<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?> <!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"
	article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="nlm-ta">Rev. Top. Edu</journal-id>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rte</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista Tópicos Educacionais</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Centro de Educação - CE - Universidade
					Federal de Pernambuco - UFPE</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="epub">2448-0215</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Centro de Educação - CE - Universidade Federal de Pernambuco -
					UFPE</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.51359/2448-0215.2019.243787</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigos</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Aquisição da escrita: análise de textos infantis pela via do
						interacionismo<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Acquisition of writing: analysis of children's texts through
						Interactionism</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-4799-9328</contrib-id>
					<name>
						<surname>Carvalho</surname>
						<given-names>Magda Eacemberg Pereira Lima</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-0123-7670</contrib-id>
					<name>
						<surname>Barros</surname>
						<given-names>Isabela Barbosa do Rego</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<institution content-type="orgname">Universidade Católica de
					Pernambuco</institution>
				<addr-line>
					<city>Pernambuco</city>
				</addr-line>
				<country country="BR">Brasil</country>
				<institution content-type="original">Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
					(Pernambuco-Brasil) https://orcid.org/0000-0003-4799-9328
					magdapcarvalho@hotmail.com</institution>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<institution content-type="orgname">Universidade Católica de
					Pernambuco</institution>
				<addr-line>
					<city>Pernambuco</city>
				</addr-line>
				<country country="BR">Brasil</country>
				<institution content-type="original">Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
					(Pernambuco-Brasil) https://orcid.org/0000-0002-0123-7670
					ibelabarros@gmail.com</institution>
			</aff>
			<author-notes>
				<corresp id="c1">
					<email>magdapcarvalho@hotmail.com</email>
				</corresp>
				<corresp id="c2">
					<email>ibelabarros@gmail.com</email>
				</corresp>
			</author-notes>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>06</day>
				<month>08</month>
				<year>2021</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
				<season>Jan-Jun</season>
				<year>2019</year>
			</pub-date>
			<volume>25</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>42</fpage>
			<lpage>53</lpage>
			<permissions>
				<license license-type="open-access"
					xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="en">
					<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the
						Creative Commons Attribution Non-Commercial License which permits
						unrestricted noncommercial use, distribution, and reproduction in any medium
						provided the original work is properly cited.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<sec>
					<title>Resumo</title>
					<p>Considerando que a investigação sobre a aquisição da linguagem escrita merece
						uma atenção particular porque permite observar as etapas dessa iniciação e,
						por conseguinte, os fenômenos dessa aquisição, este trabalho tem como
						objetivo analisar a captura da criança pela linguagem. Para tanto partimos
						de questões já discutidas por autores filiados ao interacionismo em
						aquisição de linguagem quanto ao efeito do outro (semelhante) e do Outro
						(tesouro de significantes) no processo de aquisição da escrita, assim como o
						impossível da língua que irrompe na escrita da criança e causa
						estranhamento. Os resultados apontaram que a escrita inicial, por se tratar
						de um fato de linguagem, não está imune aos equívocos e deslocamentos da
						língua, pois a criança, no início do processo de aquisição de escrita,
						alienada aos textos do outro e submetida ao funcionamento da língua, tenta
						representar a fala na escrita.</p>
				</sec>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<sec>
					<title>Abstract</title>
					<p>Considering that the research on the acquisition of written language deserves
						special attention because it allows to observe the stages of this initiation
						and, consequently, the phenomena of this acquisition, this work has as
						objective to analyze the capture of the child by the language. In order to
						do so, we start from questions already discussed by authors affiliated to
						interactionism in language acquisition as to the effect of the other
						(similar) and the Other (treasure of signifiers) in the process of acquiring
						writing, as well as the impossible language that breaks into writing Child
						and cause estrangement. The results pointed out that the initial writing,
						because it is a fact of language, is not immune to misunderstandings and
