Desenho e escatologia: Flávio de Carvalho, Artur Barrio e Carmela Gross
DOI:
https://doi.org/10.51359/2763-8693.2024.262972Palavras-chave:
desenho, escatologia, grotesco, fim, artecontemporâneaResumo
O artigo pretende analisar as relações que desenho e escatologia tecem na produção de artistas brasileiros de diferentes contextos históricos até o presente, esboçando uma genealogia ainda precoce e incompleta. Busca refletir e identificar a partir dos trabalhos apresentados os gestos escatológicos — em relação com os sentidos das escatologias mítico-religiosas (Eliade, 1972) — e os traços grotescos — descritos na teoria do realismo grotesco (Bakhtin, 1987), que convidam as imaginações a reinventarem o mundo em um tempo marcado por crises ambientais, políticas e sociais; guerras; extermínios e cataclismos. O desenho, nessa conjuntura, se torna uma ação cega (Derrida, 2010), que não projeta, mas que revela, operando a partir da obscuridade do presente capturada nas obras visuais, traços que questionam o futuro. Conclui-se que o sentido da finitude escatológica reacende nas imaginações individuais e coletivas o fim como possibilidade de um novo começo e de uma outra vida através do trabalho dos artistas.
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