Buenos Aires, 1945: realismo e mística na obra de Jorge Luis Borges
Resumo
O artigo propõe uma leitura da obra do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), com ênfase em sua produção literária no imediato pós-guerra, abordando especialmente o projeto e a execução do conto ‘El Aleph’. Neste sentido, é investigado o modo como circunstâncias associadas ao fim do conflito na Europa contribuem para a elucidação de aspectos realistas no pensamento e no ofício do escritor, até aquele momento expressos em sátiras e paródias das utopias políticas e estéticas gestadas durante a década de 1930, e a partir de então intercalados à retomada de uma poética de caráter místico na elaboração do relato. E, com o recurso ao objetivo declarado do projeto de articular os hábitos literários de Franz Kafka e Walt Whitman, bem como a referência implícita à Divina Comédia de Dante, busca-se demonstrar como a mobilização de uma forma cômica teve um importante papel na narrativa, ao favorecer a articulação entre o prosaico e o sublime na composição do texto, e com isso indicar um caminho possível para a reformulação das relações entre a arte e a vida na segunda metade do século.Referências
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