Apoio à Democracia e Satisfação Individual: uma análise comparada entre Argentina e Brasil
DOI:
https://doi.org/10.51359/1808-8708.2022.260651Palavras-chave:
Apoio à Democracia, Argentina, Brasil, Satisfação com a DemocraciaResumo
O objetivo do presente artigo é analisar quais fatores influenciam o apoio à democracia por parte dos cidadãos, ao mesmo tempo que se evidencia as semelhanças e/ou diferenças do contexto político e democrático da Argentina e do Brasil.
Com isso, procura-se entender se quanto maior for a satisfação individual – não apenas em um nível econômico, mas
amplo, levando em consideração diversos aspectos da vida de uma pessoa em uma democracia –, maior será o apoio ao
regime, ou seja, quanto menor essa satisfação, menor será o apoio à democracia. A pesquisa utiliza o método comparado
em conjunto com uma técnica estatística para submeter as hipóteses a comprovações e falsificações. A análise dos dados será realizada através do software R4.2, com criação de um modelo de regressão linear para ser feita uma análise exploratória no método de regressão stepwise. Os modelos de regressão linear elaborados apontam que as variáveis menos explicativas são a satisfação econômica - um fator muito relevante a ser considerado, pois uma grande parte da literatura aponta essa variável como a mais importante para explicar o apoio à democracia –, “Quão justa é a distribuição de renda?” e a aprovação do presidente. As mais explicativas são a satisfação com a democracia e “país” – que apresenta forte associação com o fato de não ser Brasil. Diante da discussão realizada ao longo do artigo, procura-se contribuir para o debate que busca retomar as discussões
sobre participação popular e igualdade de modo a construir um conceito substantivo de democracia.
Referências
BAQUERO, Marcello. (2011), “Desarrollo sostenible, capital social y empoderamiento en América Latina en el
siglo XXI”, Otra Economía, vol. 5, no. 4: 3-18.
______; SANTOS, E.R. (2007), “Democracia e Capital Social na América Latina: uma análise comparativa”,
Revista de Sociologia e Política, vol. 1, no. 28: 221-234.
BOOTH, John A.; SELIGSON, Mitchell A. (2009), The legitimacy puzzle in Latin America: political support and
democracy in eight nations. New York, Cambridge University Press.
BROWN, W. (2019), Nas Ruínas do Neoliberalismo: a ascensão da política antidemocrática no ocidente. São Paulo,
Ed. Filosófica Politeia.
CASTELLS, Manuel. (2018), Ruptura: a crise da democracia liberal. Rio de Janeiro, Ed. Zahar.
CHINCHILLA, Laura (Org.). (2019), Democracia, liderança e cidadania na América Latina. São Paulo, Ed. da
Universidade de São Paulo.
COELHO, André Luiz. (2022), Por que caem os presidentes? : contestação e permanência na América Latina. Rio
de Janeiro, Ed. Mórula / FAPERJ.
COUTINHO, Marcelo. (2006), “Movimentos de mudança política na América do Sul contemporânea”, Rev.
Sociol. Polít., vol.1, no.27: 107-123.
FRANÇA, Luiz Daniel Jatobá. (2011), Democracia, política externa e integração regional: um estudo comparativo
das trajetórias de Argentina e Brasil. 357 p. Tese (Doutorado em Ciência Política) – Universidade do Estado do
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
FUSER, Igor. (2017), “Conquistas e fracassos dos governos progressistas: elementos para o balanço de um ciclo
político que se recusa a morrer”, Revista de la Red de Intercátedras de Historia de América Latina, vol. 5, no. 8: 67-76.
GARETTO, Daniel Zovatto. (2018), “El estado de las democracias en América Latina a casi cuatro décadas del
inicio de la Tercera Ola Democrática”, Derecho Electoral, vol. 1, no. 25: 1-24.
GOHN, Maria da Glória. (2019), Participação e democracia no Brasil: da década de 1960 aos impactos pós-junho de
Rio de Janeiro, Ed. Vozes.
GONZÁLEZ, Rodrigo Stumpf. (2014), “Qualidade da democracia, eleições presidenciais e apoio à democracia
na América Latina”, Temas y Debates, vol. 28, no. 18, p. 13-28, dez. 2014.Volume 31, nº 2 - 2022 | 115
INGLEHART, Ronald. (1998), ‘‘The Renaissance of Political Culture”, American Political Science Review, v. 82,
n. 4: 1203-1230.
LAISNER, Regina. (2008), “Visões da democracia: o debate entre tradições e o caminho para um novo modelo”,
Revista de Estudos e Pesquisas sobre as Américas, vol. 2, no. 1: 12-27.
LEITE, José Correa; UEMURA, Janaina; SIQUEIRA, Filomena (orgs.). (2018), O eclipse do progressismo: a
esquerda latino-americana em debate. São Paulo, Ed. Elefante.
LINDE, J; PETERS, Y. (2018), “Responsiveness, support, and responsibility: How democratic responsiveness
facilitates responsible government”, Party Politics, vol. 26, no. 3: 291-304.
