Fanon não é psicanalista na França. Mas, e no Brasil?
DOI:
https://doi.org/10.51359/2357-9986.2026.261851Palavras-chave:
alienação, psicanálise, racismo, branquitude, colonizaçãoResumo
Este trabalho parte de uma provocação que visa tensionar a devida inscrição das contribuições de Frantz Fanon ao campo psicanalítico, sobretudo o brasileiro. Tomamos como questão disparadora os limites do interesse desse campo pelas considerações do autor em um contexto colonizador, como a França. Deste modo, circunscrevemos a temática da alienação racial em Fanon como condição para problematizar a ocorrência de um duplo narcisismo nomeado pelo autor. Através desse verifica-se que negro encontra-se encerrado em sua negrura, o branco enclausurado pela brancura. Mas, se Fanon localiza a alienação como base do colonialismo, é para empenhar-se na luta – contracolonial – que visa a desalienação, isto é, a destruição do complexo fundado pela raça. Assim, situado no contexto brasileiro, nos interessa as contradições e as ambiguidades sustentadas pelos corpos brancos. Agentes da dominação, estes também respondem à lógica colonizadora. Ao longo desse percurso ressaltamos a opção fanoniana que faz do discurso psicanalítico um instrumental fundamental na leitura crítica sobre a alienação racial. Hegemonicamente, a psicanálise foi regulada por um silêncio quanto às consequências da incidência diferencial da raça, pergunta-se pelas implicações desse silêncio em um país colonizado.
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