Novas formas de pensar a Cooperação em África: uma abordagem de Coerência de Políticas para o Desenvolvimento (CPD)

Tássia Camila de Oliveira Carvalho

Resumo


A Coerência de Políticas para o Desenvolvimento (CPD) tornou-se sobretudo a partir dos anos 2000, um dos assuntos mais debatidos entre os países doadores tradicionais, sendo considerado, desde então, um conceito que fundamenta estratégias da cooperação internacional para promoção do desenvolvimento das nações mais pobres. Constituído ainda no início da década de 1990, o debate permaneceu marginal na estrutura da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ganhando verdadeiro impulso apenas em 2005 com a Conferência de Paris. Tal agenda reflete, em grande medida, as transformações na arquitetura da ajuda frente a um contexto de perda de credibilidade e demandas por eficácia. As críticas produzidas pelos movimentos sociais e pelos intelectuais de países doadores e beneficiários, bem como a competitividade trazida pela cooperação Sul-Sul foram o motor dessas mudanças, forjando estratégias para uma cooperação menos imperialista. A partir de 2015 a CPD foi incorporada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) o que, supostamente, impõe a temática também para a Cooperação Sul-Sul. O objetivo do presente artigo é demonstrar os processos de constituição e densificação do conceito para, em seguida, defender a necessidade de apropriação da temática como agenda de pesquisa para pensar a cooperação do Brasil com a África. Refletir sobre a CPD é fundamental para que as ferramentas e estratégias de eficácia da CID não sejam impostas de cima para baixo sem que tenhamos a capacidade de forjar conceitualmente uma percepção de coerência alinhada com o nosso lugar de fala.

Palavras-chave


Coerência de Políticas para o Desenvolvimento; Cooperação Sul-Sul; Eficácia da Ajuda África.

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