A invenção da tradição: pseudomanuscritos hobbits e simulação de profundidade cultural na obra de J.R.R. Tolkien

Autores

  • Reinaldo José Lopes Universidade de São Paulo

Resumo

Resumo: Este trabalho é uma análise do uso de uma tradição imaginária de manuscritos como forma de amplificar a ilusão de profundidade cultural na obra de J.R.R. Tolkien. Investigo, em detalhes, como funciona a tradição de manuscritos do chamado “Livro Vermelho do Marco Ocidental”, escrito e/ou compilado pelos hobbits Frodo, Bilbo e Sam, protagonistas dos livros “O senhor dos anéis” e “O hobbit”. O Livro Vermelho seria a fonte antiga, a partir da qual os livros modernos foram “traduzidos” pelo próprio Tolkien. Mostro como esses pseudomanuscritos, cujas existências servem de pressuposto à narrativa o tempo todo, ajudam a sugerir séculos de tradição histórica “real” por trás da trama de ambas as obras.

Palavras-chave: Tolkien, Livro Vermelho, pseudotradução.

 

Abstract: This work analyzes the use of an imaginary manuscripts tradition as a way of amplifying the illusion of cultural depth in the work of J.R.R. Tolkien. I investigate, in details, the function of the manuscripts tradition of the so-called “Red Book of Westmarch”, written and/or compiled by the hobbits Frodo, Bilbo and Sam, main characters of “The lord of the rings” and “The hobbit”. The Red Book is envisioned as the ancient source, from which the modern books were merely “translated” by Tolkien himself. I show how these pseudo-manuscripts, whose presences in the narrative serve as a background the whole time, help to suggest centuries of “real” historical tradition behind the plot of both books.

Keywords: Tolkien, Red Book, pseudo-translation,

Biografia do Autor

Reinaldo José Lopes, Universidade de São Paulo

Doutorando Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Modernas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP)

Departamento de Letras Modernas

 

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Publicado

2016-04-04