						displacements of the language, since the child, at the beginning of the
						writing acquisition process, alienated to the texts of the other and
						submitted to the Tries to represent speech in writing.</p>
				</sec>
			</trans-abstract>
			<kwd-group>
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Aquisição da Escrita</kwd>
				<kwd>Textos Infantis</kwd>
				<kwd>Interacionismo em aquisição de linguagem</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group>
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Acquisition of Writing</kwd>
				<kwd>Children's Texts</kwd>
				<kwd>Interactionism in language acquisition</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Entendendo a Linguística como um lugar “onde o que não se sabe sobre a linguagem é
				reconhecido e produz questões” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">LEMOS, 1998</xref>,
				p. 8), este estudo tem como objetivo analisar quatro produções escritas por crianças
				em diferentes momentos do processo de aquisição da escrita.</p>
			<p>Convém realçar que, os textos que constituem o <italic>corpus</italic> deste trabalho
				são produções de domínio público, disponíveis na internet. Diante disso, ressaltamos
				que o fato de desconhecermos os sujeitos, bem como as condições de produção em que
				os textos foram escritos, não será possível uma análise mais aprofundada, visto que
				a ausência dessas informações limita a compreensão dos movimentos discursivos feitos
				pelas crianças.</p>
			<p>Apesar disso, nosso objetivo é analisar essas produções a partir das discussões de
				autores filiados ao interacionismo em aquisição, o que nos faz assumir a proposta de
				que a criança quando colocada em contato com textos escreve a partir de uma cadeia
				de significantes. É importante dizer que não é nossa pretensão nos aproximarmos de
				teorias filiadas à filosofia clássica, como o construtivismo, por exemplo, que
				compreende o processo de alfabetização como algo que se constrói progressivamente
				numa correspondência grafofônica, uma vez que essa perspectiva teórica, assim como
				outras que têm como base a filosofia clássica, não explica como produções insólitas
				emergem na escrita da criança.</p>
			<p>Nessa perspectiva, compreendemos que se faz necessário apresentar algumas breves
				considerações sobre a linha de pesquisa que assumimos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Aquisição da escrita no Interacionismo em aquisição de linguagem</title>
			<p>A perspectiva teórica postulada pela brasileira Cláudia de Lemos, no campo da
				aquisição de linguagem, embora tenha como princípio a investigação da trajetória
				linguística da criança, também oferece subsídios para o estudo da aquisição da
				escrita.</p>
			<p>Diante disso, assumimos a proposta de que “a imersão em textos promove ou é
				determinante do processo de aquisição da escrita” (<xref ref-type="bibr" rid="B1"
					>BORGES, 2006</xref>, p. 149), o que implica a suposição de um sujeito alienado
				ao discurso do outro (semelhante) e do Outro (tesouro de significantes), “que
				condiciona a aquisição da linguagem” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BORGES,
					2010</xref>, p. 104).</p>
			<p>Nessa perspectiva, o outro é tomado como representante do funcionamento da língua
				constituída, cujo papel seria, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B8">Lemos (1998,
					p. 17)</xref>, “o de intérprete. [...] que se oferece ao mesmo tempo como
				semelhante e como diferente”, em razão de que ler para a criança, interrogá-la sobre
				o sentido do que “escreveu” e escrever para que ela leia são situações que
				contribuem para a inserção da criança no movimento linguístico- discursivo da
				escrita.</p>
			<p>Nessa linha, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Borges (2006)</xref> observa que quando
				colocada em situações de leitura e escrita que não priorizam a correspondência entre
				grafemas e fonemas, a criança escreve a partir de uma cadeia de significantes, que
				indica, de acordo com citação de Lemos apresentada por Borges (idem, p. 158), “que o
				processo de aquisição da escrita não se dá como um voo cego, mas guiado pelas
				possibilidades da criança de se identificar nas posições abertas pelos discursos do
				outro”.</p>
			<p>Daí a importância de compreender que o termo “interacionismo”, nessa perspectiva,
				trata da relação sujeito-língua, diferente da concepção adotada pelo Construtivismo
				e pelo Sociointeracionismo, em que a primeira (Construtivismo) emprega o termo
				interacionismo para explicar o desenvolvimento da linguagem da criança pela
				interação com o ambiente e a segunda (Sociointeracionismo) para explicar o
				desenvolvimento da linguagem por meio do diálogo adulto-criança.</p>
			<p>No texto <italic>Das vicissitudes da fala da criança e de sua investigação</italic>
				(2002) , Lemos afirma que a criança é capturada “por um funcionamento linguístico
				discursivo que não só a significa como lhe permite significar outra coisa para além
				do que ela significou” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">LEMOS, 2002</xref>, p. 55).