LINS, Rodrigo. (2017), “Insatisfação com a democracia na América Latina, 2001-2015”, Conexão Política, vol. 6,
no. 1: 127-141.
LIPSET, Seymour Martin. (1993), “The Centrality of political culture”, in L. Diamond and M. Plattner (eds), The
Global Resurgence of Democracy. Baltimore, The Johns Hopkins University Press.
MEDEIROS, Josué. (2018), “Regressão democrática na América Latina: do ciclo político progressista ao ciclo
político neoliberal e autoritário”, Revista de Ciências Sociais, v. 49, no. 1: 98-113.
MEDEIROS, Nayara Fátima. (2015), “Democracia clássica e moderna: discussões sobre o conceito na teoria
democrática”, Revista Eletrônica de Ciência Política, vol. 6, no. 2: 258-279.
MEJÍA, Jordano Sebastián Cilio. (2022), Análisis comparado de la calidad de la democracia en Ecuador durante los periodos
de gobierno entre 2017 y 2021. 156 p. Tese (Doutorado em Sociologia) – Universidad Central del Ecuador, Quito.
MIGUEL, Luis Felipe. (2018), “Brasil: Post-democracia o neo-dictadura?”, Revista de La Red de Intercátedras de
Historia de América Latina Contemporánea, vol. 5, no. 8: 77- 90.
MONSIVAIS-CARRILLO, Alejandro. (2020), “La indiferencia hacia la democracia en América Latina”, Íconos
Revista de Ciencias Sociales, vol. 24, no. 66: 151-171.
MOUNK, Yascha. (2018), O povo contra a democracia: por que nossa liberdade corre perigo e como salvá-la. São
Paulo, Ed. Companhia das Letras.
NORRIS, Pippa. (1999), Critical Citizens: Global Support for Democratic Government. Oxford, Oxford
University Press.
______. (2011), Democratic Deficit: Critical Citizens Revisited. New York, Cambridge University Press, 2011.Volume 31, nº 2 - 2022 | 116
O’DONNELL, G. (1987), “Transição democrática e políticas sociais”, Revista da Administração Pública, vol. 21,
no. 4: 9-16.
OVARES-SÁNCHEZ, Carolina. (2021), “Déficit democrático en Costa Rica (1998-2019)”, in L. DuarteRecalde e A. Coelho (orgs.), Nuevas tensiones de las democracias en América Latina. Belo Horizonte, Lemos
Mídia.
PASQUINO, Gianfranco. (2011), Nuevo curso de ciencia política. México, Fondo de Cultura Económica.
PANIZZA, Francisco. (2006), “La Marea Rosa”, Observatório Político Sul-americano, vol.1, no.8: 1-16.
PATEMAN, Carole. (1970), Participation and Democratic Theory. New York, Ed. Cambridge University Press.
PÉREZ-LIÑÁN, Aníbal. (2010), “El método comparativo y el análisis de configuraciones causales”, Revista
Latinoamericana de Política Comparada – CELAEP, vol. 5, no. 5: 125-148.
PRZEWORSKI, Adam. (2019), Crises da democracia. Rio de Janeiro, Ed. Zahar.
RUENGVIRAYUDHR, P., BROOKS, G. P. (2016), “Comparing stepwise regression models to the best-subsets
models, or, the art of stepwise”, General Linear Model Journal, vol. 42, no. 1:1-14.
SANTOS, Fábio Luís Barbosa. (2018), Uma história da onda progressista sul-americana (1998-2016). São Paulo,
Ed. Elefante.
SILVA, Fabrício Pereira da. (2017), “A “qualidade da democracia” como um problema: que qualidades as nossas
democracias deveriam possuir?”, Teoria & Pesquisa, vol. 26, no. 2: 6-29.
SILVA, Fabricio Pereira. (2014), “Quinze anos da onda rosa latino-americana: balanço e perspectivas”, Observador
On-Line, vol. 9, no. 12: 1-28.
VITULLO, Gabriel E. (2001), “Transitologia, consolidologia e democracia na América Latina: uma revisão
crítica”, Revista de Sociologia e Política, vol. 1, no. 17: 53-60.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2023 Mozara Rodrigues

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License. href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm">Lei de Direito Autoral n. 9610/98, a Lei nº 5.805/72, bem como os Acordos e Tratados Internacionais de Direito Autoral em vigor no Brasil, quais sejam: Convenção de Berna para a Proteção de Obras Literárias e Artísticas (Decreto Nº 75.699, DE 6 DE MAIO DE 1975), Convenção Universal sobre o Direito de Autor (Decreto Nº 76.905, de 24 DE DEZEMBRO DE 1975), e a Convenção Interamericana sobre os Direitos de Autor em Obras Literárias, Científicas e Artísticas (Decreto Nº 26.675, DE 18 DE MAIO DE 1949).
(2) Os direitos sobre as publicações nesta revista eletrônica pertencem ao(s) autor(es), com direitos de primeira publicação cedidos à Revista Política Hoje. Em virtude do caráter eletrônico da revista, os artigos são de uso gratuito em aplicações educacionais, sem fins comerciais e disponibilizados na Internet no site da revista.