ARQUEOLOGIA FORENSE NO BRASIL: UM NOVO OLHAR SOBRE OS MÉTODOS TRADICIONAIS DE EXUMAÇÃO QUE PODEM FAZER A DIFERENÇA EM CASOS DE VIOLÊNCIA NO PASSADO

Sergio Francisco Serafim Monteiro da Silva

Resumo


Este texto apresenta um ensaio sobre o ensino da Arqueologia para profissionais forenses no Estado de São Paulo, Brasil, entre 2005 e 2010. No período, foram ministradas aulas teóricas, de campo e de laboratório sobre temas essenciais da Arqueologia Forense, inaugurando o ensino dessa disciplina no Brasil. A Antropologia Forense tem sido praticada pelos profissionais das áreas da Medicina Legal e Odontologia Legal, especificamente. Existe uma dicotomia entre os conceitos e as competências dessas duas disciplinas científicas. Concluímos que a Arqueologia Forense está em processo lento de formação no Brasil, mesmo com iniciativas governamentais e o empenho de faculdades públicas e privadas.

 

Abstract

This paper presents an essay on the teaching of archeology for legal professionals in the State of São Paulo, Brazil, between 2005 and 2010. During the period, were given lectures, field and laboratory on the key themes of Forensic Archaeology, inaugurating the teaching of this discipline in Brazil. The Forensic Anthropology has been practiced by professionals in the areas of Legal Medicine and Forensic Odontology, specifically. There is a dichotomy between the concepts and skills of these two scientific disciplines. We conclude that forensic archeology is slow training in Brazil, despite  overnment initiatives and efforts of public and private colleges.

Keywords: Forensic Archaeology; human rights; experimental teaching





Palavras-chave


Arqueologia Forense; direitos da pessoa humana; métodos de ensino

Texto completo:

PDF

Referências


ARBENZ, G. O. Medicina Legal e Antropologia Forense. Rio de Janeiro: Livraria Atheneu: 105−161, 193−206. 1988

BARKER, P. Techniques of Archaeological Excavation. New York: Universe Books. p. 96−100, 1977.

BASS, W. M., BIRKBY, W. H., Exhumation: The Method Could Make the Difference. FBI - Law Enforcement Bulletin, Forensic Science, p. 6−11, jul 1978.

BASS, W. M. Outdoor decomposition rates in Tenessee. In. HAGLUND, W D, SORG, M A (orgs). Forensic Taphonomy: the postmortem fate of human remains, Boston: CRC Press, p. 181−186, 1997.

BASS, W. M. Human Osteology: A Laboratory and Field Manual. 4ª ed. Columbia: Missouri Archaeological Society. 1995.

BENNETT, M. R., HACKER, P. M. S.. Fundamentos Filosóficos da Neurociência. Instituto Piaget/Epigênese Desenvolvimento e Psicologia. Portugal. 1996.

BROTHWELL, D. R. Digging up Bones. 3ª ed. London: British Museum, Oxford University Press. 1981.

BROTHWELL, D. R., POLLARD, A. M. (eds.) Handbook of Archaeological Sciences. New York: John Willey & Sons. 2001.

BUIKSTRA, J. E., UBELAKER, D.H. (eds.). Standards for Data Collection from Human Skeletal Remains, Proceedings from a Seminar at the Field Museum of Natural History. Arkansas Archaeological Survey Research Series. Fayetteville:Arkansas Archaeological Survey. (44), 1994.

COELHO, C. A. de S.; JUNIOR, J. J. J. Manual técnico-operacional para os médicoslegistas do Estado de São Paulo. São Paulo: Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, 2008.

COMISSÃO DE FAMILIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS, IEVE. Dossiê Ditadura – Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil 1964-1985. São Paulo: Imprensa Oficial. 2009.

CONNOR, M. Forensic Methods: Excavation for the Archaeologists and Investigators. New York: Alta Mira Press, 2007.

DAUNT, R G, GODOY, O. R. de. Pericia anthropologica em esqueleto de um recemnascido. Archivos de Policia e Identificação. São Paulo: Typ. Gabinete de Investigações. 1(2): 431−434, 1937.

DESGUALDO, M. A. Crimes contra a Vida: recognição visuográfica e a lógica na investigação. São Paulo: Seção Gráfica da Academia de Polícia Dr Coriolano Nogueira Cobra, 1999.

DUPRAS,T. L.; SCHULTZ, J. J.; WHEELER, S. M.; WILLIANS, L. J. Forensic recovery of human remains: archaeological approaches . [s.l.]: CRC Press, 2005.

FÁVERO, F. Tanatologia. Medicina Legal. São Paulo: Livraria Martins Editora, v.2, p. 53−174, 1951.

FEREMBACH, D., SCHWIDETZKY, I., STROUHAL, M. Recomendations for age and sex diagnose of skeleton. Journal of Human Evolution. 9:517-549, 1980.

GODOY, O. R. de, MONCAU JUNIOR, P. Dois laudos de perícia antropológica. Arquivos da Polícia Civil de São Paulo. São Paulo. Tipografia do Gabinete de Investigações, 8: 461−475, 1947a.

GODOY, O. R. de. Esqueletos e utensílios de índios encontrados no Estado de São Paulo. In. Arquivos da Polícia Civil de São Paulo. São Paulo: Tipografia do Gabinete de Investigações, v.8, p. 205−22, 1947b.

GODOY, O. R. de. Identificação de um esqueleto pela existência de um processo pathológico na mandíbula. Archivos de Polícia e Identificação. São Paulo: Typ. Gabinete de Investigações, 1(2): 269−275, 1937.