				Nessa perspectiva, a autora apresenta uma proposição que integra concepções do outro
				e da relação do sujeito com a língua, assim como do próprio sujeito. Essa proposta
				consiste na possibilidade de mudança de posição em uma estrutura cujos polos são “o
				outro, a língua e o próprio sujeito” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">LEMOS,
					2000</xref>, p. 60). Com isso, Lemos envolve a noção de língua como sistema, o
				que a faz recorrer à linguística estruturalista, sobretudo Saussure e Jakobson.</p>
			<p>Segundo a autora (2002, p. 54), a presença das formulações saussurianas em sua
				proposta demanda a articulação de “um sujeito [...] compatível com a concepção de
				língua na teorização da Linguística”, trata-se de um sujeito que existe enquanto
				efeito de linguagem e cuja constituição se faz em sua relação com o outro-falante
				por meio da linguagem. Nessa ordem, o sujeito é então entendido como “capturado”
				pela linguagem e submetido ao seu funcionamento.</p>
			<p>Observaremos, na seção a seguir, como o fenômeno da captura do sujeito pela linguagem
				ocorre nos textos que compõem nosso <italic>corpus</italic> de análise.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Análise e Discussão dos textos</title>
			<p>Partindo da afirmação de <xref ref-type="bibr" rid="B2">Borges (2010)</xref> de que a
				escrita “com letras, sinais gráficos convencionais, e não com rabiscos, já é efeito
				do outro-discurso (escrito)” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BORGES, 2010</xref>, p.
				106) sobre a escrita da criança, apresentaremos a seguir um conjunto de quatro
				textos escritos por diferentes crianças em diferentes momentos do percurso de
				aquisição da linguagem escrita, mas que reverberam o efeito do outro (semelhante) e
				do Outro (tesouro de significantes) na captura da criança pela linguagem.
				Vejamos:</p>
			<p>É possível observar nessas produções o que <xref ref-type="bibr" rid="B2">Borges
					(2010)</xref> coloca como efeito do outro-discurso escrito, isso porque esses
				textos revelam uma escrita endereçada, em que suas autoras deixam claro, logo no
				vocativo, os destinatários de seus textos. Esse fenômeno nos remete à explicação de
					<xref ref-type="bibr" rid="B5">Bosco (2009, p. 87)</xref> de que “um texto (oral
				ou escrito), seja ele de qualquer natureza ou extensão, ‘é sempre um texto para
				alguém, de alguém’”.</p>
			<p>Nesse sentido, pode-se compreender que o contato com os textos escritos fornecidos
				pelo outro (adulto) permite à criança, alienada a imagem desses textos, escrever a
				partir de cadeias significantes que remetem “à tensão entre o eixo sintagmático e o
				eixo paradigmático a que Saussure deu estatuto teórico” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B8">LEMOS, 1998, p. 15)</xref>, visto que há <italic>in praesentia</italic>
				“termos igualmente presentes numa série efetiva” (<xref ref-type="bibr" rid="B15"
					>SAUSSURE, 2006</xref> [1916], p. 143) e <italic>in absentia</italic> há
				elementos que se associam a outros que estão ausentes, nessa escrita.</p>
			<p>É interessante observar também, nessas produções, a ocorrência do que o
				interacionismo em aquisição de linguagem concebe, a partir de Lacan e Milner, como
				equivocidade da língua, isto é, o impossível que irrompe na fala ou na escrita
				causando estranhamento.</p>
			<p>O equívoco da língua, para <xref ref-type="bibr" rid="B13">Milner (2012)</xref>,
				corresponde ao reconhecimento da “partição entre o correto e o incorreto que está no
				coração das gramáticas e das descrições linguísticas” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B13">MILNER, 2012</xref>, p. 27), é o lugar onde a língua não cessa de ser
				desestratificada pelo impossível de dizer e impossível de não dizer. Desse modo, a
				criança uma vez capturada pela linguagem está suscetível ao imprevisível da língua,
				seja na fala ou na escrita.</p>
			<p>No <xref ref-type="fig" rid="f1">texto 1</xref>, o equívoco pode ser observado no
				nome do destinatário da mensagem, grafado “LELENA”, em que o nome é, provavelmente,
				Helena ou Elena, na forma verbal “posso”, grafada como “POSOU”, na forma verbal
				“ir”, grafada “I”, no substantivo “casa”, grafado “CAZA” e no nome “Maria”, grafado
				“MARPA”.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Texto 1</label>
					<caption/>
					<graphic xlink:href="2448-0215-rte-25-01-0042-gf01.tif"/>
					<attrib>Fonte: Revista Nova Escola (2015)</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bosco (2002, p. 66)</xref>, “é pela via
				do equívoco pela via da homonímia que um traço ou uma série de traços [...] pode
