Chamada de Artigos: Dossiê temático: A physis em uma filosofia da técnica pós-heideggeriana

Heidegger não escondeu sua inquietude com relação a esse domínio cada vez mais totalizante da técnica moderna. Uma parte de sua empreitada foi a de buscar na physis um contraste com o pensamento técnico (que é o pensamento metafísico, tético, assertivo). Uma outra parte foi tentar buscar um outro pensamento no subterrâneo da physis, em um começo que não pudesse ser posto a serviço de nenhuma fundação. 

No século XXI dois movimentos são dignos de nota nesse contexto. Por um lado, a artificialização do mundo se tornou mais evidente e as alternativas que temos diante dela mais restritas. A filosofia da técnica, portanto, se tornou ainda mais urgente. Por outro lado, Heidegger, que pensou profundamente a questão da essência da técnica, passou a ser visto com crescente suspeita em função de escritos que vieram à luz e em função de trabalhos que associavam sua tentativa de reinventar o pensamento ao nazismo. A necessidade de pensar a técnica e de aprofundar as questões colocadas por Heidegger sobre o tema, no entanto, continua com intensidade crescente. De fato, a técnica impulsiona profundas transmutações de valores socioculturais, políticos, trabalhistas e econômicos. Como compreender a dimensão e as consequências dessas transmutações? 

Como é possível pensar uma virada hoje? Ou, ainda em termos de uma questão heideggeriana que pede outras respostas, o que sobra da physis? Onde é que ela ainda vige? Como concebemos a natureza nesse momento em que o planeta está incorrigivelmente danificado já que o efeito da técnica sobre ele é sem precedentes? Seria a natureza a irrupção de Gaia? Ou antes, seria ela uma voz ou um traço na cosmotecnia? Ou seria ela mesma dinâmica, nômade, transformista e resultado de uma multiplicidade de processos imbricados com diferentes intensidades? 

O objetivo do volume é reunir artigos e ensaios que discutam e apresentem perspectivas para pensar o lugar da physis, bem como a conjuntura técnica que se forma e se desenvolve no século XXI. As abordagens sobre essa temática são diversas e incluem múltiplos discursos, bem-vindos no volume. 

O volume é editado por: Rodrigo Amorim Castelo Branco, Elzahrã Omar Osman, Gerson Brea, Maria Eugênia Zabotto Pulino e Hilan Bensusan.

Contribuições bem-vindas em português, inglês, alemão, francês, espanhol e italiano até o dia 31 de março de 2021. Informações: hilantra@gmail.com

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Heidegger did not conceal his uneasiness about the increasing reach of modern technique. A part of his endeavor was to seek in physis a contrast with technical thinking (which is metaphysical, thetic assertive). Another part was to try to seek another thought underneath physis, in a beginning that could not serve any foundation. 

In the twenty-first century two movements are noteworthy in this context. On the one hand, the artificialization of the world has become more evident and the alternatives we have before us seem more restricted. The philosophy of technique, therefore, became even more urgent. On the other hand, Heidegger, who thought deeply about the essence of the technique, came to be seen with increasing suspicion due to writings that came to light together with research which associated his attempt to reinvent thought with Nazism. The need to think about the technique and to deepen the questions posed by Heidegger on the subject, however, continues to hit us with increasing intensity. Indeed, the technique boosts profound transmutations of sociocultural, political, labor, and economic values. How to understand the depth and consequences of these transmutations? 

How is it possible to think of a turning point today? Or, still in terms of a Heideggerian question that asks for other answers, what is left of physis? Where does it still live? How do we conceive of nature at a time when the planet is incorrigibly damaged since the effect of the technique on it is clearly unprecedented? Is nature the irruption of Gaia? Or rather, is it a voice or a trace in cosmotechnics? Or is it itself dynamic, nomadic, transforming and the result of a multiplicity of processes interwoven with different intensities? 

The aim of the volume is to bring together articles and essays that discuss and present perspectives to think about the place of physis, as well as the technical conjuncture that is formed and developed in the 21st century. The approaches on this theme are diverse and include multiple speeches, all of them welcome in the volume. 

The volume is edited by: Rodrigo Amorim Castelo Branco, Elzahrã Omar Osman, Gerson Brea, Maria Eugênia Zabotto Pulino and Hilan Bensusan. Contributions welcome in Portuguese, English, German, French, Spanish and Italian until March 31, 2021. Information: hilantra@gmail.com.