Alguns sentidos sobre o “corpo” na obra a Cidade das Damas
DOI:
https://doi.org/10.51359/2357-9986.2022.253175Palavras-chave:
Pizan, A Cidade das Damas, corpos, autoridade, mulheresResumo
Meu objetivo neste artigo é investigar os sentidos sobre o “corpo” na obra A Cidade das Damas (1405) da filósofa Christine de Pizan. Mais especificamente, tenho como ponto de partida algumas questões: como Pizan fala sobre os corpos das mulheres? E os corpos dos homens? Em que parte da obra Pizan fala sobre os corpos? Qual a importância da discussão sobre os corpos nesta obra? Pizan utiliza a palavra “corpo” apenas para designar corpos orgânicos e físicos? Existem outros sentidos empregados? A partir destas perguntas, identifico e apresento cinco discussões que Christine de Pizan formula no Livro Primeiro de A Cidade das Damas: 1) a ideia do “corpo feminino inferior” pensado e construído pelos homens; 2) o argumento de que os corpos dos homens são frágeis em algum momento da vida; 3) a defesa do corpo de Eva; 4) o argumento de que a autoridade do corpo provém da virtude e não do sexo ou da força física, e; 5) a discussão sobre a força física do corpo masculino e a relação com o poder judiciário. Concluo que a reflexão sobre a ideia de “corpo” é fundamental para a compreensão da obra. Não é coincidência de que este é o tema de abertura e que Pizan constrói a introdução do seu livro apresentando a ideia do “corpo feminino inferior” que aparece na tradição da literatura e filosofia escritas pelos homens do seu tempo, e que Pizan desenvolve a história da construção dessa cidade de mulheres a partir da discussão sobre os sentidos atribuídos aos corpos de mulheres e homens.
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