				evocar outros traços ou séries”, nesse caso pode-se supor que o equívoco ocorrido na
				escrita do nome do destinatário seja resultado do efeito do traço sonoro, isso
				porque a sílaba tônica “-le” do nome Helena ou Elena, parece insistir na escrita
				desse nome pela criança.</p>
			<p>Embora o interacionismo em aquisição de linguagem não trate o processo de aquisição
				da escrita como representação da fala, pode-se compreender que a ocorrência da
				escrita “POSOU”, “I” e “CAZA” seja uma tentativa de representação da fala na escrita
				devido à semelhança do traço sonoro, uma vez que no início do processo de aquisição
				da escrita as questões ortográficas ainda não estão muito claras para a criança e
				esta, por sua vez, escreve a partir de traços sonoros que se assemelham aos das
				palavras que escrevem. O que pode ser interpretado como uma questão da captura da
				criança pelo funcionamento da linguagem, em que o sujeito não “se apropria da
				língua, mas é por ela ‘apropriado’, como uma ordem que lhe é anterior e na qual não
				tem outro caminho senão nela se enquadrar, alienando-se” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B4">BOSCO, 2002</xref>, p. 75).</p>
			<p>Ainda observando o <xref ref-type="fig" rid="f1">texto 1</xref>, a escrita do nome
				“Maria” parece comportar a letra “p” no lugar da vogal “i”. Nesse caso, a escrita em
				bastão da vogal “i” pode ter sido associada à imagem da consoante “r”, que por ter
				sido grafada em letra bastão apresenta semelhança com o traço gráfico da letra “p”,
				o que pode revelar, também, a equivocidade da língua pelo deslizamento do traço da
				letra.</p>
			<p>Já no <xref ref-type="fig" rid="f2">texto 2</xref>, a escrita de “convido” como
				“QOVIDU”, “você” como “VOSE”, “brincar” como “BRICA”, “casa” como “CAZA”, “um” como
				“U”, “beijo” como “BGO” e “abraço” como “A BRASO” também pode ser interpretada como
				equívoco da língua, provocado pela semelhança sonora entre as palavras escritas pela
				criança e as formas gráficas que as palavras da língua constituída apresentam. É
				interessante observar, também, que o <xref ref-type="fig" rid="f2">texto 2</xref>
				apresenta ainda a escrita espelhada do número 4 e um desenho que se assemelha a um
				círculo com a letra X grafada no interior, o que pode assinalar a existência de
				resquícios da marca de desenho na escrita dessa criança.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Texto 2</label>
					<caption/>
					<graphic xlink:href="2448-0215-rte-25-01-0042-gf02.tif"/>
					<attrib>Fonte: Blog da Vila (2015)</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bosco (2002, p. 154)</xref>, “a qualquer ponto de
				uma série, um desenho ou uma letra pode metaforizar, produzindo a equivocidade”.
				Nesse sentido, os equívocos que emergem na escrita desses dois textos, podem ser
				entendidos como movimentos da linguagem sobre a própria linguagem sobre os quais,
				segundo <xref ref-type="bibr" rid="B1">Borges (2006)</xref>, a criança não tem
				controle. O que nos remete à proposição de Lacan de que a caligrafia é o “lugar de
				puro gozo da letra” (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BORGES, 2011</xref>, p. 79), é o
				lugar em que o ato de riscar se somaria, segundo Borges, ao gozo escópico do traçado
				(o prazer de olhar seu traçado) e à sonorização.</p>
			<p>Esse gozo provocado pela escrita, de que trata Lacan, pode ser observado no <xref
					ref-type="fig" rid="f2">texto 2</xref>, em que a criança (diferente da criança
				do <xref ref-type="fig" rid="f1">texto 1</xref> que escreveu apenas o vocativo, a
				mensagem e a assinatura) apresenta mais detalhes na mensagem de sua produção, além
				do vocativo, da despedida, da assinatura e novamente do nome do destinatário.</p>
			<p>É importante destacar que ambos os textos apresentam a assinatura de suas autoras
				(Maria Eduarda e Mariana), o que nos remete ao trabalho de <xref ref-type="bibr"
					rid="B5">Bosco (2009)</xref> sobre o nome próprio na escrita da criança.</p>
			<p>Para essa autora, o nome próprio escrito nos textos da criança como sua assinatura
				“ganha destaque como um enunciado dotado de uma especificidade [...] que vai
				conceder a autoria do texto produzido àquele que nele anuncia de um modo singular o
				seu nome por escrito” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BOSCO, 2009</xref>, p. 36) e
				que, no caso da escrita inicial, inscreve a criança como sujeito na linguagem, visto
				que o traçado das letras do nome sobre o papel, segundo a autora (idem), resulta na
				realização de uma marca que o sujeito está investido.</p>
			<p>Continuando nossa reflexão acerca do efeito do outro-discurso (escrito) nos textos de
