Integração da Base Industrial de Defesa Sul-Americana: convergências estratégicas, identidades de defesa e interdependências

Antonio Henrique Lucena Silva

Resumo


O objetivo deste artigo é fazer uma avaliação sobre as possibilidades de integração das indústrias de defesa da América do Sul e realizar proposições de políticas sobre o tema. Nesse sentido, o artigo buscará enumerar as possibilidades para: 1) Criação de redes horizontais entre as indústrias; 2) Parcerias tecnológicas com hibridização das relações nacionais-internacionais; 3) Imperativos estratégicos para a criação de soberanias para a indústria e; 4) Estabelecimento de redes de políticas para a construção de interdependências. Seguindo essa linha, o trabalho focará nas iniciativas ora existentes, como o desenvolvimento conjunto da lancha de patrulha fluvial entre Brasil-Colômbia, o Projeto de parcerias do cargueiro/reabastecedor KC-390 da Embraer e parceiros e o desenvolvimento do veículo tubular conjunto (gaúcho) entre Brasil e Argentina. Não menos importante, a construção de “identidades de defesa” nas vertentes platina, andina e amazônica é um elemento fulcral para a integração da base industrial de defesa sul-americana. Argumentamos que a criação de uma "identidade de defesa", especialmente amazônica, é um elemento integrador das relações internacionais dos países limítrofes. Por possuírem problemas geopolíticos/geoestratégicos comuns como: crimes transnacionais, dificuldades na vigilância de suas fronteiras, desrespeito ao espaço aéreo por atores não-estatais, entre outros, as preocupações geopolíticas dos Estados apresentam graus de convergência. Nesse contexto, resulta central a construção de medidas de confiança (confidence-building measures) com o intuito de fortalecer a estabilidade na América do Sul. A integração da base industrial de defesa sul-americana é um ponto complexo na agenda do CDS, no entanto, ela pode servir como um instrumento para alavancar o poder político, econômico e militar da região. Para que a integração obtenha sucesso, é necessário que os países participem do ciclo CADMID (Conceito, Avaliação, Fabricação, Demonstração, Em serviço, Disposição) para que haja ganhos mútuos pela integração das bases industriais. Portanto, a orquestração de redes sociotécnicas que envolvam o processo supracitado, é necessária no que concerne ao desenvolvimento de tecnologias para o setor militar. Isto se vincula a que a criação de interdependências entre os países participantes gera ganhos reais e perceptíveis, facilitando, dessa forma, a integração do setor de defesa. O estabelecimento de redes políticas via diplomacia militar para a integração das redes também será abordado pelo presente artigo cujo foco analítico é o Brasil e a sua relação com os vizinhos amazônicos. A consolidação da integração de defesa na América do Sul, além de trazer maior estabilidade à sub-região, visa atender a uma maior autonomia estratégica preconizada pela Estratégia Nacional de Defesa.


Palavras-chave


Integração da base-industrial de defesa; América do Sul; Convergência estratégica; Ciclo CADMID

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