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				<journal-title>Revista Tópicos Educacionais</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Centro de Educação - CE - Universidade
					Federal de Pernambuco - UFPE</abbrev-journal-title>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.51359/2448-0215.2019.244552</article-id>
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					<subject>Artigos</subject>
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				<article-title>O Jornal Batista, o estandarte e referências para o estudo da
					educação protestante no Brasil entre 1893 e 1930</article-title>
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					<trans-title><italic>O Jornal Batista</italic>, <italic>O Estandarte</italic>
						and references for the study of Protestant education in Brazil between 1893
						and 1930</trans-title>
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						<surname>Silva</surname>
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					<institution content-type="orgname">Secretaria de Estado da Educação de
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					<institution content-type="original">Secretaria de Estado da Educação de
						Pernambuco (Pernambuco-Brasil) https://orcid.org/0000-0001-8494-0726
						pauloemac@gmail.com</institution>
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					<email>pauloemac@gmail.com</email>
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				<year>2021</year>
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				<year>2019</year>
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			<volume>25</volume>
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					<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the
						Creative Commons Attribution Non-Commercial License which permits
						unrestricted noncommercial use, distribution, and reproduction in any medium
						provided the original work is properly cited.</license-p>
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			<abstract>
				<sec>
					<title>Resumo</title>
					<p>O presente texto tem como objetivo trazer uma exposição das relações
						teórico-metodológicas das pesquisas que venho desenvolvendo desde o final do
						doutorado defendido na UNICAMP em fevereiro de 2016. Enfatizo os periódicos
							<italic>O Jornal Batista</italic> e <italic>O Estandarte</italic> como
						minhas principais fontes analisadas. Também trago um levantamento de uma
						bibliografia atualizada que auxilia na construção dos debates entre os
						sujeitos envolvidos nas discussões. A temática se insere dentro do campo da
						História Cultural, transitando entre religião e educação, buscando entender
						as relações entre esses dois campos e suas nuances, principalmente no que se
						refere as denominações Batista e Presbiteriana Independente.</p>
				</sec>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<sec>
					<title>Abstract</title>
					<p>This text aims to bring an exposition of the theoretical-methodological
						relations of the research that I have been developing since the end of the
						doctorate defended at UNICAMP in 2016. I emphasize the periodicals O Jornal
						Batista and O Estandarte as my main analyzed sources. I also bring a survey
						of an updated bibliography that helps in the construction of debates between
						the subjects involved in the discussions. The theme falls within the field
						of Cultural History, moving between religion and education, seeking to
						understand the relationships between these two fields and their nuances,
						especially with regard to the denominations Batista and Independent
						Presbyterian.</p>
				</sec>
			</trans-abstract>
			<kwd-group>
				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Protestantes</kwd>
				<kwd>O Jornal Batista</kwd>
				<kwd>O Estandarte</kwd>
				<kwd>Educação</kwd>
				<kwd>Religião</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group>
				<title>Keywords</title>
				<kwd>Protestants</kwd>
				<kwd>O Jornal Batista</kwd>
				<kwd>O Estandarte</kwd>
				<kwd>Education</kwd>
				<kwd>Religion</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<p>O trabalho de pesquisa com a história da educação alinhado à história das religiões vem
