“Asa Branca” no tempo e na voz de Caetano: a ditadura militar e o exílio como lugares de escuta

Autores

  • Pedro Paulo Salles USP

DOI:

https://doi.org/10.51359/1982-6850.2019.244652

Palavras-chave:

lugar de escuta, Caetano Veloso, Asa Branca, Luiz Gonzaga, exílio

Resumo

Este artigo discute um lugar de escuta que se inaugura quando Caetano Veloso grava e apresenta em Londres, em 1971, sua versão de “Asa Branca”, a emblemática canção nordestina. Lugar, esse, situado num tempo histórico e simbólico caracterizado pelo golpe militar e o regime ditatorial no Brasil e pelo exílio do compositor na capital da Inglaterra. Pretende-se demonstrar que, por meio de um hábil deslocamento de perspectiva e contexto – através das vocalidades e historicidades em jogo – Caetano nos faz ver e ouvir outra canção na mesma, reescrevendo-a de ouvido. O sujeito da enunciação – o retirante nordestino que foge das queimadas e da seca irredutíveis – passa a ocupar outra posição, a do exilado político que foge da seca dos direitos e das liberdades democráticas. No texto serão analisados aspectos históricos e formais dessa canção e a maneira como engendram na escuta temporalidades e sentidos.

Biografia do Autor

Pedro Paulo Salles, USP

Professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade de São Paulo, no campo da etnomusicologia.

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Publicado

2020-03-26