ENTRE A ESTABILIDADE E A MARGINALIDADE
A RESSIGNIFICAÇÃO SOCIOPOLÍTICA DA ATIVIDADE DOCENTE, DOS DICIONÁRIOS E DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA LEGITIMAÇÃO DO CONHECIMENTO ESCOLAR
Resumo
O presente artigo analisa a ressignificação sociopolítica da atividade docente na legitimação do conhecimento escolar, tomando a produção escrita em língua portuguesa como espaço de observação das disputas entre diferentes instrumentos de mediação. O estudo tem como objetivo problematizar o lugar dos dicionários e da Inteligência Artificial (IA) nos processos de escrita, considerando que, no ambiente escolar, os dicionários — especialmente em sua materialidade física — permanecem historicamente legitimados para a estabilização do léxico e das estruturas linguísticas, enquanto, em contextos extraclasse, a IA tem sido amplamente mobilizada pelos estudantes como apoio à elaboração textual, de forma silenciosa e institucionalmente desautorizada. A análise é de natureza teórico-crítica, ancorada em contribuições da Linguística Aplicada de orientação crítica e em estudos sobre a atividade docente, e discute a docência como mediação central entre esses regimes de produção do texto, abordando tensões entre autoria e controle do sentido. O dicionário é mobilizado como referência exemplificativa da tradição lexicológica escolar, enquanto a IA é compreendida como instrumento contemporâneo cuja marginalização revela contradições sociopolíticas no tratamento da autoria discente. Conclui-se que a explicitação e a problematização dessas mediações contribuem para a ressignificação das atividades docente e discente nos processos contemporâneos de legitimação do conhecimento escolar.
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