			sendo do meu interesse desde o final do doutorado. O último capítulo da minha tese,
			defendida na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) em fevereiro de 2016,
			inclusive, trata da inserção missionária batista no Brasil Central através de projetos
				educacionais<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>. Amparado pelas questões teóricas
			e metodológicas que norteiam minhas discussões desde os primeiros passos ainda na
			especialização, optei por trabalhar inicialmente nas pesquisas desenvolvidas desde
			então, entre os limites e possibilidades da História Cultural da Educação e História
			Cultural das Religiões no Brasil, principalmente em se tratando da construção dos
			discursos, das práticas e das representações em periódicos de duas instituições
			protestantes presentes no país desde o século XIX (Igreja Batista e Igreja Presbiteriana
			Independente).</p>
		<p>A pesquisa que venho desenvolvendo objetiva analisar a construção de discursos, práticas
			e representações educacionais por essas duas instituições, principalmente nos periódicos
			de circulação nacional que as referidas igrejas possuem há mais de cem anos (O Jornal
			Batista e O Estandarte). Principalmente em se tratando da Igreja Presbiteriana
			Independente, o tema é pouco explorado, preferindo grande parte dos pesquisadores se
			debruçar nos projetos educacionais da Igreja Presbiteriana do Brasil ou mesmo da Igreja
			Metodista.</p>
		<p>Com o recorte temporal da pesquisa abordo um período que compreende o de fundação do
			jornal <italic>O Estandarte</italic> (07 de janeiro de 1893), d’<italic>O Jornal
				Batista</italic> (10 de janeiro de 1901), bem como de boa parte da Primeira
			República (1889-1930). Trata-se de um contexto com características plurais quanto às
			questões educacionais no Estado e nas instituições a serem analisadas.</p>
		<p>Quanto às concepções estatais, é sabido que no período o país passava por transições
			políticas profundas que levara a intensos debates relativos à educação. A religião
			entrou nesse debate, pois o tema da laicidade era constantemente solicitado nos
			periódicos protestantes, pois muitas escolas públicas continuavam tendo em padres e
			freiras seus aportes como mestres, bem como sua condução ideológica e pedagógica. No que
			concerne às instituições (escolas e colégios) evangélicas, havia uma multiplicação de
			empreendimentos educacionais em diversas partes do país, muitas vezes com apoio e
			consentimento de políticos que não necessariamente eram religiosos, mas que viam na
			metodologia protestante um espelho daquilo que se ensinava nos Estados Unidos, país
			tidos por liberais e até positivistas naquele momento como o ideal de desenvolvimento e
			de progresso<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>.</p>
		<p>Nas análises documentais até então realizadas é possível perceber que os discursos, as
			práticas e as representações educacionais dos protestantes foram fundamentais para o
			compartilhamento e a formação de uma mentalidade política, religiosa e pedagógica
			daquilo que se sonhava como ideal de nação. Entre as concepções a serem destacadas estão
			as ideias de progresso técnico, científico, educacional, moral e religioso que se
			objetivava alcançar com a criação de instituições escolares pelos protestantes que
			estavam chegando, ou que já haviam se consolidado no Brasil naquele momento.</p>
		<p>Contudo, vale ressaltar que a preocupação protestante não se deu apenas em relação às
			questões escolares. É possível perceber que nas próprias igrejas, as escolas dominicais
			(espaços para o aprendizado bíblico, principalmente de crianças) estavam sendo
			constantemente tratadas em discursos nos periódicos evangélicos. A educação nos lares
			também esteve presente. Educar as crianças em sua forma de vestir, andar, comer,
			socializar deveria ser uma preocupação dos pais, para que os filhos não fossem
			influenciados por práticas consideradas mundanas. É possível perceber que o que se
			chamava de “práticas mundanas” estavam relacionadas ao modo de viver da população que
			não era protestante. Na maioria dos casos apontados nos jornais, o “mundo” era visto
			como o catolicismo, que seria o responsável por toda a desagregação moral, política e
