ETNOBIOLOGIA COMO FERRAMENTA DE INTERAÇÃO SOCIAL E EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS COMUNIDADES RURAIS

Lee Daiane de Lima Alves

Resumo


O respeito que as culturas tradicionais têm com relação à natureza e as restrições de acesso aos locais sagrados, têm dado como resultado zonas muito bem conservadas, com mananciais livres de poluição e uma maior diversidade de espécies. No Brasil, uma grande totalidade desses sítios sagrados são baseados em religiões espíritas de cunho afro-brasileiro, que ainda guardam crenças ancestrais de que toda natureza é sagrada, onde o manejo desses recursos está diretamente ligado no seu culto aos orixás, representados pela própria Natureza. Esse relato de experiência aborda os aspectos etnobiológicos de um Centro Espírita afro-brasileira frente a uma comunidade rural em processo de educação ambiental, onde nesse contexto o trabalho aborda as vivências do autor (professora de ciências) frente aos componentes dessa comunidade. De modo geral, a religiosidade/espiritualidade do Centro influencia diretamente na consciência ambiental da comunidade através de práticas de conservação aliadas a pedagogia lúdica. Com o intuito de estimular tais práticas, o Centro realizou uma gincana ecológica na comunidade, onde a mesma foi dividida em 4 arruados para a realização de provas que tinha como base o manejo de resíduos, a recuperação da mata ciliar, utilização de composteiras e uso consciente da água. Participando como membro julgador da gincana, foi avaliado o empenho dos membros da comunidade no desenvolvimento em cada prova. Na prova de manejo de resíduos sólidos, houve limpeza dos arruados e margens dos rios com identificação do lixo orgânico e inorgânico, separação e destinação: inorgânico para as lixeiras e orgânico para as composteiras a serem utilizados nos roçados familiares. Com as margens dos rios livres de lixo, falou-se da importância da harmonia dos mananciais e suas matas ciliares para a comunidade e de como a poluição pode provocar doenças na população caso a água não esteja em condições de uso. A gincana teve duração de 2 meses, sendo avaliada a cada 15 dias. Ao longo desse período, pôde-se concluir que a iniciativa criada a partir dos preceitos ambientais baseados na doutrina do Centro Espírita, deu uma nova perspectiva a comunidade sobre o cuidado com a natureza e o retorno de uma melhor qualidade de vida.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Av. Prof. Moraes Rego, 1235 - Cidade Universitária, Recife - PE, 50670-901.