Hierarquia internacional da indústria de defesa: o trilema da modernização de defesa no caso brasileiro

Christiano Cruz Ambros

Resumo


A partir do início dos anos 1980, a dinâmica da globalização econômica começou a transformar radicalmente a produção de armamentos e uma série de fatores combinados foram minando a capacidade dos Estados  em equipar suas Forças Armadas com produtos domésticos: o acelerado desenvolvimento tecnológico aumentou a sofisticação dos sistemas de armas, ao passo que também elevaram-se significativamente os custos de desenvolvimento e produção desses armamentos; a diminuição dos orçamentos de defesa e consequente retração dos mercados domésticos forçaram uma reorganização da  indústria de defesa global, ocasionando muitas aquisições e fusões de empresas e a emergência de grandes multinacionais; e a internacionalização das cadeias de suprimento. Frente a esse cenário, países como o Brasil, que se encontram em posições intermediarias da hierarquia internacional de produção de armamentos, enfrentam o chamado trilema de modernização da defesa, ou seja, tem dificuldades em manter sua produção doméstica de maneira economicamente sustentável e tecnologicamente relevante para o cumprimento das missões de suas Forças Armadas sem se tornar dependente de fornecedores estrangeiros. Assim, o objetivo deste artigo é expor a dinâmica histórica do sistema internacional de produção de armamentos, principalmente a partir do fim da Guerra Fria. Além disso, buscamos compreender como o Brasil desenvolve suas políticas públicas de apoio à base industrial de defesa nacional para lidar com os desafios impostos pela sua condição de país intermediário na hierarquia internacional da indústria de defesa global.

 

Palavras-chave


Indústria de Defesa; Trilema da Modernização de Defesa; Projetos Estratégicos das Forças Armadas; Acordos de Compensação; Brasil

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