				crianças em processo de aquisição da linguagem escrita, observamos, nos textos 3 e
				4, que “a leitura dos escritos infantis propõe-se como deciframento” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B5">BOSCO, 2009</xref>, p. 114), isso porque a criança
				alienada aos textos do outro (semelhante) que a conduz ao funcionamento do Outro
				(tesouro de significantes), escreve a partir de cadeias de significantes já
				inscritas na memória, permitindo, com isso, que a fala do adulto retorne em seu
				texto “como um fragmento em que está de alguma forma inscrita a relação instaurada
				pelo adulto na situação discursiva” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">LEMOS,
					1998</xref>, p. 15).</p>
			<p>Esse “retorno” da fala do adulto, que emerge na produção escrita da criança, pode ser
				observado no fragmento “comfia na sua mamãe quando ela falar para não sutar pipa” e
				“meu pai falou não soute pipa” (<xref ref-type="fig" rid="f3">texto 3</xref>); pois,
				alienada ao discurso do outro adulto que a adverte sobre os perigos do uso do cerol
				em pipas, a criança, identificada à palavra do pai<xref ref-type="fn" rid="fn2"
					>2</xref>, diz que parou de soltar pipa e, por isso, agora é “um garoto
				feliz”.</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Texto 3</label>
					<caption/>
					<graphic xlink:href="2448-0215-rte-25-01-0042-gf03.tif"/>
					<attrib>Fonte: O Blog de Redação (2013)</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Como não é nosso objetivo analisar as formações discursivas e ideológicas, a
				posição-sujeito assumida por essa criança no seu texto e muito menos as questões do
				sujeito do inconsciente, não pretendemos, nesta análise, nos aprofundarmos nas
				teorias que dão suporte a essas questões, como a Análise de Discurso Francesa e a
				Psicanálise Lacaniana, embora achemos importante pôr em evidência como o retorno do
				discurso dos pais (pai e mãe) afeta a produção escrita dessa criança, o que nos
				encaminha para a afirmação de Lemos de que “essa interpretação não tem origem no
				adulto, mas no discurso em que ele próprio, submetido ao funcionamento
				linguístico-discursivo, é significado” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">LEMOS,
					1998</xref>, p. 15-16).</p>
			<p>No que diz respeito à escrita do <xref ref-type="fig" rid="f3">texto 3</xref>,
				observa-se, assim como nos textos 1 e 2, ocorrências de equivocidade no traço sonoro
				das palavras “negócio”, “queria”, “parasse”, “solte”, “confia”, “soltar”, “soltava”
				e “hoje” grafados respectivamente como “negosso”, “que ria”, “paracê”, “soute”,
				“comfia”, “sutar”, “soutava” e “oje”, equívocos comuns durante o percurso da criança
				no processo de aquisição da linguagem escrita, uma vez que nesse percurso inicial,
				como já colocado, a criança tenta representar a fala na escrita. Essa tentativa de
				representação pode ser decifrada como o que desvela o funcionamento da linguagem,
				pois as associações sonoras feitas pela criança e presentes em seu texto não
				caracterizam “os escritos infantis como simples tentativas de produção de um escrito
				inicialmente feito por um outro” (BOSCO, 2009, p. 94), mas reflete, no dizer de
					<xref ref-type="bibr" rid="B11">Lemos (2006, p. 27)</xref>, “a captura da
				criança por <italic>le langage</italic>”.</p>
			<p>Já no <xref ref-type="fig" rid="f4">texto 4</xref>, pode-se observar a escrita de um
				texto em que a única ocorrência de equívoco no traço sonoro está na grafia da
				palavra inglesa “show”, grafada como “chou” sem que haja prejuízo na sua
				compreensão, em consequência de que “sh” e “ch” possuem o mesmo som: /ʃ/, bem como o
				“w” e “u” que são representados foneticamente pelo /w/, já que o “u” de “chow” está
				figurando como semivogal.</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Texto 4</label>
					<graphic xlink:href="2448-0215-rte-25-01-0042-gf04.tif"/>
					<attrib>Fonte: Internet</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Convém realçar que o <xref ref-type="fig" rid="f4">texto 4</xref>, embora não
				apresente outros equívocos sonoros ou gráficos, além do que já apontamos, trata-se
				de uma produção que parece alienada à escrita presente nas antigas cartilhas de
				alfabetização em que os textos aparecem organizados em frases simples, curtas e
				paralelísticas do tipo “Ciro levantou-se bem cedo e foi até a janela. Uma cigarra
				cantava na macieira. Ela fazia: - Ci... Ci...Ci...Ci...Ci”<xref ref-type="fn"
					rid="fn3">3</xref>.</p>
			<p>A escrita de frases como “O circo de Matheus é bem legal. O malabarista João é o
				melhor do circo. O circo faz muito sucesso...” (<xref ref-type="fig" rid="f4">texto
