A mente e a evolução cultural humana: suas implicações para a teoria da ficção

Autores

  • Pedro Dolabela Chagas UFPR/CNPq

DOI:

https://doi.org/10.51359/1982-6850.2019.244673

Palavras-chave:

teoria da ficção, cognição, evolução cultural, teoria das affordances, homeostase

Resumo

Discussão das funções que fomentaram a evolução da ficção como prática cultural, observando-se como o seu processamento cognitivo permitiu que ela se estabilizasse como hábito individual e coletivo. Argumenta-se que os dois pontos se entrelaçam: a sinergia entre funções de grande apelo coletivo e um processamento cognitivo acessível teria favorecido a popularidade e o sucesso histórico da ficção. Quanto ao primeiro ponto, sugere-se que o seu surgimento e estabilização como prática social foi motivado pela sua disposição como affordance cultural de função homeostática, nos níveis individual e coletivo. Quanto ao segundo, discute-se a sugestão da psicologia experimental de que a leitura do texto ficcional não demanda quaisquer capacidades cognitivas excepcionais: a ficção se adapta às nossas predisposições mentais, e não o contrário, i.e. a sua leitura não pressupõe capacidades mentais desenvolvidas especialmente para ela. Defende-se que esses dois argumentos convergem na explicação das origens e do sucesso evolutivo e histórico da ficção, aqui definida não apenas como um atributo de certas produções humanas ou um conjunto de produções dotadas de características comuns, mas como uma prática cultural tradicionalizada.

Biografia do Autor

Pedro Dolabela Chagas, UFPR/CNPq

Pedro DOLABELA CHAGAS, prof. Dr.
Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Departamento de Literatura e Linguística

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Publicado

2020-03-26