Ouro Preto e a nova poética de Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade

Wesley Thales de Almeida Rocha

Resumo


Resumo: Contemplação de Ouro Preto, de Murilo Mendes, e Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, simbolizam, no conjunto das obras desses poetas, um novo jeito de tratar a linguagem e a forma do poema. Enquanto Drummond passa a cultivar as estruturas mais clássicas do verso e da estrofe, como os sonetos, Murilo Mendes abandona o verso discursivo, característico da fase anterior de sua poesia, e constrói um sistema verbal, em que predomina o processo de materialização semântica. Essa mudança acontece quando os dois poetas se voltam para as cidades históricas mineiras, especificamente para Ouro Preto, refletindo sobre sua história, seu patrimônio e suas gentes, e ao mesmo tempo, mostrando o desgaste do passado frente à destruição e dissolução da memória. Conscientes da importância dessa cidade para a tradição literária e social do país, Murilo Mendes e Drummond vão escolhê-la como o lugar de onde partirá as suas novas formas de expressão lírica. Consideremos, também, que as imagens do espaço físico ouropretano, tão ao alcance do campo visual, podem ter influenciado no novo jeito de confeccionar os poemas dos livros, pois, é visto, foi enrijecido o verso e as palavras foram dotadas de uma correlação mais precisa, marcando, descritivamente, os elementos imagéticos para, assim, produzir uma aliança necessária entre a poesia moderna e a contemplação da cidade monumento.

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.19134/eutomia-v1i05p%25p

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