			educacional pela qual supostamente passava o país naquele momento<xref ref-type="fn"
				rid="fn3">3</xref>.</p>
		<p>É importante destacar que as pesquisas em torno do protestantismo vêm aumentando nos
			últimos anos, muitas delas procurando entender o crescimento quantitativo desse grupo,
			principalmente no que se refere aos neopentecostais. Em diversas áreas das ciências
			humanas e sociais, questões políticas, teológicas, antropológicas, sociológicas,
			filosóficas e históricas são objetos de estudos em grupos de pesquisa, graduações
			diversas e programas de pós-graduação<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>.</p>
		<p>Entendo que essa pesquisa é importante pela pretensão da apreensão de como nos primeiros
			anos da República no Brasil, nos quais as discussões relativas as questões educacionais
			eram constantemente debatidas, os protestantes se inseriram em tais debates e
			desenvolveram práticas que, em certo sentido, demonstravam preocupação com a situação
			educacional enfrentada pela população naquele momento. É importante ressaltar que o
			Movimento da Escola Nova, que ganhou força no Brasil nos anos 1920, culminando com a
			assinatura do <italic>Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova</italic> em 1932, fez
			parte desse contexto de descobertas, debates, discursos, práticas e representações de
			quem e para quem pensava uma educação para o país baseada em discursos de progresso,
			principalmente quando se falava dos Estados Unidos<xref ref-type="fn" rid="fn5"
			>5</xref>.</p>
		<p>Como citado anteriormente, a historiografia acerca do protestantismo no Brasil tem se
			concentrado, principalmente nas pesquisas que se relacionam com as igrejas
			neopentecostais. Isso não quer dizer que não exista pesquisas relacionadas a
			instituições de ensino de igrejas fora desse grupo. Contudo, como o grupo de evangélicos
			que cresce no país é, em sua maioria, de neopentecostais, não seria de se estranhar que
			ele despertasse o interesse daqueles que buscam entender esse fenômeno religioso que
			possui uma ascendência em terras brasílicas desde a chegada dos primeiros protestantes
			no século XIX<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>.</p>
		<p>Entender esse fenômeno educacional protestante a nível nacional nos possibilita
			compreender as similaridades e diferenças no processo de estratégias de implantação e de
			consolidação dos projetos educacionais que os tais grupos estavam aos poucos implantando
			no país. Lembro que os debates acerca dos discursos, práticas e representações
			educacionais se configuraram em espaços de lutas e de disputas de poder contra o Estado,
			contra a Igreja Católica e contra outros grupos protestantes, que em determinados
			momentos eram vistos como rivais por aqueles que não coadunavam com os mesmos princípios
				doutrinários<xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref>.</p>
		<p>A discussão sobre os significados de <italic>discurso</italic>,
			<italic>práticas</italic>, <italic>representações</italic>, <italic>poder</italic>,
			etc., dentro da perspectiva da história cultural, tem me ajudado nas análises das fontes
			pesquisadas. Enfatizo tais conceitos, ou alguns deles que a pesquisa me leva a
			enfatizar, procurando entender as propostas educacionais presbiterianas e batistas para
			uma República que acabara de nascer, e que buscava uma identidade ainda em construção
			naquele período.</p>
		<p>Entendo, assim como Michel Foucault, que todo discurso, ou embate discursivo, envolve uma
			relação de poder<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref>. Com Roger Chartier acabo
			percebendo que as práticas e as representações fazem parte da estruturação de uma
				sociedade<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>. Dou ênfase em tais questões, as
			quais já encontrei em uma leitura prévia da documentação, na qual pude perceber, ao
			menos de modo inicial, a maneira que os protestantes pensavam a educação para o Brasil
			na Primeira República.</p>
		<sec>
			<title>Apontamentos bibliográficos</title>
			<p>Sobre o estudo da educação protestante nesse contexto, entendo que seja fundamental a
				exposição de alguns autores que se debruçaram direta e indiretamente sobre a
				temática. Algumas tratam da importância que os evangélicos deram ao ensino de forma
