Metamorfismo térmico nos micaxistos Seridó em torno do Batólito granítico de Acarí (RN), Nordeste do Brasil : química mineral de ilmenitas e turmalinas

Autores

  • Laécio Cunha de Souza Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Jean Michel Legrand Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Jean Verkaeren Université Catholique de Louvain

Palavras-chave:

Química mineral, Metamorfismo térmico, Micaxistos, Ilmenita, Turmalina

Resumo

Os micaxistos da Formação Seridó, topo do Grupo Seridó, foram intrudidos pelo volumoso magmatismo granítico de Acari, sintectônico a deformação D2 e de idade brasiliana. Dois episódios metamórficos M1 e M2 afetaram esses micaxistos. O primeiro em fácies xisto verde (metamorfismo de carga) foi superposto por uma extensa zonação mineralógica M2, simultânea ao alojamento do maciço granítico de Acari. Quatro zonas metamórficas foram definidas em torno deste maciço: (1) biotita + clorita + muscovita, (2) biotita + granada, (3) biotita + cordierita + andaluzita ± estaurolita, (4) biotita + cordierita + sillimanita ± estaurolita. A ilmenita e a turmalina, presentes como acessórios nas quatro zonas metamórficas, mostraram importantes variações texturais e químicas que envolvem a neoformação e recristalização de granada, cordierita e estaurolita durante M2. A ilmenita encontra-se freqüentemente alongada na xistosidade S2 e associada à biotita, granada e cordierita. Vários microblastos de ilmenita distribuídos nas quatro zonas foram analisados (Cunha de Souza, 1996). Os teores de Mn são variáveis e bastante elevados, entre 1.03 e 4.34% em peso. As razões Mn/(Mn+Fe) são nitidamente inferiores nas zonas de mais altas temperaturas (Cd+And e Cd+Sil) em comparação com àquelas de mais baixas temperaturas (Bt+Chl+Mu e Bt+Grt). Neste contexto, a cristalização e recristalização de granada, cordierita e estaurolita controlam a quantidade de MnO das ilmenitas. Assim, as ilmenitas que se recristalizaram nas zonas de mais alto grau metamórfico tiveram menor quantidade de Mn disponível. Uma parte do Mn foi consumida durante M2 na formação progressiva de porfiroblastos de granada, cordierita e estaurolita. A turmalina possui distribuição homogênea no micaxisto, sendo encontrada tanto na matriz como na forma de inclusões nos porfiroblastos de cordierita. Para efeito analítico foram consideradas àquelas turmalinas zonadas e homogêneas. Os grãos zonados são caracterizados por substituições entre Al-Fe e Na-Ca e, à medida que nos aproximamos do batólito granítico, as turmalinas tornam-se mais aluminosas e menos sódicas. Estas mudanças químicas no sentido das composições mais aluminosas são compatíveis com os micaxistos portadores de andaluzita e sillimanita.

Referências

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Publicado

2007-07-01

Como Citar

Souza, L. C. de, Legrand, J. M., & Verkaeren, J. (2007). Metamorfismo térmico nos micaxistos Seridó em torno do Batólito granítico de Acarí (RN), Nordeste do Brasil : química mineral de ilmenitas e turmalinas. Estudos Geológicos, 17(2), 71–84. Recuperado de https://periodicos.ufpe.br/revistas/estudosgeologicos/article/view/259744

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