					4</xref>) nos encaminha para a afirmação de Borges que diz, parodiando Barthes,
				“que <italic>não se trata aí de uma escrita da criança, mas da criança sendo escrita
					pelo Outro</italic>, representado, nesse caso, pelos textos que circulam na sala
				de aula” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BORGES, 2006</xref>, p. 151, grifo da
				autora), dado que, em algumas situações de aula, os textos disponíveis à criança em
				fase de aquisição da escrita são constituídos por períodos curtos, na tentativa de
				facilitar o processo de alfabetização.</p>
			<p>Outro aspecto interessante que se pode notar nesses textos (<xref ref-type="fig"
					rid="f3">3</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f4">4</xref>) é que eles não
				aparecem assinados por seus autores como nos <xref ref-type="fig" rid="f1">textos
					1</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f2">2</xref>, embora o <xref ref-type="fig"
					rid="f4">texto 4</xref> apresente os nomes “Matheus” (dono do circo) e “João”
				(malabarista), o que pode apontar, pela trilha do deciframento, para nomes de
				sujeitos que fazem parte do cotidiano da criança ou para o seu próprio nome, já que
				o nome, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B5">Bosco (2009, p. 29)</xref>, permite a
				um sujeito se identificar e identificar-se com ele na dimensão da nomeação.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>Com o objetivo de analisar um conjunto de textos escritos por quatro crianças em
				diferentes momentos do percurso de aquisição da linguagem escrita, buscamos por meio
				do interacionismo em aquisição de linguagem, formulado com base no estruturalismo
				europeu - ressignificado pela psicanálise lacaniana, observar o efeito do
				outro-discurso (escrito), representado pelos textos que circulam em sala de aula,
				nas produções escritas das crianças.</p>
			<p>Diante do que nos foi possível decifrar nesses textos, os resultados apontaram para o
				que <xref ref-type="bibr" rid="B1">Borges (2006)</xref> já havia assinalado sobre a
				escrita infantil. Para a autora, a “produção de cada criança é singular.
					<italic>Cada</italic> uma dispõe de significantes [...] que advêm de sua relação
				com o Outro” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BORGES, 2006</xref>, p. 152, grifo da
				autora), em razão da captura pela linguagem. Com isso, observamos que a escrita
				inicial, por se tratar de um fato de linguagem, também não está imune aos equívocos
				e deslocamentos da língua, sobretudo no que diz respeito ao traço sonoro, uma vez
				que no início do processo de aquisição de linguagem a criança tenta representar a
				fala na escrita.</p>
			<p>Para finalizar, reconhecemos e concordamos com <xref ref-type="bibr" rid="B11">Borges
					(2006, p. 158)</xref> que a escrita inicial é um lugar privilegiado para a
				apreensão do funcionamento da língua, por se tratar de um movimento de ordem
				linguística. Reconhecemos, ainda, que as análises feitas nesse trabalho, ou melhor,
				a tentativa de deciframento dessas produções, carece de uma discussão mais esmerada
				no que se refere à mudança de posição em uma estrutura, como teorizado por <xref
					ref-type="bibr" rid="B10">Cláudia de Lemos (2002)</xref>, mas que não foi
				possível fazermos, aqui, por não ser nosso objetivo.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Esse texto foi apresentado, inicialmente, como atividade da disciplina “Aquisição
					da Linguagem Escrita”, do Curso de Doutorado em Ciências da Linguagem, da
					Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), cuja proposta da atividade era
					discutir textos escritos por crianças a partir de uma das diferentes linhas
					teóricas que trata da aquisição da escrita.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Expressão usada por Lacan, no livro 5 - As formações do Inconsciente (1999
					[1957-1958]), para explicar a lógica da castração nos três tempos do Édipo. Para
					o autor, o que constitui o caráter decisivo da relação do Édipo “deve ser
					isolado como relação não com o pai, mas com a palavra do pai” (LACAN, 1999
					[1957-1958], p. 199), devido ao fato de que em determinado momento da
					constituição da criança como sujeito o pai é tudo que há de mais agradável para
					ela.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Fragmento extraído da Cartilha de Alfabetização “Alegria de Saber”, de Luciana
					Maria Marinho Passos (2009), publicado pela Editora Scipione.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>BORGES, Sônia Xavier de Almeida. A aquisição da escrita como
					processo linguístico. In: LIER-DEVITO, Maria Francisca; ARANTES, Lúcia (Org.).