				mais genérica, como se todos os protestantes se interessassem pelo tema, e como se
				todas as igrejas que aqui existiam na Primeira República tivessem construído uma
				escola. Outros analisam mais diretamente algumas denominações ou mesmo instituições,
				mostrando como cada uma delas foi importante para a construção da mentalidade
				protestante naquele contexto. Em alguns casos, essas instituições não
				necessariamente eram batistas ou presbiterianas, mas recebiam egressos de diversas
				denominações que viam naqueles locais um “porto seguro” contra as influências
				católicas, ou mesmo como uma referência de ensino voltado para um melhor
				desenvolvimento científico e para o progresso.</p>
			<p>Um terceiro grupo opta por analisar educadores, em sua coletividade ou na sua
				individualidade, procurando mostrar as razões que levaram a tais pessoas a decidirem
				pela profissão de docente, principalmente em um contexto em que ela se confundia com
				a de um missionário. Muitos foram os casos de mulheres que migravam dos Estados
				Unidos para o Brasil com o sonho de transformar o país através do protestantismo
				batista. Homens, principalmente aqueles que eram pastores, viam na educação,
				principalmente no letramento, a oportunidade de inserção dos conversos no mundo da
				leitura bíblica, algo quase que proibido em muitos círculos religiosos no Brasil
				ainda naquele contexto.</p>
			<p>Vale ainda destacar um quarto grupo que, mesmo não debatendo diretamente a visão que
				o protestantismo tem em relação a educação, entendeu como naquele contexto as
				questões educacionais eram relevantes e mereciam ser debatidas. Mesmo não expondo na
				ordem acima apresentada, entendo a importância de citar alguns autores que
				contribuem para um panorama da importância que a educação teve nos círculos
				evangélicos no contexto histórico delimitado neste projeto.</p>
			<p>A educação foi vista por Antonio Gouvea Mendonça como um dos principais baluartes do
				protestantismo no Brasil. Desde o início, escolas eram construídas ao lado de
				igrejas com o objetivo de alfabetizar as pessoas para que tivessem acesso à leitura
				da Bíblia. O desejo de evangelizar o Brasil e de supostamente contribuir para o
				progresso do país levou os evangélicos e debaterem sobre o tema e implantarem
				instituições que não apenas ministrassem o ensino formal, mas que divulgassem os
				ideais cristãos e norte- americanos que estavam inseridos nos discursos batistas e
				presbiterianos de então<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>.</p>
			<p>Edivilson Cardoso Rafeta mostra a importância de instituições de ensino que foram
				constituídas entre o final do século XIX e o início do século XX, principalmente
				presbiterianas e metodistas, que se transformaram em referências pedagógicas e
				metodológicas nas regiões nas quais tais instituições foram inseridas. Fazendo uma
				análise mais apurada da Universidade Metodista de Piracicaba, analisa a construção
				daquela instituição desde a fundação do Colégio Piracicabano até se transformar em
				um dos mais tradicionais espaços do ensino superior paulista<xref ref-type="fn"
					rid="fn11">11</xref>.</p>
			<p>João Pedro Gonçalves de Araújo mostra como as mulheres dentro do cristianismo, mais
				especificamente no caso dos batistas, objeto de sua pesquisa, foram educadas para
				estarem caladas nas igrejas. Por mais que muitas delas tenham sido as principais
				responsáveis pela expansão do protestantismo no país, suas vozes eram silenciadas em
				um processo de enquadramento que poderia levar a punição e a exclusão daquele
				convívio. Contudo, muitas dessas mulheres usaram justamente os espaços educacionais
				para se colocarem como vozes de um protestantismo que estava de desenvolvendo na
				transição do século XIX para o século XX. Eram nas escolas, sejam nas igrejas ou
				fora delas, que os discursos, práticas e representações femininas se faziam notar,
				mesmo quando as lideranças masculinas as tiravam do foco<xref ref-type="fn"
					rid="fn12">12</xref>.</p>
			<p>Ierson Silva Batista analisou a constituição da doutrina batista e de como ela se
				adaptou para sua implantação nos locais de expansão missionária da denominação.
