Pelo (re)conhecimento da Ergolinguística

Ludmila Mota de F. Porto

Resumo


Resumo: Este trabalho objetiva situar a Ergolinguística, disciplina incorporada em 2007 ao Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPE. A Ergolinguística estuda a relação entre linguagem e trabalho, a partir dos aportes teórico-metodológicos da Linguística, da Ergonomia e da Ergologia, considerando-se o trabalho como uma atividade humana situada e o sujeito de linguagem como uma parte essencial dela. Assim, a Ergolinguística tem contribuído para a reflexão sobre o trabalho a partir da linguagem, que é reveladora dos problemas imediatos das situações de trabalho, bem como de sua organização, assumindo um lugar privilegiado na compreensão das ações dos profissionais e dos sentidos que eles produzem e mobilizam na esfera da atividade.


Palavras-chave: Ergolinguística, linguagem, trabalho. 



Abstract: This paper aims to situate the epistemology of the Ergolinguistics, a discipline that emerged in 2007, in the Post-Graduation Programme of Letras at UFPE. Ergolinguistics studies the relation between language and work, based on the theoretic and methodological approach of Linguistics, Ergonomics and Ergology, which considers work as a situated human activity as well as is interested in the speaker. Thus, Ergolinguistics has been contributed for the reflection on work through language, which reveals the immediate problems of work situations and organization, occupying a favored place for the comprehension of the professional’s actions and of the meanings they produce and mobilize in the sphere of activity.


Keywords: Ergolinguistics, language, work.


Texto completo:

PDF

Referências


ALLEN, J. P. B.; CORDER, S. (eds.). 1973. Readings for applied linguistics. (The Edinburgh Course in Applied Linguistics). Oxford: O.U.P.

BAKHTIN, M. 1992. Marxismo e Filosofia da Linguagem. 6ª ed. São Paulo: Hucitec.

______. 2003. Estética da criação verbal. Trad. do russo de Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes.

______. 2007. Estrutura do Enunciado. Revista Literatunja Ucëba. vol. 3, 1930, pp. 65-87. Tradução de Ana Vaz, para fins didáticos.

BRAIT. B. 2006. Análise e Teoria do Discurso. In: BRAIT, B. (org.). Bakhtin: outros conceitos-chave. São Paulo: Contexto.

BRAIT , B.; CAMPOS, M. I. B.; SAMPAIO, M. C. H. 2006. El discurso oral y escrito en Brasil: perspectiva actual. Orália. Almeria: Espanha, v. 9, p. 33-44.

CLOT. Y. 2001. Méthodologie em Clinique de l‘activité. L‘exemple du sosie. In: SANTIAGO, M. (ed.). Les méthodes qualitatives en Psychologie. Paris: Dunod Mimeo.

CLOT, Y. FAÏTA, D. 1997. Le travail, activité dirigée - contribuition à une analyse psychologique de l’action. Habbilitation à diriger des recherches. Université de Paris VIII: mimeo.

DANIELLOU, F.; GARRIGOU, A. 1995. L’ergonome, l’activité et la parole des traivailleurs. In: BOUTET, J. 1995. Paroles au travail. Paris: L’Harmattan.

DECORTIS, F.; PAVARD, B. 1998. Comunicação e cooperação: da teoria de atos de fala à abordagem etnometodológica. In: DUARTE, F.; FEITOSA, V. (orgs.). Linguagem e Trabalho. Rio de Janeiro: Lucerna, p. 51- 81.

DUARTE, F.; FEITOSA, V. (orgs.). Linguagem e Trabalho. Rio de Janeiro: Lucerna, p. 37-50.

FAÏTA, D. 2002. Análise das práticas linguageiras e situações de trabalho: uma renovação metodológica imposta pelo objeto. In: SOUZA-E-SILVA, M. C.; FAÏTA, D. (orgs.). Linguagem e trabalho: construção de objetos de análise no Brasil e na França. Trad. Ines Polegatto e Décio Rocha. São Paulo: Cortez.

______. 2005. Análise Dialógica da Atividade Profissional. Rio de Janeiro: Imprinta Express.

______. 2011. O trabalho de ensinar. In: Ciclo de Palestras da Equipe ERGAPE. São Paulo: USP.

FERREIRA, L. L. 1998. Análise coletiva do trabalho: com a palavra, os trabalhadores. In: DUARTE, F.; FEITOSA, V. (orgs.). Linguagem e Trabalho. Rio de Janeiro: Lucerna, p. 82-91.

FRANÇA, M. 2004. No princípio dialógico da linguagem, o reencontro do Homo loquens com o ser humano industrioso. In: FIGUEIREDO, M.; ATHAYDE, M; BRITO, J. et al (orgs.). Labirintos do trabalho: interrogações e olhares sobre o trabalho vivo. Rio de Janeiro: DP&A.

