A GOVERNANÇA MUNDIAL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO CINEMA DE MASSA
DISPUTAS TECNOLÓGICAS E DO LUGAR DO SUL GLOBAL A PARTIR DOS FILMES DE MISSÃO IMPOSSÍVEL (2023-2025)
Résumé
O avanço da Inteligência Artificial (IA) colocou ênfase no fato de a concentração do desenvolvimento da tecnologia envolver fortemente o setor corporativo privado, gerando riscos geopolíticos e colocando em questionamento a possibilidade de o Estado garantir soberania digital e segurança cibernética. Partindo da ideia que o cinema constrói histórias e imagina cenários a partir de questionamentos presentes, este artigo analisa como os filmes da franquia Missão: Impossível (2023-2025) ilustram as disputas pelo controle da IA e os riscos associados a essa tecnologia, além de investigar quais cenários de governança global projetam. A metodologia é amparada na análise interna dos filmes, a partir da qual individuamos quatro categorias qualitativas: ilustração ontológica da IA, mapeamento de atores e agência, modelos de resposta ao risco e assimetrias internacionais. Os resultados revelam uma narrativa que apresenta um Estado-nação obsoleto frente à emergência de um algoritmo dotado de uma consciência artificial (no filme denominado “A Entidade”) que quer controlar a humanidade e pela privatização da segurança internacional nas mãos de um herói individual descrente na política como via possível de solução para o problema. A análise das obras a partir das categorias definidas permitem visualizar a omissão de qualquer mecanismo multilateral para gestão dos riscos envolvendo a IA e também como os países do Sul Global são relegados à condição de cenários passivos, o que naturaliza as estruturas do colonialismo digital e contribui para invisibilizar esses Estados nos debates sobre a regulação desta tecnologia.
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© Letícia Nunes MACEDO, Cristine Koehler ZANELLA, Edson José NEVES JUNIOR 2026

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