Uma “revolução conservadora”? O populismo como “patologia da democracia” e o bolsonarismo em perspectiva histórica

Diogo Cunha

Resumo


Este artigo tem por objetivo analisar os populismos autoritários a partir da perspectiva da teoria política. Argumentamos que os discursos de ódio formam parte estruturante – e não apenas acessória – da retórica e da governança populista. Na primeira parte, revisitamos as obras de Claude Lefort e Pierre Rosanvallon para examinar as noções indeterminação democrática e de patologia da democracia. Para esses autores, é a natureza indeterminada e inacabada da democracia que está na origem de múltiplos desencantos com esse regime político, assim como de tentativas de realiza-la a partir de simplificações da ideia democrática. Essas simplificações se traduziram frequentemente em soluções não democráticas ou francamente autoritárias. Na segunda parte, examinamos especificamente o bolsonarismo e a ideia de uma suposta “revolução conservadora” que seus “líderes” reivindicam estar levado a cabo.

Palavras-chave


Populismo; bolsonarismo; revolução conservadora; Pierre Rosanvallon; indeterminação democrática.

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