Derrisão e corrosão : ironia e riso em Crime e castigo

Michelle Jácome Valois Vital

Resumo


Resumo: Em Crime e castigo, cada discurso se ostenta em plena cisão - com o entorno, consigo mesmo, com as expectativas do leitor. A ironia acre que decorre talha num riso opresso, laivado de amargo, piedade e ternura. Raskólnikov e seus duplos, Svidrigáilov e Marmiéladov, vozes-eixo do romance, se oferecem, e mesmo declaradamente, a essa  derrisão “sísmica”, desestabilizadora, numa autocorrosão ambivalente que é a um tempo zombaria e sacrifício redentor.


Palavras-chave: ironia, riso, Crime e castigo.

 


Résumé: Dans Crime et châtiment, chaque discours s‟offre en pleine “scission” – avec les discours environnants, avec les attentes du lecteur, avec soi-même. L‟ acerbe ironie qui en advient tourne en rire oppressif, inoculé d‟amertume, pitié et tendresse. Raskólnikov et ses doubles,  Svidrigáilov et Marmiéladov, les voix directrices du roman, s‟offrent, et même très ouvertement, à cette dérision sismique, déstabilisante, dans une autocorrosion ambivalente qui est en même temps raillerie et sacrifice rédempteur.


Mots-clés: ironie, rire, Crime et châtiment


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DOI: https://doi.org/10.19134/eutomia-v1i07p%25p

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