FRANÇA, M. B.; DI FANTI, M. G. C.; VIEIRA, M. A. M. 2005. Análise dialógica da atividade profissional: contribuições teórico-metodológicas para os estudos sobre linguagem/trabalho. In: FAÏTA, D. 2005. Análise Dialógica da Atividade Profissional. Rio de Janeiro: Imprinta.

HERMANNS, H. 1995. Narratives Interviews. In: FLICK, U. et al. (orgs.). Handbuch Qualitativ Socialforshung. 2a ed. Munique: Psicologie Verlags Union, pp.182-5.

KLEIMAN, A. 1995. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado das Letras.

LACOSTE, M. 1998. Fala, atividade, situação. In: DUARTE, F.; FEITOSA, V. (orgs.). Linguagem e trabalho. Rio de Janeiro: Lucerna.

LANGA, M. 1998. Análise ergonômica do trabalho de chefia. In: DUARTE, F.; FEITOSA, V. (orgs.). Linguagem e Trabalho. Rio de Janeiro: Lucerna.

MOITA LOPES, L. P. 2009. Da aplicação de Linguística à Linguística Aplicada Indisciplinar. In: PEREIRA, R. C. M.; ROCA, M. P. (orgs.). Linguística Aplicada: um caminho com diferentes acessos. São Paulo: Contexto.

PORTO, L. M. de F. 2010. Análise dialógico-discursiva da atividade dos cuidadores de idosos em instituições geriátricas do Recife. Dissertação (Mestrado). CAC, Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal de Pernambuco, Recife/PE.

RIEMANN, G.; SCHUTZE, F. 1987. Trajectory as a Basic Theoretical Concept for Analyzing Suffering and Disorderly Social Processes. In: MAINES, D. (org.), Social Organization and Social Process: Essays in Honor of Anselm Strauss. Nova Iorque: Aldine de Gruyter. p. 333-57.

RIESSMAN. C.K. 2008. Narrative Methods for the Human Sciences. Califórnia: Sage Publications.

SAMPAIO, M.C.H. 2006. O método dialógico-discursivo: aplicações em estudos da memória-trabalho. Trabalho completo. Anais do Simpósio Internacional – Métodos Qualitativos nas Ciências Sociais e na Prática Social, Recife, 2006a . Em Cd-Rom.

______. 2009. A propósito de Para uma filosofia do ato (Bakhtin) e a pesquisa científica nas Ciências Humanas. Revista Bakhtiniana. v.1, n.1, p. 42-56. Disponível em: http://www.liguagemememoria.com.br.

SCHWARTZ, Y. 1997. Travail et ergologie. In: Reconnaissances du travail: pour une approche ergologique. Paris: PUF, p. 1-37.

______. 1999. La communauté scientifique élargie et le regime de production des savoirs. In: Les Territoires du Travail, n. 3, p. 79-89.

______. 2000. Trabalho e uso de si. In: Pró-Posições. Tradução de Maria Lúcia da Rocha Leão, revisão técnica de Maria Inês Rosa. Vol. 11, n. 2, p. 34-50. Campinas, UNICAMP.

SCHWARTZ, Y.; DURRIVE, L. 2007. Trabalho e Ergologia: conversas sobre a atividade humana. Niterói: EdUFF.

SOUZA, A. G. 2010. Software: esboço de um estudo para as ciências da linguagem. Dissertação (Mestrado). CAC, Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal de Pernambuco, Recife/PE.

SOUZA-E-SILVA, M. C.; FAÏTA, D. (orgs.). Linguagem e trabalho: construção de objetos de análise no Brasil e na França. Trad. Ines Polegatto e Décio Rocha. São Paulo: Cortez.

TELLES, A. L.; ALVAREZ, D. 2004. Interfaces ergonomia-ergologia: uma discussão sobre trabalho prescrito e normas antecedentes. In: FIGUEIREDO, M.; ATHAYDE, M; BRITO, J. et al (orgs.). Labirintos do trabalho: interrogações e olhares sobre o trabalho vivo. Rio de Janeiro: DP&A.

VIEIRA, M. A. 2004. Autoconfrontação e análise da atividade. In: FIGUEIREDO, M. et al. Labirintos do Trabalho: interrogações e olhares sobre o trabalho vivo. Rio de Janeiro: DP&A, p. 215-237.

VYGOTSKY, V. N. 1987 (1934). Pensamento e Linguagem. Porto Alegre: Artes Médicas.




DOI: https://doi.org/10.19134/eutomia-v1i08p%25p

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




 

Qualis (CAPES): B1-LETRAS / LINGUÍSTICA; B1-EDUCAÇÃO; B1-FILOSOFIA/TEOLOGIA:subcomissão FILOSOFIA; B1-INTERDISCIPLINAR; B3-CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS; B3-HISTÓRIA; B3-PSICOLOGIA; B5-EDUCAÇÃO FÍSICA; B5-ODONTOLOGIA; B5-SERVIÇO SOCIAL; C-ARTES / MÚSICA

Diretórios:


Indexadores:

 

Directory of Open Access Journals


Associação de revistas acadêmicas latinoamericanas de humanidades e ciências sociais

Institucional