CARACTERIZAÇÃO DO ATAQUE EM SISTEMA COM A UTILIZAÇÃO DA “BALIZA DESERTA” NO HANDEBOL FEMININO

Gabriel Augusto B. Maroja, José António Silva, Vinicius C. de Oliveira, João Marcônio C. de A. Filho

Resumo


Introdução: As últimas alterações nas regras do Handebol têm tido repercussões decisivas no comportamento tático das equipes na competição. A possibilidade de uma equipe jogar sem goleiro, introduzida nos jogos Olímpicos de 2016, levou equipes a alterar suas estratégias ofensivas fundamentalmente nas situações de igualdade e inferioridade numérica. Objetivo: O presente estudo teve como principal objetivo caracterizar as situações que ocorreram na fase de ataque em sistema, nas quais as equipes optam por substituir o goleiro por um jogador de campo, para atacar em superioridade numérica, ou em igualdade numérica. Metódo: A amostra utilizada foi constituída por (16) jogos da fase de play-off (a partir das oitavas de final) do Campeonato do Mundo de Seniores Feminino 2017. Para efetuar o registro foi utilizado o instrumento de observação ad-hoc. Desse registro, resultou um total de 3107 sequências ofensivas e 1760 ataques finalizados. Resultados e Discussão: Dos resultados obtidos destacam-se: (I) a eficácia das equipes numa situação de ataque com a baliza deserta 6X6 é maior do que a obtida quando atacam 7X6, (vitoriosas: 48.5% vs 47.6%; derrotadas – 40.7% vs 33.3%); (II) quando as equipes estão em inferioridade numérica com menos uma jogadora, o ataque com “baliza deserta” (6X6) revela-se mais eficaz do que o ataque em inferioridade numérica 5X6 (vitoriosas: 45.5% vs 32.4%; derrotadas - 50% vs 24%). Conclusão: Concluiu-se que a maioria dos ataques com baliza deserta ocorreu em situações de igualdade numérica absoluta, ou em situações de inferioridade numérica absoluta de uma jogadora, sendo essa estratégia mais eficaz para ambas as equipes durante a inferioridade numérica absoluta.

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