					Aquisição, patologias e clínica da linguagem. São Paulo: EDUC, FAPESP, 2006. p.
					149-159.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BORGES</surname>
							<given-names>Sônia Xavier de Almeida</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>A aquisição da escrita como processo linguístico</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>LIER-DEVITO</surname>
							<given-names>Maria Francisca</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>ARANTES</surname>
							<given-names>Lúcia</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Aquisição, patologias e clínica da linguagem</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>EDUC, FAPESP</publisher-name>
					<year>2006</year>
					<fpage>149</fpage>
					<lpage>159</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>__________.Psicanálise, linguística, linguisteria. São Paulo:
					Escuta, 2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BORGES</surname>
							<given-names>Sônia Xavier de Almeida</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Psicanálise, linguística, linguisteria</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Escuta</publisher-name>
					<year>2010</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>__________. Escrita e letra na psicanálise: algumas considerações.
					In: LIER-DE VITTO, Maria Francisca; ARANTES, Lúcia (Org.). Faces da escrita:
					linguagem, clínica, escola. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2011. p.
					75-82.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BORGES</surname>
							<given-names>Sônia Xavier de Almeida</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Escrita e letra na psicanálise: algumas
						considerações</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>LIER-DE VITTO</surname>
							<given-names>Maria Francisca</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>ARANTES</surname>
							<given-names>Lúcia</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><bold>Faces da escrita</bold>: linguagem, clínica, escola</source>
					<publisher-loc>Campinas, SP</publisher-loc>
					<publisher-name>Mercado de Letras</publisher-name>
					<year>2011</year>
					<fpage>75</fpage>
					<lpage>82</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>BOSCO, Zelma Regina. No jogo dos significantes, a infância da letra.
					Campinas, SP: Pontes, 2002.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOSCO</surname>
							<given-names>Zelma Regina</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>No jogo dos significantes, a infância da letra</source>
					<publisher-loc>Campinas, SP</publisher-loc>
					<publisher-name>Pontes</publisher-name>
					<year>2002</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>__________. A errância da letra: o nome próprio na escrita da
					criança. Campinas, SP: Pontes Editores, 2009.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOSCO</surname>
							<given-names>Zelma Regina</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><bold>A errância da letra</bold>: o nome próprio na escrita da
						criança</source>
					<publisher-loc>Campinas, SP</publisher-loc>
					<publisher-name>Pontes Editores</publisher-name>
					<year>2009</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>HAUN, Gustavo Atallah. Um exemplo de texto oralizado. Disponível em
					http: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://oblogderedacao.blogspot.com/2013/02/que-fofo.html.%20Acesso%20em%2005/06/2017."
						>http://oblogderedacao.blogspot.com/2013/02/que-fofo.html.%20Acesso%20em%2005/06/2017.</ext-link>
					Acesso em 05/06/2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>HAUN</surname>
							<given-names>Gustavo Atallah</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Um exemplo de texto oralizado</source>
					<comment>Disponível em http: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://oblogderedacao.blogspot.com/2013/02/que-fofo.html.%20Acesso%20em%2005/06/2017."
							>http://oblogderedacao.blogspot.com/2013/02/que-fofo.html.%20Acesso%20em%2005/06/2017.</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">05/06/2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>LACAN, Jacques. O Seminário, livro 5. As formações do inconsciente.
					Rio de Janeiro: Zahar, 1999 [1957-1958].</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LACAN</surname>
							<given-names>Jacques</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><bold>O Seminário</bold>, livro 5. <bold>As formações do
							inconsciente</bold></source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Zahar</publisher-name>
					<year>1999</year>
					<comment>[1957-1958]</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>LEMOS, Cláudia Thereza Guimarães de. Sobre a aquisição da escrita:
					algumas questões. In: ROJO, Roxane. Alfabetização e letramento: perspectivas
					linguísticas. Campinas, SP: Mercado das Letras, 1998. p. 8-18.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LEMOS</surname>
							<given-names>Cláudia Thereza Guimarães de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Sobre a aquisição da escrita: algumas questões</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ROJO</surname>
							<given-names>Roxane</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><bold>Alfabetização e letramento</bold>: perspectivas
						linguísticas</source>
					<publisher-loc>Campinas, SP</publisher-loc>
					<publisher-name>Mercado das Letras</publisher-name>
					<year>1998</year>
					<fpage>8</fpage>
					<lpage>18</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<mixed-citation>__________. Desenvolvimento da Linguagem e Processo de Subjetivação.