GODOY, O. R. de. Sobre esqueletos encontrados no prédio da Faculdade de Direito. Archivos de Policia e Identificação. São Paulo: Typ. do Gabinete de Investigações, (1): 57−83, 1936a.

GODOY, O. R. de. Sobre o esqueleto de um indivíduo assassinado na estrada de rodagem Porto Ferreira. Archivos de Policia e Identificação. São Paulo: Typ. do Gabinete de Investigações. (1): 113−119, 1936b.

HAVILAND, W. A. Anthropology. 7. ed. New York: Harcourt Brace College Publishers, 1994.

HUNTER, J.R., ROBERTS, C., MARTIN, A. Studies in Crime: A introduction to Forensic Archaeology. Great Britain: Routledge. 2002.

HUNTER, J. R.; COX, M. Forensic Archaeology – Advances in theory and practice. London: Routledge Taylor & Francis Group, 2006.

HUNTER, J. R. Archaeology. (Anthropology). In SIEGEL, J.; KNUPFER, G., SAUKKO, P. (eds.) Encyclopedia of forensic sciences, three-volume set, 1-3. [s.l.]: Academic Press. p.206−212, 2000.

JOUKOWSKY, M. Burials. A Complete Manual of Field Archaeology – tools and techniques of field work for archaeologists. New York: Prentice Hall Press. p. 183−197, 1986.

KROGMAN, W M, ISCAN, M Y (eds.) The Human Skeleton in Forensic Medicine. Springfield/Illinois: Charles Tomas, 1986.

LESSA, A. Avaliação da demanda de peritos em Antropologia Forense para aprimoramento e modernização das instituições periciais. Relatório final. Concursos Nacionais de Pesquisas Aplicadas em Justiça Criminal e Segurança Pública. Ministério da Justiça/Governo Federal: Senasp – Secretaria Nacional de Segurança Pública. 2005.

MAYS, S. The Archaeology of Human Bones. London: Toutledge. 1999.

MORSE, D., STOUTAMIRE, J., DUNCAN, J. A unique course in anthropology. American Journal of Physical Anthropology. 45(3): 74−748, 1976.

PALLESTRINI, L., PERASSO, J. A. Arqueologia: Método y Técnicas en Superfícies Amplias. Paraguay: Biblioteca Paraguaya de Antropologia, Centro de Estúdios Antropológicos de la Universidad Católica N. S. de la Asunción. 1984.

QUEIROZ, C. A. M. de (coord.). Manual Operacional do Policial Civil: doutrina, legislação, modelos. 2ª ed. São Paulo: Delegacia Geral de Polícia, p. 332, 2004.

ROKSANDIC, M. Position of Skeletal Remains as a Key to Understanding Mortuary Behavior. In: RUBIO-FUENTES, A. Apuntes de Antropologia. Madrid: Departamento de Medicina Legal da Universidade Complutense de Madrid, 1975.

SCHMITT, A.; CUNHA, E.; PINHEIRO, J. (Eds.) Forensic Anthropology and Medicine: complementary sciences from recovery to cause of death.[s.l.: s.n.], 2006.

SILVA, S F S M da. Ensaios Bibliográficos: Resenhas (CHAMBERLAIN, A . Human Remains. Interpreting the past. Trustees of Britsh Museum Press. London, 1994, 64pp.). Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. São Paulo. 6:372−376, 1996.

SILVA, S. F. S. M. da. Terminologias e classificações usadas para descrever sepultamentos humanos: exemplos e sugestões. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia. São Paulo: Universidade de São Paulo. 15−16: 113−138, 2005−2006.

SILVA, S. F. S. M. da; CALVO, J. B. Potencial de análise e interpretação das deposições mortuárias em Arqueologia: perspectivas forenses. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia. São Paulo: Universidade de São Paulo. 17: 469−491, 2007.

SILVA, S. F. S. M. da, OLIVEIRA, R. N. Forensic Archaeology in the Academy of Civil Police, Sao Paulo State, Brazil. 1st Paleopathology Association Meeting in South América – Human Migrations and Diseases. Program and Abstracts. Fundação Oswaldo Cruz e Escola de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro, p. 55, jul. 2005.

SNOW, C. C. Forensic anthropology. Annual Review of Anthropology. 11:97-131, 1982.

TAYLOR, K. T. Forensic Art and Illustration. New York: CRC Press, 2001.

UBELAKER, D. H. Human Skeletal Remains, Excavation, Analysis, Interpretation. 2ª ed. Washington, D. C.: Taraxacum, 1989.

UBELAKER, D. H. Human Bones and Archeology. Cultural Resource Management Series. Washington: Interagency Archeological Service, Heritage Conservation and Recreation Service, U.S. Department of the Interior. 1980.

UBELAKER, D. H., BLAU, S. Handbook of Forensic Anthropology and Archaeology. (World Archaeological Congress Research Handbooks). [s.l]: Left Coast Press, 2009-10

WHITE, T. D., FOLKENS, P. A. The Human Bone Manual. London: Academic Press. 2005.




DOI: https://doi.org/10.20891/clio.v30i2p14-44

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

ISSN: 2448-2331

© 1984-2020 CLIO Arqueológica 
Universidade Federal de Pernambuco - UFPE
Programa de Pós-Graduação em Arqueologia
Centro de Filosofia e Ciências Humanas, 10º andar
Avenida da Arquitetura, S/N - Cidade Universitária
CEP 50.740-550 Recife (PE), Brasil

 

Creative Commons License
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License

 

UFPE LOCKSS Open Access

 

Instituições de referência para a CLIO Arqueológica:

Capes ABEC Fumdham INAPAS LatinRev