				Doutrina essa que esteve presente na maneira de se reconhecer como batista e de se
				pensar as instituições de ensino que eram abertas pelas lideranças missionárias. De
				forma direta, como em escolas bíblicas, ou de forma indireta, como nos colégios que
				foram constituídos no país no contexto analisado, os discursos sobre <italic>o ser
					batista</italic> estiveram presentes nas práticas educacionais de professores,
				alunos, pastores e fiéis<xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref>.</p>
			<p>Valdinei Ferreira, ao analisar a constituição do protestantismo no início da Idade
				Moderna, mostra que uma das principais práticas das instituições que se
				desvencilhavam do catolicismo naquele contexto foi justamente a educação. Destaca
				ainda como diversos autores da idade contemporânea trazem a “vocação educacional”
				protestante como um dos marcos da atividade missionária desse grupo ao longo da
				história. Em relação ao Brasil, o autor discute justamente essa análise do ponto de
				vista sociológico. Ao fazer um apanhado histórico de algumas figuras eminentes do
				protestantismo no país, traz a professora Martha Hite Watts (pioneira no trabalho de
				educação entre os metodistas no Brasil) e suas contribuições no processo de expansão
				educacional evangélica no contexto aqui elencado<xref ref-type="fn" rid="fn14"
					>14</xref>.</p>
			<p>Carlos Eduardo B. Calvani apresenta um panorama histórico das iniciativas
				educacionais protestantes no Brasil. Focando sua pesquisa nos primeiros missionários
				norte-americanos, procura entender as razões da implantação e expansão de escolas e
				colégios pelas mais diversas instituições evangélicas que aqui se desenvolveram. Em
				sua visão, entende que a busca pelo investimento em instituições educacionais se
				estagnou com o crescimento, nas igrejas brasileiras, das ideias do fundamentalismo
				norte- americano, que procurou enfatizar mais a conversão, o evangelismo mais
				agressivo “e um acentuado pré-milenismo, inibidor de qualquer iniciativa de projetos
				permanentes para a história”<xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref>.</p>
			<p>Mariana Ellen Santos Seixas, ao analisar as estratégias de consolidação do
				protestantismo no Brasil, investiga alguns setores da sociedade oitocentista que
				foram alvos do proselitismo protestante no país. A autora trata da relação que se
				fazia entre protestantismo e progresso como estratégia de propaganda para se
				angariar adeptos à nova religião que se estabelecia. Nesse sentido, as deficiências
				educacionais do século XIX foram vistas pelos evangélicos como problemas que
				poderiam ser supridos com a presença protestante. A educação de mulheres, inclusive,
				era a mais enfatizada nos periódicos evangélicos, uma vez que elas foram vistas como
				parte fundamental do processo de moralização e modernização do país<xref
					ref-type="fn" rid="fn16">16</xref>.</p>
			<p>Émile G. Léonard entende que o interesse dos protestantes no Brasil pela questão da
				educação seria, na verdade, uma retomada da prática católica de inserção na
				sociedade, uma vez que a maioria dos reformadores se concentrou no proselitismo e na
				conversão. As escolas, as quais ele chama de instituições “para-eclesiásticas”,
				ofereciam ao protestantismo uma forma de propagação indireta da sua fé no país<xref
					ref-type="fn" rid="fn17">17</xref>.</p>
			<p>Caleb Soares, em um texto mais confessional do que de análise histórica, traz a
				importância que a educação sempre teve para os presbiterianos, sejam os da Igreja
				Presbiteriana do Brasil (IBP), ou os da Igreja Presbiteriana Independente (IPI).
				Deixa claro que a ideia protestante não seria apenas a questão da evangelização no
				Brasil, mas o progresso que se vivia em países protestantes como na Inglaterra e,
				principalmente, nos Estados Unidos. Os colégios aqui implantados serviriam nesse
				sentido. Ganhar as elites para que elas entendessem o caminho do desenvolvimento. E
				esse caminho seria possível a sua descoberta com o maior número de brasileiros,
				conversos ou não, matriculados nas instituições de ensino protestante<xref
					ref-type="fn" rid="fn18">18</xref>.</p>
			<p>Boanerges Ribeiro, pastor e historiador presbiteriano, ocupou-se em mostrar as
				necessidades de se investir em educação por parte dos protestantes na Primeira
				República. Uma das razões apresentadas pelo referido autor foi a divisão ocorrida em
				1903 que deu origem a Igreja Presbiteriana Independente. Seria necessário o
				investimento para a formação das novas lideranças que se estabeleciam. Além, é
				claro, da educação que já era praticada por boa parte dos evangélicos em escolas
				dominicais e em colégios. É certo que o autor traz um certo saudosismo
				denominacionalista em suas análises, mas acredito que sua obra pode contribuir como
				uma importante fonte de pesquisa para a temática aqui analisada<xref ref-type="fn"
					rid="fn19">19</xref>.</p>
			<p>Os autores acima citados são de suma importância para as análises que estão sendo
				desenvolvidas ao longo da nossa pesquisa. Com as fontes analisadas e as relações
				teórico- metodológicas, busco a compreensão da importância dada à educação pelos
				protestantes brasileiros, especialmente nos periódicos destacados no início do
				presente texto.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Relações teórico-metodológicas</title>
			<p>Ao longo do processo da pesquisa venho utilizando os periódicos descritos
				anteriormente com o objetivo de entender os discursos, as práticas e as
				representações educacionais dos dois grupos protestantes que pretendo analisar.
