Alteridade e educação em Levinas

José Tadeu Batista de Souza

Resumo


O texto tem o objetivo de apresentar a categoria de subjetividade e seus
modos de expressão no pensamento de Levinas, como inspiração para o
ensino de Filosofia. Seu pensamento emerge nesta tendo como novidade
fundamental a alteridade, a qual marca toda sua obra. Sua crítica ao
pensamento ocidental reclama o fato de ele ter negado a significação do
outro. Levinas constatou que os esforços da razão ocidental em explicitar
as problemáticas questões do ser, os modos de conhecimentos possíveis
e as formas de agir constituíram-se na própria identidade da Filosofia. A
identificação entre pensamento e ser tornou o pensar incapaz de abrir-se
para a alteridade. Assim, o pensamento atuou como um movimento circular,
reduzindo o que era diferente à mesmidade. Ao primado da identidade do
mesmo, Levinas propõe uma transformação para o fazer filosófico, que
atinge tanto os conteúdos nucleares e os métodos da Filosofia, como a
sua perspectiva mais geral. No que concerne aos conteúdos, ele propõe
a “ética como filosofia primeira”. A dimensão ontológica centrada no ser
cede lugar ao humano como locus originário da busca da inteligibilidade e
do sentido. O humano perde o caráter de objeto de investigação teórica e
sujeito cognoscente e torna-se polo de uma relação intersubjetiva fundada
no diálogo aberto e no respeito incondicional à diferença do outro. A
subjetividade plasma-se como instância fundamentalmente ética e pode
expressar-se no desejo desinteressado pelo outro; na responsabilidade por
ele e tem como medida a desmedida do infinito; na escuta paciente de
quem reconhece no falante uma autoridade ensinante; na hospitalidade,
como aquele que se alegra pela visitação desarranjadora do visitante
inusitado; no encontro face a face com o rosto de outrem que traz uma
significação originária e originante de novos sentidos: dizer de aprendizes
e ensinantes.


Palavras-chave


Levinas, Subjetividade, Alteridade, Educação

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