O funderentismo de Susan Haack e o duplo aspecto dos julgamentos morais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/2357-9986.2023.251591

Palavras-chave:

funderentismo, justificação, juízos morais, epistemologia moral

Resumo

O presente artigo tem como objetivo caracterizar a teoria funderentista defendida por Susan Haack para, posteriormente, refletir sobre o modo como a distinção ‘estado-conteúdo’, que é responsável conferir um duplo aspecto a essa teoria, pode auxiliar na compreensão dos julgamentos morais. A caracterização tanto da teoria funderentista quanto das críticas de Haack ao fundacionismo e ao coerentismo tem como fio condutor o seu livro Evidence and Inquire: Towards Reconstruction in Epistemology (1993). A reflexão sobre os julgamentos morais, sobretudo no âmbito da epistemologia moral, procura corroborar a hipótese de que o cognitivismo moral ampliado, que considera diferentes tipos de conhecimento moral, pode ser pensado como uma teoria de duplo aspecto. A principal vantagem dessa abordagem é que a distinção estado-conteúdo ajuda a esclarecer mais adequadamente como a motivação se conecta com os julgamentos morais e, consequentemente, com o conhecimento moral, evitando a dicotomia ‘crença’/‘não-crença’. Entre os muitos detalhes que essa explicação precisa preencher para se tornar uma teoria metaética completa, há uma objeção importante para ser respondida, que é relativa àsuposta irrelevância de conteúdo da motivação que acompanha os estados mentais que tendemos a considerar como julgamentos morais. Será argumentado que é possível vislumbrar uma resposta para essa objeção nos debates sobre razões normativas e razões motivadoras, especialmente entre Bernard Williams (1979) e Derek Parfit (1997).

Biografia do Autor

Monica Franco, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Doutoranda em Filosofia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Estuda metaética, especificamente, ontologia moral. Já desenvolveu pesquisas sobre psicologia moral (na graduação) e epistemologia moral (no mestrado).

Referências

BEDKE, Matthew S. “Cognitivism and Non-Cognitivism”. In: McPHERSON, Tristam; PLUNKETT, David (eds.) The Routledge Handbook of Metaethics. Routledge, Taylor & Francis, 2018, p. 292-307.

BONJOUR, Laurence. The Structure of Empirical Knowledge. Harvard University Press, Cambridge, MA and London, 1985.

DARWALL, Stephen. “Razões, motivos e as exigências da moralidade: uma introdução”. In: DARWALL, Stephen; GIBBARD, Allan; RAILTON, Peter. Metaética: Algumas tendências. Série Ethica. DALL’AGNOL, Darlei (org.). Tradução de Janyne Sattler. Editora da UFSC, 2013, p. 275-290.

DAVIDSON, Donald. “A Coherence Theory of Truth and Knowledge”. In: HENRICH, Dieter; KLETT-COTTA, Stuttgart (eds.) Kant oder Hegel?1983, p. 423-438.

HAACK, Susan. Evidence and Inquiry: Towards Reconstruction in Epistemology. Oxford: Blackwell, 1993.

LEWIS, Claurence I. An Analysis of Knowledge and Valuation. Open Court, La Salle, IL, 1946.

PARFIT, Derek. On What Matters: Volume One. Oxford: Oxford University Press, 2011.

PARFIT, Derek. “Reasons and motivation”. Aristotelian Society Supplementary Volume, vol.71, n.1, 1997, p. 99-130.

RUSSELL, Bertrand. Os problemas da filosofia. Tradução de Jaimir Conte. Florianópolis, 2005. Disponível em: http://conte.prof.ufsc.br/txt-russell.pdf. Acesso em: 12 abr. 2021.

RYLE, Gilbert. The Concept of Mind. Chicago: The University of Chicago Press, 1949.

TRESAN, Jon. “De Dicto Internalist Cognitivism”. Noûs, vol.40, n.1, 2006, p. 143-165.

TRESAN, Jon. “Metaethical Internalism: Another Neglected Distinction”. Journal of Ethics, vol.13, n.1, 2009, p. 51-72.

WILLIAMS, Bernard. “Internal and External Reasons”. In: ROSS HARRISON (ed.), Rational Action. Cambridge University Press, 1979, p. 101-113.

Downloads

Publicado

2024-02-15