				Nesse sentido, os arquivos do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (STBNB)
				e do Seminário Presbiteriano do Norte (SPN) são os locais onde faço a busca
				documental e bibliográfica. No STBNB encontra-se o acervo d’<italic>O</italic>
				Jornal Batista e uma vasta bibliografia referente à denominação. Pode-se falar o
				mesmo do SPN quando se trata de fontes e referências presbiterianas. Contudo, vale
				ressaltar que teses, dissertações, artigos e outros textos que se encontram em
				plataformas digitais são de grande valor nas nossas discussões.</p>
			<p>Nas análises das fontes e bibliografia, como já dito anteriormente, faço uso das
				propostas da História Cultural, enfatizando as relações de poder através do saber e
				do simbólico, e as crises sofridas pelas estruturas religiosas com esses embates.
				Para isso algumas considerações de Michel Foucault nos são de grande utilidade.
				Analisando as fontes com as perspectivas da Análise de Discurso que o autor
				trabalha, percebe-se que o importante não é encontrar verdades nas fontes, mas o
				efeito de sentido causado pelos discursos nas diversas esferas sociais. Com o autor
				ainda pode-se analisar as diversas disputas pelo exercício do poder que envolvia os
				debates nas instituições analisadas, percebendo de que maneira essas discussões
				contribuíram para a construção de discursos, práticas e representações educacionais
				nos periódicos das denominações pesquisadas<xref ref-type="fn" rid="fn20"
				>20</xref>.</p>
			<p>Pierre Bourdieu, em suas análises sobre a relação de poder, mostra que o simbolismo
				presente nas lideranças eclesiásticas, muitas vezes contribui para que os discursos
				religiosos tenham o fim desejado pelo líder. O fiel, muitas vezes, quando escuta o
				padre, o bispo ou o pastor, se sente escutando a voz de Deus, o que concorre para a
				realização de práticas e condutas nessa relação entre líderes e liderados. Desta
				forma, o autor está sendo utilizado na tentativa de perceber a maneira que as
				lideranças das instituições protestantes utilizavam desse poder simbólico na
				construção de discursos e representações educacionais no contexto proposto<xref
					ref-type="fn" rid="fn21">21</xref>.</p>
			<p>Peter L. Berger, define a religião como principal legitimadora social ao longo dos
				séculos. Ela funcionaria como uma forma de legitimação da realidade visível e
				invisível nas instituições e nas sociedades dando-lhes o caráter sagrado. Como na
				maior parte da história humana, a sociedade se manteve sob o víeis religioso, essa
				influência religiosa nas instituições sociais que, em alguns casos, são constituídas
				como um reflexo das instituições “divinas”. Porém, o autor descreve que com o avanço
				da secularização da sociedade - que gerou a crise nas estruturas de plausibilidades
				religiosas - principalmente nos países desenvolvidos, a religião se viu ameaçada de
				seu papel legitimador, e procurou outras formas de adentrar nos campos social e
				político, mesmo que extraoficialmente. A educação foi uma dessas formas que o
				protestantismo se utilizou para adentrar nos diversos seguimentos sociais no Brasil
				no período aqui proposto<xref ref-type="fn" rid="fn22">22</xref>.</p>
			<p>Roger Chartier me é útil para discutir as diversas representações construídas pelas
				partes envolvidas nas discussões que estão sendo levantadas. Os conflitos de
				representações eram constantes entre das denominações evangélicas, e o uso das
				considerações do autor nos ajudará a entender como os embates a serem analisados em
				nossa pesquisa foram constituídos<xref ref-type="fn" rid="fn23">23</xref>.</p>
			<p>Por fim, Nicola Gasbarro, representante da História Italiana das Religiões e que tem
				suas análises dentro do campo da história cultural, ao analisar as questões de
				alteridades dentro dos campos religiosos, mostrou o cristianismo como uma religião
				que se propõe historicamente universal e, portanto, apto a estabelecer os critérios
				e as perspectivas de comparabilidade, bem como a reivindicar a prioridade
				epistemológica no encontro com culturas distintas. Pela arrogância simbólica da
