Antropologia e doença mental em Foucault: Caminhos do homem rumo à perda de sua verdade

Fillipa Silveira

Resumo


Este artigo tem o propósito de examinar alguns elementos sobre a antropologia em Foucault cuja gênese se encontra na história da psicologia. Até a publicação de uma nova versão, em 1962, do texto Doença mental e personalidade [1954] os textos de Foucault não apresentam qualquer crítica à possibilidade de se pensar uma antropologia como reflexão legítima sobre o homem, crítica esta que se tornou célebre a partir dos anos 60. Nesta segunda versão, cujo título foi modificado para Doença mental e psicologia, a doença mental passa a ser considerada de um ponto de vista arqueológico, a partir de suas “condições históricas”. Desta nova maneira de se considerar a “história dos fenômenos” resulta todo o projeto de História da Loucura [1961] e da crítica à psicologia como pseudociência que, sob o pano de fundo de uma suposta fundamentação das ciências humanas, forja a própria verdade do homem, modelo que passa a justificar a submissão dos indivíduos humanos a uma apreciação moral por parte dos saberes, e a um controle ético exercido pelas práticas terapêuticas, educacionais, políticas e jurídicas no mundo ocidental.


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