acessibilidade-em-caladas-da-
							universidade-federal-de-pernambuco-18989</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">18/09/2019</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<mixed-citation>MOODLE - Disponível em &lt; <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://docs.moodle.org/38/en/About_Moodle"
						>https://docs.moodle.org/38/en/About_Moodle</ext-link> &gt; Acesso em
					10/09/2019.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>MOODLE</collab>
					</person-group>
					<comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://docs.moodle.org/38/en/About_Moodle"
							>https://docs.moodle.org/38/en/About_Moodle</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">10/09/2019</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<mixed-citation>OCHAITA, Esperanza; ESPINOSA, Maria Ángeles (2004) Desenvolvimento e
					intervenção educativa nas crianças cegas ou deficientes visuais. In: COLL,
					César; MARCHESI, Álvaro e PALACIOS, Jesus. <italic>Desenvolvimento psicológico e
						educação</italic>: transtornos de desenvolvimento e necessidades educativas
					especiais, 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2004. (p. 151 a
					170).</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>OCHAITA</surname>
							<given-names>Esperanza</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>ESPINOSA</surname>
							<given-names>Maria Ángeles</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2004</year>
					<chapter-title>Desenvolvimento e intervenção educativa nas crianças cegas ou
						deficientes visuais</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>COLL</surname>
							<given-names>César</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>MARCHESI</surname>
							<given-names>Álvaro</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>PALACIOS</surname>
							<given-names>Jesus</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Desenvolvimento psicológico e educação</italic>: transtornos de
						desenvolvimento e necessidades educativas especiais</source>
					<edition>2ª edição</edition>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<publisher-name>Artmed</publisher-name>
					<year>2004</year>
					<fpage>151</fpage>
					<lpage>170</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<mixed-citation>SÁ, Elizabet Dias de. Cegueira e baixa visão. In SILUK, Ana Cláudia
					Pavão (Org). <italic>Atendimento Educacional Especializado</italic>:
					contribuições para a prática pedagógica. Santa Maria: Universidade Federal de
					Santa Maria, 1<sup>a</sup> reimpressão, 2014, p. 204-234. Disponível em
						&lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.ufsm.br/orgaos-executivos/caed/wp-content/uploads/sites/391/2019/04/Atendimento-Educacional-Especializado-Contribuições-para-a-Prática-Pedagógica.pdf"
						>https://www.ufsm.br/orgaos-executivos/caed/wp-content/uploads/sites/391/2019/04/Atendimento-Educacional-Especializado-Contribuições-para-a-Prática-Pedagógica.pdf</ext-link>
					&gt; Acesso em 16/10/2019.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SÁ</surname>
							<given-names>Elizabet Dias de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Cegueira e baixa visão</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>SILUK</surname>
							<given-names>Ana Cláudia Pavão</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Atendimento Educacional Especializado</italic>: contribuições
						para a prática pedagógica</source>
					<publisher-loc>Santa Maria</publisher-loc>
					<publisher-name>Universidade Federal de Santa Maria</publisher-name>
					<comment>1a reimpressão</comment>
					<year>2014</year>
					<fpage>204</fpage>
					<lpage>234</lpage>
					<comment>Disponível em<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://www.ufsm.br/orgaos-executivos/caed/wp-content/uploads/sites/391/2019/04/Atendimento-Educacional-Especializado-Contribuições-para-a-Prática-Pedagógica.pdf"
							>https://www.ufsm.br/orgaos-executivos/caed/wp-content/uploads/sites/391/2019/04/Atendimento-Educacional-Especializado-Contribuições-para-a-Prática-Pedagógica.pdf</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">16/10/2019</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<mixed-citation>SONZA, Andréa Poleto (2008) <italic>Ambientes virtuais acessíveis
						sob a perspectiva de usuários com limitação Visual</italic>Programa de
					Pós-Graduação em Informática na Educação da Universidade Federal do Rio Grande
					do Sul. Tese de doutorado. Disponível em &lt; <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/14661/000666392.pdf"
						>https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/14661/000666392.pdf</ext-link>
					&gt; Acesso em 27/07/2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SONZA</surname>
							<given-names>Andréa Poleto</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2008</year>
					<source>Ambientes virtuais acessíveis sob a perspectiva de usuários com
						limitação Visual</source>
					<publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação da
						Universidade Federal do Rio Grande do Sul</publisher-name>
					<comment>Tese de doutorado</comment>
					<comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/14661/000666392.pdf"
							>https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/14661/000666392.pdf</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">27/07/2010</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<mixed-citation>SZESZ JUNIOR et al. Acessibilidade em Ambiente Virtual de
					Aprendizagem. <italic>Revista Brasileira de Ensino de Ciência e
						Tecnologia</italic>, Ponta Grossa, v. 9, n. 1, p. 1-24, 2016. Disponível em
					&lt; <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://periodicos.utfpr.edu.br › rbect › article › download › pdf"
						>https://periodicos.utfpr.edu.br › rbect › article › download ›
						pdf</ext-link>
					<italic>&gt; Acesso em</italic>
					<italic>22/10/2019</italic></mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SZESZ</surname>
							<given-names>JUNIOR</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<article-title>Acessibilidade em Ambiente Virtual de
						Aprendizagem</article-title>
					<source>Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia</source>
					<publisher-loc>Ponta Grossa</publisher-loc>
					<volume>9</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>24</lpage>
					<year>2016</year>
					<comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://periodicos.utfpr.edu.br › rbect › article › download › pdf"
							>https://periodicos.utfpr.edu.br › rbect › article › download › pdf
						</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">22/10/2019</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<mixed-citation>TELEDUC - Disponível em &lt; <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="www.teleduc.org">www.teleduc.org</ext-link> &gt; Acesso em
					27/07/2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>TELEDUC</collab>
					</person-group>
					<comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="www.teleduc.org">www.teleduc.org</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">27/07/2010</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B17">
				<mixed-citation>WAI - Web Accessibility Initiative. How people with disabilities use
					the web. Disponível em &lt; <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.w3.org/WAI/EO/Drafts/PWD-Use-Web/#blindness"
						>https://www.w3.org/WAI/EO/Drafts/PWD-Use-Web/#blindness</ext-link> &gt;
					Acesso em 24/07/2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>WAI - Web Accessibility Initiative</collab>
					</person-group>
					<source>How people with disabilities use the web</source>
					<comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://www.w3.org/WAI/EO/Drafts/PWD-Use-Web/#blindness"
							>https://www.w3.org/WAI/EO/Drafts/PWD-Use-Web/#blindness</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">24/07/2010</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B18">
				<mixed-citation>W3C - World Wide Web Consortium. Disponível em:&lt; <ext-link
						ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.w3c.br"
						>http://www.w3c.br</ext-link> &gt; Acesso em: 28/03/2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>W3C - World Wide Web Consortium</collab>
					</person-group>
					<comment>Disponível em:<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.w3c.br">http://www.w3c.br</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">28/03/2010</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B19">
				<mixed-citation>YIN, Robert K. <italic>Estudo de caso: planejamento e
						métodos</italic>3ª Ed. - Porto Alegre: Bookman, 2005.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>YIN</surname>
							<given-names>Robert K.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Estudo de caso: planejamento e métodos</source>
					<edition>3ª Ed.</edition>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<publisher-name>Bookman</publisher-name>
					<year>2005</year>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
	</back>
</article>