				universalidade, o cristianismo impõe as relações de sentidos nos diversos processos
				de inserção cultural. Porém, Gasbarro lembra que, conforme as relações e as
				hierarquias missionárias vão variando de acordo com o contexto, são necessárias
				mudanças de perspectivas e dos métodos de inserção cultural. No protestantismo, em
				alguns casos muda-se o conteúdo da mensagem, bem como o efeito de suas
				transformações. São necessárias trocas culturais entre o evangelizador e o
				evangelizado facilitando, dessa forma, a transmissão da mensagem por quem se propõe
				a evangelizar<xref ref-type="fn" rid="fn24">24</xref>.</p>
			<p>As discussões expostas acima têm sido fruto de pesquisas realizadas ao desde o final
				do meu doutoramento na UNICAMP em fevereiro de 2016. Trabalhar dentro do campo da
				História Cultural, entre os limites da história da educação e história da religião,
				tem me permitido perceber nuances e percalços que essas duas disciplinas tem sofrido
				no Brasil, principalmente a partir da presente década. Entendo que a religião
				continua tendo uma forte influência nas questões educacionais, seja em sua forma
				mais confessional, ou em sua forma mais abrangente, no que concerne a organizações
				institucionais e relações morais. No caso do protestantismo, objeto mais específico
				da minha pesquisa, entendo que ele ganha cada dia mais influência na forma de se
				pensar o mundo, as relações sociais, os parâmetros educacionais e os rumos políticos
				em nossa sociedade. Representantes do protestantismo estão cada vez mais presentes
				na política, ditando rumos institucionais, familiares e morais, os quais podemos
				liga-los diretamente ao que entendemos por questões educacionais.</p>
		</sec>

	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="conflict" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>SILVA, Paulo Julião da. <bold>Entre a evangelização e a política:</bold> a
					expansão missionária batista para o Brasil Central. Tese (Doutorado em História)
					- Programa de Pós-graduação em História da UNICAMP, Campinas, 2016.</p>
			</fn>
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				<label>2</label>
				<p>NASCIMENTO, Ester Fraga Vilas Boas Carvalho. <bold>Educar, curar, salvar.</bold>
					Um ilha de civilização no Brasil tropical. Tese (Doutorado em Educação). -
					Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2005.</p>
			</fn>
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				<label>3</label>
				<p>ALMEIDA, Jane Soares de. Missionárias norte-americanas na educação brasileira:
					vestígios de sua passagem nas escolas de São Paulo no século XIX. <bold>Revista
						Brasileira de Educação,</bold> São Bernardo do Campo, n. 35, v, 12 pp. 327 -
					342, 2007.</p>
			</fn>
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				<label>4</label>
				<p>Gedeon Freire de Alencar. <bold>
						<italic>Matriz pentecostal brasileira: Assembléias de Deus
							1911-2011</italic>
					</bold> . Rio de Janeiro: Novos Diálogos, 2013.</p>
			</fn>
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				<label>5</label>
				<p>SAVIANI, Dermeval. O legado educacional do “longo século XX” brasileiro. In:
					SAVIANI, Dermeval (et. al.). <bold>O legado educacional do século XX no
						Brasil</bold>. Campinas, SP: Autores Associados, 2004.</p>
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				<label>6</label>
				<p>SOUZA, Alexandre Carneiro de. <bold>Pentecostalismo:</bold> de onde vem, para
					onde vai? Viçosa (MG): Ultimato, 2004.</p>
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				<label>7</label>
				<p>SOUZA, José Roberto de. <bold>Presbiterianos x pentecostais</bold>: a reação da
					Igreja Presbiteriana do Brasil ao advento do pentecostalismo em Pernambuco
					(1920-1930). São Paulo: Fonte Editorial, 2016.</p>
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				<label>8</label>
				<p>FOUCAULT, Michel. <bold>Microfísica do poder</bold>. Organização e tradução de
					Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.</p>
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				<label>9</label>
				<p>CHARTIER, Roger. <bold>A História Cultural</bold> ⎯ entre práticas e
