Breve comentário acerca do Fragmento A216, de Friedrich Schlegel

Andrea Sirihal Werkema

Resumo


Resumo: O Fragmento 216, publicado por F. Schlegel na revista Athenäum (1798), alinha, em pé de igualdade valorativa, a Revolução Francesa, a doutrina-da-ciência de Fichte e o Wilhelm Meister de Goethe. O fragmento antecipa o escândalo que tal combinação poderia causar – e chega à conclusão de que o leitor capaz de compreender o alinhamento de tão diversos fatos histórico-culturais seria alguém capaz de enxergar a revolução não apenas nos movimentos sísmicos das populações, mas também nos livros, depositários silenciosos das grandes mudanças do pensamento. Uma visão mais abrangente da história da humanidade requer, portanto, na visão de Schlegel, a aceitação de diversos “gêneros” (ou formas) da capacidade crítico-reflexiva dos homens de sua época. O próprio fragmento em que se encontra expresso tal alinhamento problemático seria já uma forma complexa e irônica, pois afirma, peremptoriamente, uma “verdade” dificilmente sustentável se examinada dentro de qualquer esquema lógico e/ou científico.

Palavras-chave: fragmento, ironia romântica, gênero literário.



Abstract: The polemical Fragment 216, published by F. Schlegel in the Athenäum (1798) journal, aligns, in the same value level, the French Revolution, Fichte’s doctrine-of-science and Goethe’s Wilhelm Meister. The fragment presupposes the scandal that such a combination could arise – and comes to the conclusion that the reader who could possibly understand this alignment of so diverse historic and cultural facts would be also able to see the revolution not only in the seismic movements of the populations, but also in books, the quiet keepers of the great changes of human thought. Therefore a more complete sight of the history of mankind requires, in Schlegel’s point of view, the acceptance of different “genres” (or forms) of the critical ability of contemporary men. The fragment itself, which carries such problematic alignment, could be understood as an ironic and complex form, because it states a kind of “truth” that could not hold itself under any logic or scientific exam.

Keywords: fragment, romantic irony, literary genre.



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Referências


SCHLEGEL, Friedrich. Lucinde and the fragments. Trad. Peter Firchow. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1971.

SCHLEGEL, Friedrich. Conversa sobre a poesia e outros fragmentos. Trad. Victor-Pierre Stirnimann. São Paulo: Iluminuras, 1994.

SCHLEGEL, Friedrich. O dialeto dos fragmentos. Trad. Márcio Suzuki. São Paulo: Iluminuras, 1997.




DOI: https://doi.org/10.19134/eutomia-v1i08p%25p

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