					Revista Interações, v. V, n. 10. Jul/dez., p. 53-72, 2000.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LEMOS</surname>
							<given-names>Cláudia Thereza Guimarães de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Desenvolvimento da Linguagem e Processo de
						Subjetivação</article-title>
					<source>Revista Interações</source>
					<volume>V</volume>
					<issue>10</issue>
					<fpage>53</fpage>
					<lpage>72</lpage>
					<year>2000</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<mixed-citation>__________. Das Vicissitudes da Fala da Criança e sua Investigação.
					Cadernos de Estudos Linguísticos. Campinas: IEL/Unicamp, n. 42, p. 41-69,
					2002.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LEMOS</surname>
							<given-names>Cláudia Thereza Guimarães de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Das Vicissitudes da Fala da Criança e sua
						Investigação</article-title>
					<source>Cadernos de Estudos Linguísticos</source>
					<publisher-loc>Campinas</publisher-loc>
					<publisher-name>IEL/Unicamp</publisher-name>
					<issue>42</issue>
					<fpage>41</fpage>
					<lpage>69</lpage>
					<year>2002</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<mixed-citation>__________. Uma crítica (radical) à noção de desenvolvimento na
					Aquisição da Linguagem. In: LIER-DE VITTO, Maria Francisca; ARANTES, Lúcia
					(Org.). Aquisição, patologias e clínica de linguagem. São Paulo: EDUC, FAPESP,
					2006. p. 21- 32.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LEMOS</surname>
							<given-names>Cláudia Thereza Guimarães de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Uma crítica (radical) à noção de desenvolvimento na Aquisição da
						Linguagem</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>LIER-DE VITTO</surname>
							<given-names>Maria Francisca</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>ARANTES</surname>
							<given-names>Lúcia</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Aquisição, patologias e clínica de linguagem</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>EDUC, FAPESP</publisher-name>
					<year>2006</year>
					<fpage>21</fpage>
					<lpage> 32</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<mixed-citation>LUIZE, Andréa. Ele escreve faltando letras: corrijo ou não?
					Disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.escoladavila.com.br/blog/?cat=4&amp;paged=23"
						>http://www.escoladavila.com.br/blog/?cat=4&amp;paged=23</ext-link>Acesso
					em: 05/06/2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LUIZE</surname>
							<given-names>Andréa</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Ele escreve faltando letras: corrijo ou não?</source>
					<comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.escoladavila.com.br/blog/?cat=4&amp;paged=23"
							>http://www.escoladavila.com.br/blog/?cat=4&amp;paged=23</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">05/06/2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<mixed-citation>MILNER. Jean-Claude. O amor da língua. Campinas, SP: Editora da
					Unicamp, 2012.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MILNER</surname>
							<given-names>Jean-Claude</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O amor da língua</source>
					<publisher-loc>Campinas, SP</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora da Unicamp</publisher-name>
					<year>2012</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<mixed-citation>PASSOS, Luciana Maria Marinho. Alegria de Saber: Livro de
					alfabetização. São Paulo: Editora Scipione, 2009.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PASSOS</surname>
							<given-names>Luciana Maria Marinho</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><bold>Alegria de Saber</bold>: Livro de alfabetização</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora Scipione</publisher-name>
					<year>2009</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<mixed-citation>SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. 27. ed. São
					Paulo: Cultrix, 2006 [1916].</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SAUSSURE</surname>
							<given-names>Ferdinand de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Curso de Linguística Geral</source>
					<edition>27. ed</edition>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Cultrix</publisher-name>
					<year>2006</year>
					<comment>[1916]</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<mixed-citation>SCARPA, Regina. Vamos deixar os pequenos escrever do jeito dele.
					Revista Nova Escola, 2015. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://novaescola.org.br/conteudo/78/vamos-deixar-os-pequenos-escrever-do-jeito-deles."
						>https://novaescola.org.br/conteudo/78/vamos-deixar-os-pequenos-escrever-do-jeito-deles.</ext-link>
					Acesso em: 05/06/2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SCARPA</surname>
							<given-names>Regina</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Vamos deixar os pequenos escrever do jeito dele</article-title>
					<source>Revista Nova Escola</source>
					<year>2015</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://novaescola.org.br/conteudo/78/vamos-deixar-os-pequenos-escrever-do-jeito-deles."
							>https://novaescola.org.br/conteudo/78/vamos-deixar-os-pequenos-escrever-do-jeito-deles.</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">05/06/2017</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
	</back>
</article>