					representações, Lisboa: DIFEL, 1990.</p>
			</fn>
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				<label>10</label>
				<p>MENDONÇA, Antonio Gouvêa. <bold>O celeste porvir:</bold> A inserção do
					protestantismo no Brasil. São Paulo: ASTE, 1995.</p>
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				<label>11</label>
				<p>RAFAETA, Edvilson Cardoso. <bold>Luminoso farol:</bold> o Colégio Piracicabano e
					a educação feminina em fins do século XIX. 2008. - Dissertação (Mestrado em
					Educação). Programa de Pós- graduação em Educação da Faculdade de Educação da
					UNICAMP, Campinas, 2008.</p>
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				<label>12</label>
				<p>ARAÚJO, João Pedro Gonçalves. <bold>História, tradições e pensamentos
						batistas.</bold> São Paulo: Fonte Editorial, 2015.</p>
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				<label>13</label>
				<p>BATISTA, Ierson Silva. <bold>O discurso batista:</bold> considerações à luz da
					análise do discurso. São Paulo: Fonte Editorial, 2014.</p>
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				<label>14</label>
				<p>FERREIRA, Valdinei. <bold>Protestantismo e modernidade no Brasil:</bold> da
					utopia à nostalgia. São Paulo: Editora Reflexão, 2010.</p>
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				<label>15</label>
				<p>CALVANI, Carlos Eduardo B. A educação no projeto missionário do protestantismo no
					Brasil. <bold>Revista Pistis Prax.</bold> Curitiba, v. 1, n. 1, Jan-Jun. 2009,
					pp. 53-69. p. 53.</p>
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				<label>16</label>
				<p>SEIXAS, Mariana Ellen Santos. Protestantismo, política e educação no Brasil: a
					propaganda do progresso e da modernização. <bold>Revista Brasileira de História
						das Religiões.</bold> Maringá, PR, Ano III, n. 7, 2010, pp. 333-358.</p>
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				<label>17</label>
				<p>LÉONARD, Émile G. <bold>O protestantismo brasileiro:</bold> estudo de
					eclesiologia e história social. São Paulo: ASTE, 2002.</p>
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				<label>18</label>
				<p>SOARES, Caleb. <bold>150 anos de paixão missionária:</bold> o presbiterianismo no
					Brasil. Santos (SP): Instituto de Pedagogia Cristã, 2009.</p>
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				<label>19</label>
				<p>RIBEIRO, Boanerges. <bold>Igreja Evangélica e República Brasileira
						(1889-1930).</bold> São Paulo: O Semeador, 1991.</p>
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				<label>20</label>
				<p>FOUCAULT, Michel. <bold>A Arqueologia do Saber</bold>. Rio de Janeiro: Forense
					Universitária, 2004.</p>
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				<label>21</label>
				<p>BOURDIEU, Pierre. <bold>A economia das trocas simbólicas</bold>. São Paulo:
					Perspectiva, 2007.</p>
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				<label>22</label>
				<p>BERGER, Peter L. <bold>O dossel sagrado</bold>: elementos para uma teoria
					sociológica da religião. São Paulo: Paulus, 2004.</p>
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				<label>23</label>
				<p>CHARTIER, Roger. <bold>O mundo como representação</bold>. Disponível em:
					http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40141991000100010&amp;script=sci_arttext.
					Acesso em: 03/03/2019.</p>
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				<label>24</label>
				<p>GASBARRO, Nicola. Missões: a civilização cristã em ação. In.: MONTERO, Paula
					(Org). <bold>Deus na aldeia</bold>: missionários, índios e mediação cultural.
					São Paulo: Globo, 2006, pp. 67-109.</p>
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					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Novos Diálogos</publisher-name>
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				<mixed-citation>SOUZA, José Roberto de. Presbiterianos x pentecostais: a reação da
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						Presbiteriana do Brasil ao advento do pentecostalismo em Pernambuco
						(1920-1930)</source>
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